14 de abril de 2026
Proposta de revitalizar Rua do Porto recebe elogios e sugestões em audiência
Discussão promovida pela Câmara abriu espaço para mais de 20 manifestações sobre projeto preliminar apresentado pela gestão Helinho Zanatta
A intenção da Prefeitura de revitalizar um dos principais cartões-postais de Piracicaba foi recebida com elogios por vereadores, representantes de entidades, profissionais de arquitetura e urbanismo, moradores e comerciantes da região da Rua do Porto, na audiência pública (assista à integra aqui) sobre o tema promovida pela Câmara na noite desta terça-feira (14).
O desenho preliminar apresentado pela gestão Helinho Zanatta (PSD) —ainda um "embrião", conforme ressaltado pelo secretário municipal de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos, Luciano Celêncio— prevê transformar cerca de 8 quilômetros de extensão da orla em oito espaços temáticos, setorizando áreas para atividades físicas e culturais, restaurantes e artesanato, crianças e pets.
Elaborado pelo escritório Inplenitus, o projeto de parque linear —cujo nome original, "Vila Porto", foi abolido após críticas na primeira reunião pública com moradores e comerciantes da região, no último dia 1º, na Irmandade do Divino— está com consulta pública aberta no site da Prefeitura até esta quinta-feira (16).
No entanto, a secretária municipal de Turismo, Clarissa Quiararia, avalia a possibilidade de abrir um novo prazo para acolhimento de sugestões assim que o projeto receber ajustes advindos da primeira consulta. A proposta, segundo ela, vem sendo moldada desde o início da atual gestão, cujo plano de governo traz a revitalização da orla da Rua do Porto como uma de suas metas.
"Conseguimos desenvolver essa sugestão de projeto —que não é o projeto final, executivo— em cima do que fomos vivenciando em 2025. Fizemos eventos na Rua do Porto, ouvimos os moradores, sentimos as dores e as dificuldades e, em cima disso, propusemos esse projeto inicial, que está sendo ajustado conforme conversamos com a população", explicou a secretária.
Clarissa e Celêncio concentraram as respostas do Executivo ante as sugestões colocadas por parlamentares e pelo público que participou, desde a galeria do plenário, da audiência pública conduzida pelo vereador Felipe Jorge Dario (Solidariedade), o Felipe Gema, ao lado do vereador Gustavo Pompeo (Avante).
"Trata-se de uma iniciativa que possui grande potencial de valorização urbana, ambiental e turística. Temos a proposta da recuperação da Rua do Porto, da preservação da mata ciliar e da ampliação dos espaços de lazer. É nosso dever, como representantes do povo, analisar esse projeto com responsabilidade, equilíbrio e transparência, ouvindo a opinião popular", disse Felipe Gema. "A Rua do Porto não é apenas um espaço geográfico: ela é um símbolo da identidade da nossa cidade, especialmente pela sua tradição gastronômica e pelo trabalho de inúmeros comerciantes, que há décadas sustentam suas famílias naquele local, e também pelas famílias ribeirinhas que ali vivem até hoje", completou.
"A audiência é oportuna porque o momento de construir esse projeto é agora; não adianta discutir depois que o projeto estiver em execução ou pronto", afirmou Gustavo Pompeo, que fez uma analogia com o passado e o futuro ao defender a necessidade de revitalização da orla. "Em 1500, a Rua do Porto não era como é hoje e, em 2050, não vai ser como é hoje, pois as coisas são dinâmicas e vão mudando. O que hoje estamos defendendo como patrimônio também sofreu intervenção humana. A Rua do Porto precisa ser aperfeiçoada na questão turística e diante do potencial gastronômico que tem."
