PIRACICABA, SEXTA-FEIRA, 3 DE DEZEMBRO DE 2021
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21 DE OUTUBRO DE 2021

CPI do Semae: Depoentes endossam denúncias de irregularidades


Depoente afirmou que hoje não é feita a fiscalização nas Estações de Tratamento de Esgoto, descumprindo o que é previsto no contrato com a Mirante



EM PIRACICABA (SP)  

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Oitiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (21)

Oitiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (21)
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Oitiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (21)

Oitiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (21)
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Rai de Almeida, presidente da CPI

Rai de Almeida, presidente da CPI
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Anilton Rissato, relator da CPI

Anilton Rissato, relator da CPI
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Fernanda Monis

Fernanda Monis
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André Chiarini Monteiro

André Chiarini Monteiro
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Oitiva foi realizada na manhã desta quinta-feira (21)



Denúncias de irregularidades praticadas pela empresa Mirante, responsável pelo tratamento e coleta de esgoto em Piracicaba, foram endossadas por servidores do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto), convocados para depor na oitiva da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Semae, realizada na manhã desta quinta-feira (21).

Servidora da autarquia há 19 anos, Fernanda Monis afirmou aos membros da CPI que depois da PPP (Parceria Público-Privada) com o município, a empresa Mirante destituiu a fiscalização nas estações de tratamento de esgoto, descumprindo o que está no contrato. "O nosso trabalho era fiscalizar o esgoto e o deles era tratar”, afirmou.

Fernanda Monis também endossou as denúncias de que a Mirante despeja o esgoto sem tratamento porque as bombas utilizadas para transpor a diferença de altitude dos rios com as estações de tratamento são desligadas durante a madrugada para economizar energia elétrica. “Aumentaram o número de bombas e diminuiu o gasto com energia elétrica”, declarou. A servidora do Semae ainda afirmou que a Mirante comprou uma bomba específica para jogar lodo no Piracicamirim.

Além de endossar as denúncias de falta de fiscalização e poluição dos rios, Fernanda Monis relatou que os funcionários contratados pela Mirante não “sabiam nada” e que os técnicos do Semae precisavam ensinar. “Não adiantava muito porque a empresa tinha rotatividade de funcionários e eles ficavam por pouco tempo”, disse.

Para a vereadora Rai de Almeida (PT), presidente da CPI, foi dito com todas as letras na oitiva que não há fiscalização do contrato e das execuções de trabalho feitos pela empresa Mirante. “Há uma afirmação da ausência de fiscalização da execução de todo trabalho feito pela Mirante e também foi apontado que até agora não foi feita nenhuma ação no sentido de fazer com que a fiscalização seja executada tal como o contrato prevê”, declarou a vereadora.

MAIS DENÚNCIAS – A servidora do Semae ainda relatou que os funcionários da Mirante “picavam o cartão” em Piracicaba, iam trabalhar em Holambra e Matão, cidades onde a Mirante tem contrato, e depois voltavam a Piracicaba para “picar o cartão de saída”. Fernanda Monis informou que tais ações foram encerradas após um servidor da autarquia denunciar ao Ministério Público.

Ela também informou à CPI que antes de ser feita a PPP os servidores da autarquia iriam fiscalizar as empresas que estavam jogando produtos e lixo industrial nos ribeirões, mas com a vinda da Mirante os fiscais não puderam fazer esse trabalho.

FALTA DE ÁGUA – O segundo servidor do Semae a depor na CPI foi o engenheiro mecânico André Chiarini Monteiro. Com 25 anos de Semae, hoje ele trabalha na divisão de manutenção eletromecânica.

Questionado sobre os problemas de falta de água, o servidor afirmou que Piracicaba tem água suficiente para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes e que “o grande problema está na rede de distribuição”. Segundo ele, o abastecimento de água melhoraria com um maior investimento na distribuição. “Toda cidade tem perdas, algumas tem menos perdas que Piracicaba”, disse.

André Monteiro afirmou que apesar das denúncias, nunca faltou água por causa de alguma bomba que foi desligada e que as bombas só são desligadas quando há alguma manutenção programada.

Sobre a empresa Mirante, o depoente afirmou que todo cadastro técnico que possuía foi entregue para empresa contratada na PPP e uma semana depois os servidores do Semae não tinham mais acesso às bombas e às estações de tratamento de esgoto. “Se hoje eu quiser entrar em alguma delas eu não consigo”, disse. Ele também afirmou que entregou a casa de bombas funcionando e não sabe se hoje elas funcionam.

O vereador Anilton Rissato, relator da CPI, declarou que os depoimentos da oitiva “confirmam aquilo que a comissão já vem investigando". "Temos recebido bastante documentos, tanto do Semae quanto da Mirante, documentos estamos lendo e levantando alguns dados que possam nos trazer informações. Vamos ouvir outras pessoas e buscar provas do que a gente está levantando nessas oitivas. Tudo está sendo apurado”, declarou Rissato.

CPI DO SEMAE – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi criada para apurar irregularidades no Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) e tem o prazo de 120 dias para concluir os trabalhos. A CPI é composta pelos vereadores Rai de Almeida (PT), presidente da comissão, Anilton Rissato (Patriota), relator, e Thiago Ribeiro (PSC), membro.



Texto:  Daniela Teixeira - MTB 61.891
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Comissão Parlamentar de Inquérito Thiago Ribeiro Rai de Almeida Anilton Rissato

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