PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 5 DE JULHO DE 2022
Aumentar tamanho da letra
Página inicial  /  Webmail

23 DE JUNHO DE 2022

Cidade Circular: jogo promove valorização urbana e formação cidadã


Em atividade lúdica na Escola do Legislativo, realizada nesta quarta (22), crianças atendidas pela Casa do Amor Fraterno, debateram problemas e soluções para as cidades



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (1 de 4) Salvar imagem em alta resolução

Atividade foi realizada na tarde desta quarta-feira (22) na Escola do Legislativo

Atividade foi realizada na tarde desta quarta-feira (22) na Escola do Legislativo
Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (2 de 4) Salvar imagem em alta resolução

Rafael Gonzaga

Rafael Gonzaga
Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (3 de 4) Salvar imagem em alta resolução

Sílvia Morales é diretora da Escola do Legislativo

Sílvia Morales é diretora da Escola do Legislativo
Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (4 de 4) Salvar imagem em alta resolução

Rafael Gonzaga e aluna atendida na Casa do Amor Fraterno, localizada no Novo Horizonte

Rafael Gonzaga e aluna atendida na Casa do Amor Fraterno, localizada no Novo Horizonte
Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 Salvar imagem em alta resolução

Atividade foi realizada na tarde desta quarta-feira (22) na Escola do Legislativo



Pensar em soluções para os desafios e problemas das cidades de uma forma lúdica, sem deixar a concretude da realidade de lado, essa foi a proposta da roda de conversa “Amor à Cidade: cidadania como partilha”, conduzida na tarde desta quarta-feira (22), na Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Piracicaba, pelo educador, escritor, roteirista, videomaker e doutor em história social pela PUC-SP, Rafael Gonzaga.

Participaram da atividade cerca de 10 crianças, com idade entre 9 e 11 anos, atendidas pela Casa do Amor Fraterno, uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sediada no bairro Novo Horizonte. Na instituição, que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, Rafael também desenvolve o projeto “Espaço Arte e Cidadania”, financiado com recursos do Fumdeca (Fundo Municipal da Criança e do Adolescente).

A roda de conversa teve início com a exibição às crianças um vídeo, com diversas imagens históricas e desenhos feitos previamente por alunos do projeto, que foram colocados dois a dois, lado a lado: no lado direito da tela, imagens que retratavam cenas do cotidiano de cidades antigas, de séculos atrás. No lado esquerdo, desenhos feitos pelos alunos. Ambas as imagens retratavam atividades realizadas em espaços urbanos, como festas, feiras, comércio, alimentação e muitas outras.

Ao longo do vídeo, Rafael, em conjunto com os alunos - que falaram sobre suas experiências cotidianas e situações por elas vividas no bairro -, sintetizou em frases-chave o “espírito” das cidades, algo que se mantém estável ao longo do tempo em diferentes localidades: “a cidade é lugar da diversão; a cidade é o lugar do trabalho; a cidade é o lugar do amor; a cidade é o lugar da memória”, disse.

O objetivo da síntese, explicou o educador, é ajudar as crianças a criarem uma ligação e identidade mais profundas com o espaço que habitam, de forma a valoriza-lo e, assim, atuarem de forma cidadã e estimularem suas famílias a fazerem o mesmo:

“Um dos grandes objetivos perseguidos pelo projeto é esse. Nós temos feito muitos trabalhos lá na Casa do Amor Fraterno. Não só eu, mas vários outros profissionais dentro da Casa fazem esse trabalho de conscientização, de educação. Nós pedimos, por exemplo, para que eles tragam para a gente as histórias do bairro para, a partir daí, buscarmos criar neles um amor pelo bairro. Algumas pessoas sentem amor pelo seu bairro pois dizem, por exemplo, ‘meu avô era italiano, veio para cá, e nesse bairro eu tenho essa tradição italiana’. Eles, no entanto, lá na periferia, aprendem muitas vezes a não gostar de onde moram, alguns sentem até vergonha de morar na periferia”, contextualiza.

Cidade Circular – Terminada a exibição do vídeo e colhidos os relatos das experiências das crianças, Rafael Gonzaga propôs aos alunos um jogo: o “Cidade Circular”, criado pelo próprio educador: "é uma ferramenta pedagógica que propõe aos jogadores discutirem a cidade de um ponto de vista cidadão", explicou.

O jogo é composto 36 peças geométricas, nas cores amarela, vermelha e azul. Cada peça representa um tipo problema, ação ou construção a ser resolvido/realizada em uma cidade abstrata.

As vermelhas representam situações como desigualdade social, violência, trânsito, falta de médicos, racismo, homofobia etc. Já as peças azuis e amarelas representam ações e construções a serem feitas na cidade para, assim, resolverem os problemas correspondentes, como por exemplo, a construção de um posto policial, de um hospital ou de uma escola.

Cada jogador recebe uma quantidade de peças e, com base nos problemas iniciais propostos pelo mediador, como por exemplo "lixo na rua" e "desigualdade social", cujas peças foram colocadas em cima de uma mesa, propõem uma solução correspondente. Essa proposta é apresentada ao grupo pelo jogador que detém a peça e, após debate, caso haja consenso, ela é igualmente colocada na mesa em substituição à peça que trazia o problema.

Segundo Rafael, o objetivo é que os jogadores atuem como “conselheiros” dessa cidade hipotética, sempre de forma a reconhecer que os problemas e desafios no tabuleiro são os muitas vezes os mesmos de uma cidade real:

“No cotidiano, muitas vezes é difícil trabalhar esses conceitos, por isso nós criamos esse jogo, o Cidades Circular. O objetivo é que as pessoas sentem em círculo, o que representa justamente essa decisão consensual da Távola Redonda, da roda de samba, da roda de capoeira, e eles devem sempre tomar as decisões dialogando entre eles e sempre buscando o melhor para a cidade”, disse.

O educador também destacou que o jogo serve a diversos públicos, não apenas ao infantil, e a ideia, agora, além de dissemina-lo, é também criar um novo jogo, o "Cidade e Interação", para ser utilizado, por exemplo, em escolas e centros de atendimento de órgãos públicos municipais:

“Eu busco patrocínio de alguma empresa para tentar imprimir pelo menos umas dez cópias do jogo para distribuir nos equipamentos da Smads (Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social). Nós, agora, estamos criando um novo jogo, que vai se chamar Cidadania e Interação, que é basicamente você cuidar do bairro, aplicando nele, nos equipamentos públicos, especialmente equipamentos públicos ligados à Smads, à Educação, postos de saúde, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CASE (Centro de Atendimento Socioeducativo) na busca de resolução de problemas por eles enfrentados.”

A vereadora Sílvia Morales (PV), do Mandato Coletivo “A Cidade é Sua”, diretora da Escola do Legislativo, ressaltou que a atividade foi “diferente”, pois fugiu dos padrões das palestras da Escola, geralmente com foco num público mais adulto, e lembrou que todos os questionamentos e soluções apresentados pelas crianças “têm tudo a ver com o que a gente faz e tem que fazer aqui na Câmara e na Prefeitura”.

A parlamentar também convidou as crianças a participarem do Conheça o Legislativo, programa instituído na Casa e que apresenta em detalhes a alunos da rede pública e privada de ensino o funcionamento da Câmara Municipal de Piracicaba. 

A vereadora Rai de Almeida (PT) também prestigiou a atividade.



Texto:  Fabio de Lima Alvarez - MTB 88.212
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Escola do Legislativo Silvia Maria Morales

Notícias relacionadas