17 de março de 2026

Vereador critica ampliação de radares e aponta “indústria da multa”

Laércio Trevisan Jr. (PL) ocupou a tribuna da Câmara durante a reunião ordinária na noite desta segunda-feira (16)

Durante a 11ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Piracicaba, realizada na noite desta segunda-feira (16), o vereador Laércio Trevisan Jr. (PL) utilizou a tribuna para questionar a instalação e a ampliação de radares no município, além de criticar o modelo de fiscalização de trânsito adotado pela administração pública.

Em sua fala, o parlamentar apresentou dados sobre a quantidade de equipamentos instalados na cidade — segundo ele, 55 radares — e levantou questionamentos sobre o impacto direto dessas medidas no bolso da população. Ele também mencionou requerimentos de sua autoria que solicitam revisão contratual, esclarecimentos sobre a destinação dos recursos arrecadados com multas e informações sobre a infraestrutura viária.

Ao abordar números recentes, Trevisan Jr. destacou que Piracicaba registrou cerca de 195 mil multas de trânsito em 2025, além de aproximadamente 44 mil autuações apenas nos primeiros três meses deste ano. Para ele, os dados evidenciam o que classificou como uma “indústria da multa”.

O parlamentar também criticou o custo do contrato relacionado ao sistema de monitoramento, que, segundo apontou, gira em torno de R$ 54 milhões em três anos, com valores anuais superiores a R$ 10 milhões. Ele questionou a efetividade desse investimento diante dos índices de acidentes fatais no município, citando que Piracicaba teria registrado 74 mortes no trânsito em 2025.

Na avaliação do vereador, o aumento da fiscalização eletrônica não tem contribuído de forma efetiva para a redução de acidentes. Ele defendeu que medidas como melhoria na sinalização, instalação de lombadas e semáforos, além de planejamento viário, seriam mais eficazes para garantir a segurança no trânsito.

Outro ponto levantado foi o uso de tecnologias de videomonitoramento com inteligência artificial, que, segundo ele, passaram a ser utilizadas para aplicação de multas. O vereador argumentou que ferramentas inicialmente voltadas à segurança pública estariam sendo empregadas com finalidade arrecadatória.

Durante o pronunciamento, o Trevisan Jr. ainda relatou ter sido autuado por uso de celular enquanto estava nas dependências da Câmara Municipal, durante audiência pública realizada no último dia 12. Ele afirmou aguardar esclarecimentos sobre a autuação, incluindo a existência de registro fotográfico da infração.

Texto: Erich Vallim Vicente - MTB 40.337