22 de abril de 2026

Município elabora plano para ampliar alcance de ações de planejamento familiar

Tema esteve em pauta na reunião mensal da Rede de Atendimento e Proteção às Mulheres de Piracicaba, realizada nesta quarta-feira na Câmara

Seis em cada dez mulheres que dão à luz em Piracicaba relatam que a gravidez não foi planejada. O dado levou servidores do município a se debruçarem em um plano de trabalho para qualificar as ações de planejamento familiar na Rede de Atenção à Saúde. O objetivo é ampliar as formas de acesso da população aos métodos anticonceptivos oferecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O plano de trabalho foi apresentado nesta quarta-feira (22) pela coordenadora do Programa Saúde da Mulher, Marcela Buoro, às integrantes da Rede de Atendimento e Proteção às Mulheres de Piracicaba, durante a reunião mensal realizada na Câmara. O encontro foi conduzido pela vereadora Rai de Almeida (PT), procuradora especial da Mulher na Casa, e teve a presença de representantes de diversos órgãos e entidades que compõem o coletivo.

Marcela Buoro listou os métodos disponíveis de graça pelo SUS a homens e mulheres —desde preservativos internos, para elas, e externos, para eles, até cirurgias de esterilização, passando pelas pílulas anticoncepcionais e de emergência e pelos dispositivos que, implantados uma única vez, têm efeitos de longa duração. A enfermeira frisou que cabe ao médico indicar o melhor anticonceptivo à pessoa, uma vez que um paciente é diferente do outro.

Recém-chegado à rede municipal de saúde, o Implanon é tido como um dos mais avançados métodos. Segundo Marcela, o município inicialmente recebeu do Ministério da Saúde 1.485 implantes, que têm eficácia de três anos e custam cerca de R$ 1.800 na rede privada. O procedimento para colocação no corpo da mulher é rápido e feito com anestesia local —pelo menos 18 médicos e 8 enfermeiros da atenção básica já estão treinados para fazer a aplicação.

"O Implanon fica três anos no braço da pessoa liberando hormônio. Sua retirada também pode ser feita na Atenção Básica", informou Marcela, que respondeu a uma dúvida de Rai de Almeida sobre os critérios que serão levados em conta para a aplicação do Implanon. "O Ministério da Saúde entende que toda pessoa de 15 a 49 anos têm direito de escolha para o implante. Recomenda-se que o médico faça uma escuta dessa mulher e oferte o melhor método a ela, pois não são todas que têm a indicação para o Implanon."

Outro método destacado pela coordenadora do Programa Saúde da Mulher, o DIU de cobre causa uma inflamação leve e controlada no endométrio, num processo que é intencional, para criar um ambiente hostil que mata espermatozoides e impede a implantação do embrião, sem causar danos permanentes ou infertilidade. Seus efeitos duram dez anos. Atualmente, a rede municipal conta com um profissional capacitado para a implantação do DIU de cobre.

Também oferecida gratuitamente em unidades de saúde, a pílula emergencial deve ser tomada o quanto antes, e não "no dia seguinte", como o nome popular pode sugerir. "Quanto mais rápida ela for administrada, maior a efetividade. Ela espessa o muco e causa uma acidez para que não tenha a ovulação. Portanto, ela não é abortiva; ela age antes da concepção em si", explicou a enfermeira.

Já as cirurgias de esterilização para homens e mulheres mostram números diferentes em Piracicaba. Enquanto a laqueadura tem fila de espera, com 100 a 120 triagens mensais para o procedimento —que exige internação da mulher, corte abdominal e anestesia peridural—, a vasectomia, por outro lado, tem uma busca de 50 a 60 pacientes mensalmente, sendo uma operação simples, de 15 minutos, com anestesia local.

Diante das diferenças que tornam a laqueadura mais invasiva à mulher e da menor procura pela cirurgia de esterilização masculina, Rai de Almeida sugeriu se "não há como fazer uma campanha para haver maior adesão dos homens à vasectomia". Segundo a coordenadora do Programa Saúde da Mulher, este é um dos objetivos a serem atingidos a partir da maior divulgação dos métodos anticonceptivos oferecidos gratuitamente pela rede pública.

A reunião mensal da Rede de Atendimento e Proteção às Mulheres de Piracicaba também tratou dos preparativos para o "Maio Furta-Cor", que dedica o quinto mês do ano à conscientização sobre a saúde mental materna. Rai de Almeida é a autora da lei municipal 9.765/2022, que, atualmente consolidada na lei 10.137/2024, instituiu a campanha no calendário oficial de eventos da cidade.

A edição de 2026 do "Maio Furta-Cor" terá atividades realizadas em diferentes locais, como o Sesc, a Faculdade Anhanguera e a Esalq-USP, onde a programação será encerrada no dia 31 com uma marcha pelo campus. A Câmara sediará, no dia 13, evento em homenagem aos cinco anos da campanha em Piracicaba.

"Começamos na pandemia, em que o índice de adoecimento materno foi muito alto. A campanha veio para tirar essas mulheres da invisibilidade: me comove muito como elas têm sobrecarga e exaustão e como há descuido com essa realidade, a qual é possível, sim, ser transformada, com mais consciência e frentes que se apoiem", comentou a voluntária Natalia Alleoni. "Queremos avançar em medidas efetivas, que resultem em políticas públicas e agenda social concreta", defendeu.

A mobilização em torno do "Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio" também foi pauta na reunião mensal da Rede. A iniciativa, lançada pelo governo federal com o objetivo de fortalecer, em todas as esferas de poder, as ações de proteção às mulheres, já conta com o apoio da Câmara, que aderiu ao pacto no último dia 18 de março. "Este pacto é para ser assinado pelas instituições que têm e podem implementar políticas de combate à violência", salientou Rai de Almeida.

"Depois da assinatura do pacto, estamos visitando todos os vereadores para que cada um nos ajude, dentro de sua plataforma política, e já conquistamos alguns apoios. Independentemente de crença ou ideologia, não tem ninguém que não queira alterar o status atual de violência contra a mulher", disse a advogada Simone Seghese, presidente do Conselho Municipal da Mulher.

Texto: Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583