Sem contar ainda com projeto executivo ou memorial descritivo, a proposta da gestão Helinho Zanatta de criação de um parque linear foi apresentada por meio de uma animação de 8 minutos, exibida durante a audiência pública. A ideia é requalificar o trecho da orla do Rio Piracicaba que se inicia na ponte "José Antonio de Souza - Zé do Prato", próxima ao Shopping Piracicaba, até a ponte "Romeu Pinassi", conhecida como "ponte do Caixão".
Seguindo o fluxo do manancial, o primeiro trecho, até a ponte do Mirante, abrigaria o pórtico de entrada do parque linear, o espaço pet e a área com equipamentos para atividades físicas ao ar livre, além de marcar o início tanto da ciclovia, com 2,5 metros de largura, quanto da pista de caminhada, ambas com 8,5 quilômetros de extensão.
Na sequência, vêm os espaços ambientais 1 e 2, que contariam com a restauração do Museu da Água, a implantação de horta urbana e viveiros e a instalação de novos quiosques e de sanitários autolimpantes. A partir da ponte pênsil inicia-se o setor turístico-cultural, marcado pela Irmandade do Divino e pela Casa do Povoador, "com mobiliário para leitura e inspiração artística, decks e espaço instagramável".
No espaço do artesão, contíguo, estão previstas estruturas com cobertura e anfiteatro ao ar livre, que exigirá para sua construção o afundamento de 1,5 metro do solo. A área das crianças, a seguir, deve ser cercada por fachadas características da Rua do Porto, playground para diferentes faixas etárias e brinquedos sensoriais e interativos.
O espaço gastronômico, com a concentração de restaurantes hoje existentes, será "totalmente revitalizado" —conforme a narração explicativa do vídeo exibido na audiência pública—, com placas de sinalização turística padronizadas e instalação de cobertura de madeira "em sintonia com a história local".
Os dois trechos finais, chamados de espaços do esporte e do lazer do trabalhador, devem ser interligados por uma passarela cujo desenho remeterá ao peixe dourado. Ao término deles continuarão a ciclovia e a pista de caminhada até a ponte do Caixão, intercaladas por áreas de descanso. Possíveis prazos e custos de toda a obra não foram informados pelo Executivo.
Nas mais de 20 manifestações ao microfone durante a audiência pública, elogios foram feitos à Prefeitura pela iniciativa de revitalizar o cartão-postal. Representante de um grupo de entidades, a advogada Silvia Machuca disse que, "de fato, é unânime [a opinião de] que a Rua do Porto está desvalorizada". "Todas as entidades que represento entendem a importância da revitalização para os moradores, comerciantes e turistas", afirmou.
"O que está sendo proposto é de suma importância para toda a região. O público local não desce mais à Rua do Porto por conta da falta de segurança. Sou 100% favorável à revitalização", declarou Sandro Samelli, proprietário de um restaurante à margem do Rio Piracicaba. "Sou plenamente a favor da revitalização", endossou o artista plástico e comerciante Carlos Alberto Valério.
A recepção positiva da intenção da Prefeitura em requalificar a região foi acompanhada de uma série de sugestões. "É importante a participação dos comerciantes e moradores de toda a região da Rua do Porto e sua preservação. O objetivo desta audiência é dar transparência e somar cada vez mais junto à população piracicabana, respeitando as questões ambientais e turísticas. Quem ganha com isso é Piracicaba", afirmou o vereador Thiago Ribeiro (PRD).
"Ninguém nega a necessidade de revitalizar nosso principal cartão-postal, mas há que se ter critérios em que se considere a preservação histórica, cultural, ambiental e social", ponderou a vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua. Ela defendeu que o projeto preveja "bastante árvore e lixeiras" e disse que aguarda a publicação do memorial descritivo para saber, por exemplo, "quais materiais vão ser usados".
"Senti falta de árvores no projeto. Queremos garantir a recuperação das matas ciliares e, pelo menos pelo que deu para ver, existem alguns espaços em que poderíamos plantar mais árvores. Além da proteção do solo, isso reduz a quantidade de terra que vai para o rio com as chuvas e também vai ficar mais bonito, mais verde", opinou a vereadora Rai de Almeida (PT), que também defendeu banheiros adaptados para pessoas com deficiência e ostomizadas.
