19 de maio de 2026

Conceito de justiça restaurativa é vivenciado por educadores da rede estadual

Sob a coordenação de Osmar Ventris, um grupo de 30 diretores participaram de dinâmica para avaliar a situação do universo escolar, na capacidade de ouvir o próximo

Atividade da Escola do Legislativo de Piracicaba, Antonio Carlos Danelon, "Totó Danelon" reuniu na manhã e tarde desta segunda-feira (18), um grupo de 30 diretores de escolas estaduais para o Curso Justiça Restaurativa Escolar: a arte de ver além da aparência, pensado exclusivamente pela Diretoria de Ensino de Piracicaba, visando atividades extra classe, que possam contribuir com o fortalecimento educacional.

As atividades aconteceram na sala Walter Ferreira da Silva, segundo andar do prédio anexo da Câmara, localizado na rua São José. Os trabalhos foram coordenados por Osmar Ventris, conciliador judicial e extrajudicial, especialista no conceito de justiça restaurativa, em prática que remonta a cultura indígena, quando a comunidade se reunia em círculo, no entorno das fogueiras e, onde o direito de fala e de ouvir o outro se reveste no verdadeiro sentido de respeito pela igualdade de todos. 

“Tudo faz parte da atividade prática e como desenvolver isso no dia a dia, aplicado em todos os ambientes do convívio social. A justiça restaurativa é algo que não se ensina e sim se vive. Em círculo somos todos iguais. Falamos olho no olho. Todos têm o direito e a oportunidade de falar”, resumiu o palestrante, que na sequência reuniu os participantes numa grande roda e dispôs os vários objetos da palavra, simbolizados por um apagador, boneco, bola, bichinho de pelúcia e outras peças que foram repassadas à cada participante para expressar suas necessidades de fala. 

Osmar Ventris também falou da importância do ouvir, coisa que fazemos de uma maneira automática, ao passo que o escutar requer mais esforço, pois só teremos empatia ao que a pessoa diz quando de farto formos capazes de sentir o outro. 

Para Ventris, o círculo veio para construir a cultura de paz, visando uma comunicação não violenta, onde se trabalha com os conceitos da psicologia cognitiva e da neurociência, o que nos leva a reavaliar como nos relacionamos com o outro ser humano. 

Iniciando na prática a vivência com o grupo de diretores, o palestrante pediu para que após iniciado o processo ninguém saísse, não atendesse o celular e, sim, ficariam voltados a explorar ao máximo a vivência dos relatos, onde a experiência deveria permanecer no círculo. 

Diversos diretores e diretoras exteriorizaram diferentes situações que enfrentam no universo escolar, com ênfase maior sobre as recentes diretrizes internas da Diretoria de Ensino, que baixou convocação para que os diretores participem de atividades extra classe. 

“Estou exausta. É muita correria. Estou ansiosa. Há muita cobrança. É muita coisa. Estou desanimado. A minha preocupação é com os próximos encontros. O tema é muito importante, mas ficar 14 dias fora da escola, todo dia, é muita coisa. Em 40 dias é mais que 35% de tempo que ficaremos fora da escola, em convocação. Isso me preocupa muito", disseram.

"Eu aqui estou desesperada. Fui a última pessoa a chegar para estas atividades, mas estou extremamente apreensivo de ter que sair da escola, tenho problemas para solucionar lá. Nos deixam ansiosos e preocupados, em função de tantas demandas que temos”, sinalizaram os diretores durante a dinâmica em grupo. 

André Calazans, professor especialista em curriculum, ligado à PEC Conviva, da URB (Unidade Regional de Ensino de Piracicaba) destacou a importância das atividades que envolvem os educadores. 

Osmar Ventris conclui os trabalhos da manhã enfatizando a importância do conceito de justiça restaurativa no universo escolar, além de considerar a tensão que observou no universo envolvendo os educadores, nos diversos relatos da escuta em grupo. 

Texto: Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583