26 de maio de 2026

Professoras ampliam conhecimento com visita ao acervo histórico da Câmara

Escola Municipal "Professora Beatriz Aparecida Defante" desenvolve projeto para estimular em seus 176 alunos o sentimento de pertencimento a Piracicaba

A Câmara abriu suas portas nesta terça-feira (26) para uma visita técnica do corpo docente da Escola Municipal "Professora Beatriz Aparecida Defante" ao Setor de Gestão de Documentação e Arquivo. A diretora da unidade de educação infantil, Talita Fernanda Bessi, e nove professoras vieram à sede do Poder Legislativo para se aprofundar na história da cidade, por meio do contato com documentos e imagens de longa data mantidos pelo acervo da Casa.

A "formação", como classificou a gestora, visa preparar as educadoras para o projeto pedagógico atualmente desenvolvido pela escola da Vila Sônia com seus 176 alunos, batizado de "Raízes que Transver". O nome escolhido sintetiza o desejo de aproximar as crianças, com idades entre 0 e 5 anos, das tradições piracicabanas e estimular nelas o sentimento de pertencimento à terra onde vivem, a partir da percepção de que boa parte delas vem de famílias de migrantes de Minas Gerais e de estados do Nordeste.

"Transver é um termo utilizado pelo escritor Manoel de Barros para falar da infância que tira o olhar do adulto daquilo que é fácil de ver para ir além desse olhar, em busca do sentido das raízes piracicabanas e do pertencimento das crianças à cidade. Queremos trazer as tradições populares para dentro do espaço da escola e, para alcançar esse objetivo, precisamos estar formados. Por isso, viemos com as professoras ter contato com as documentações guardadas pela Câmara", comentou Talita.

Desde o início do ano, cada professora tem colocado em prática "microprojetos" que giram em torno do tema principal, "Raízes que Transver". "Queremos que as crianças se sintam pertencentes a Piracicaba, entendam as nossas tradições. E o interessante é que elas absorvem tudo: cada uma da forma que pode, as crianças se desenvolvem muito a partir de qualquer coisa que entregamos a elas. E elas vão mesmo pertencer, crescer com essa ligação com a cidade onde estão inseridas. Nosso objetivo é trazer essas raízes para o íntimo delas, para que não seja simplesmente uma citação de livro, mas pertencente à vida delas", completou a diretora.

Na visita técnica à Câmara, as educadoras foram apresentadas pelas arquivistas Giovanna Fenili Calabria e Dayane Cristina Soldan, chefe do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo, à estrutura mantida no 4º andar do prédio anexo, como a sala de restauro, a biblioteca e os arquivos com os negativos de fotos históricas. As servidoras também detalharam como é feito o processo de descrição e transcrição dos materiais, além de mostrar "documentos legislativos, produzidos ou recebidos pela Casa como documentos administrativos, que passaram a ser históricos", como distinguiu Dayane.

"Da nossa parte, apresentamos primeiramente aquele que pode ser o documento mais antigo da cidade, que é a encadernação de 1784, com o livro de memórias que narra a mudança de margem do rio da povoação. Também o livro da fundação de Piracicaba, com o pedido para a alteração de Freguesia para Vila, e um conjunto de documentos que começa em 1816 e vai até 1822, além do primeiro livro de atas da Câmara, de 1822, e documentos que não são da Câmara, mas que estão conosco, seja por doação ou por motivos desconhecidos", comentou a diretora do Setor de Gestão de Documentação e Arquivo.

As professoras também aprenderam a pesquisar o acervo online mantido no sistema Atom e a seção "Achados do Arquivo", que reúne coleções temáticas.

Texto: Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583