"As pessoas vêm à Rua do Porto pelo lugar, então é fundamental ela ser revitalizada, não mutilada, pelo que, se alguma árvore tiver que ser retirada, que se coloquem mais, pois elas criam um microclima diferente de uma cobertura", argumentou o ex-vereador Juan Sebastianes.
"Não somos contra o projeto, porém temos grandes preocupações com as árvores e nenhuma árvore minimamente saudável pode ser retirada", reforçou a ambientalista Eloah Margoni, que chamou de "inaceitável" a possibilidade de dragas fazerem o desassoreamento do Rio Piracicaba, hipótese depois confirmada por Celêncio.
O artista Manuel Guglielmo fez ponderações após avaliar o projeto como "bastante poluído". "Na área infantil, as réplicas das construções originárias são totalmente desnecessárias. E os quiosques dos artesãos estão colocados em frente ao rio, quando deveriam estar em sentido contrário à paisagem do rio. A pista de patins e a academia nessa área são desnecessárias, porque o parque mais à frente tem todas essas estruturas. Seria interessante se vocês começassem a ver o que podem retirar para que fique uma coisa mais limpa, porque, quanto menos houver de elementos que poluem visualmente e quanto mais natureza se tem, isso favorece a estética e uma área de lazer tranquila, com mais vegetação e verde e menos violência."
Diretor na Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Flávio Luis Copoli fez menção ao projeto Beira-Rio, que, bancado pela Petrobras no início dos anos 2000, conferiu à região sua atual configuração. "Pergunto: se fosse hoje, conseguiriam fazer uma intervenção grande como aquela? Temos de tomar cuidado com radicalismos e deixá-los de lado. Temos que estar aqui pelo bem da cidade, pelo bem de quem dá emprego na Rua do Porto, do comerciante que hoje vive de movimento três dias por semana. Estou aqui do lado dos comerciantes, principalmente, porque é isso que a Acipi faz."
Diante dos apontamentos feitos por vereadores e pelo público presente na galeria do plenário, o secretário municipal de Obras, Infraestrutura e Serviços Públicos garantiu que o projeto "vai respeitar todas as premissas do meio ambiente". "Todos os elementos vão respeitar a permeabilidade, a natureza em si, e nada vai mudar a cota de inundação; tudo vai respeitar o limite de extravasamento."
Sobre as árvores, Celêncio disse que um mapeamento será feito para remover somente as que apresentarem risco de queda, além de espécies invasoras. "Queremos erradicar as leucemas no local, porque elas competem com as nativas, e substituir por árvores nativas. Queremos muitas árvores lá, plantar muitas mesmo, isso não vai faltar. Será um marco nosso."
O secretário informou que mantém conversas com a SP Águas para o desassoreamento do manancial. "Existem pontos em que o rio está assoreado em 13 metros. Se tivéssemos mais profundidade teríamos mais vida aquática. Em determinados pontos ali é necessário o desassoreamento, até para evitar novas enchentes."
Celêncio também assegurou que a revitalização refletirá em melhorias na segurança e na mobilidade da região. "A mobilidade está sendo estudada em todo o entorno, num trabalho conjunto com a Secretaria de Trânsito. Ali o que a gente necessita é de ampliação de vagas, não de misturar fluxo, nada radical. Talvez pequenos alargamentos e intervenções que não afetem nada de arbóreo, mas que criem mais vagas."
"Em relação à segurança, Piracicaba vai entrar numa era de câmeras com reconhecimento facial. Teremos um circuito fechado, com câmeras da municipalidade e de comerciantes, em que vai ficar difícil para a pessoa que tem más intenções frequentar a nossa cidade. Isso vai trazer segurança aos frequentadores", afirmou.
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583
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