11 de março de 2026
Reunião solene da Câmara celebra o Dia Internacional e Semana Especial da Mulher
Manifestação da Procuradoria Especial, pelas vereadoras Rai de Almeida e Sílvia Morales homenageou personalidades e refletiu sobre a violência que penaliza as mulheres
A Câmara Municipal de Piracicaba, por intermédio da Procuradoria Especial da Mulher, conforme iniciativa das vereadoras Rai de Almeida (PT) e Sílvia Morales (PV), do mandato coletivo "A Cidade é Sua" promoveu nesta terça-feira (10), às 19 horas, reunião solene pelo Dia Internacional da Mulher e Semana Especial da Mulher.
Na oportunidade, foram homenageadas oito mulheres, indicadas por diferentes categorias profissionais: Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz (in memorian), Danielle Pupin Ferreira de Souza Nogueira, Fernanda Guimarães Rolim Berreta, Giselle Gimenes Betin, Lucila Maria Calheiros Silvestre, Marcela Enedina Furlan Buoro, Rita Maria de Melo e Sueli Patreze.
No requerimento 02/2026, as parlamentares asseguraram a realização da solenidade e demais atividades em comemoração ao Dia Internacional da Mulher e a Semana da Mulher, conforme Decreto Legislativo nº 02/1998 e Decreto Legislativo nº 01/2009.
O evento ocorreu nas dependências do salão nobre "Helly de Campos Melges", prédio principal da Câmara, rua Alferes José Caetano, 834, Centro, com transmissão ao vivo pela TV Câmara (nos canais 11.3 da TV digital, 4 da NET e 9 da Vivo TV) e também pôde ser conferido nos perfis oficiais da Câmara, no Facebook e no YouTube, além do site camarapiracicaba.sp.gov.br
A Procuradoria Especial da Mulher é coordenada por Rai de Almeida, procuradora-especial, e Silvia Morales, como procuradora. O objetivo é desenvolver uma programação que fortaleça a conscientização, a prevenção e o enfrentamento à violência de gênero, especialmente o feminicídio.
A história do 8 de março, escolhido como o Dia Internacional da Mulher acontece em memória às tecelãs que se rebelaram contra a jornada de trabalho de 16 horas por dia (exigiam 10 horas) em uma fábrica de Nova York, em 1857. Reprimidas com violência, cerca de 130 foram mortas carbonizadas. Numa conferência na Dinamarca, em 1910, a data foi escolhida. Além disso, o evento lembra dos 12 direitos da mulher, determinados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Solenidade
Na formação diretiva da mesa de honra, as proponentes da solenidade, Rai de Almeida e Sílvia Morales, a representante do comandante Rodrigues, da Guarda Civil Municipal e a Patrulha Maria da Penha, a Guarda Civil, Samira, a diretora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq/Usp, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira, a presidente do Conselho Municipal da Mulher, Simone Seguese, a coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher, Fabiana Menegon e, Ceiça Sandoval, conselheira da Sociedade Beneficente Treze de Maio, que também representou a deputada estadual Professora Bebel (PT). O vereador Pedro Kawai (PSDB) também esteve presente na solenidade.
Poema
Na abertura dos trabalhos, a vereadora Rai de Almeida pediu licença para ler o trecho do vídeo da atriz Marina Dulinski, dado à relevância da solenidade que evidencia as mulheres na luta por dias melhores.
"Primeiro, disseram que a gente era costela, e depois trataram a gente como moeda de troca, de dote, de silêncio. Os nossos corpos eram usados como alianças, e os nossos ventres, só para gerar herdeiros. Depois, veio aquela permissão, você quer trabalhar fora? Pode, desde que o jantar esteja pronto quando eu chegar. E assim fomos equilibrando funções como quem equilibra pratos frágeis. Carreira, filhos, família, marido, tudo com um sorriso no rosto. E, cansadas, chamaram a gente de dramáticas".
"Esgotadas, chamaram a gente de loucas. E a gente cresceu, e o que era permissão virou escolha, o que era favor virou direito, o que era dependência virou patrimônio. Hoje, algumas de nós se sentam à cabeceira de mesas onde a gente antes serviu café. A gente não é mais objeto de uso, a gente é sujeito de decisão. E agora, para alcançar a gente, meu bem, vocês vão ter que rebolar, e bem rebolado. Mas, me diz, homem, rebolar ou se movimentar. É sempre coisa de mulher mesmo".
Na sequência da solenidade, foi apresentado um vídeo: Um Minuto de Silêncio, por todas as mulheres que tiveram a vida interrompida pela violência.
Na solenidade também estiveram presentes: Jurandir Silvestre, vice-presidente do Instituto Yamara,Tiago de Souza Nogueira, presidente da Comissão de Direito Condominial da OAB Piracicaba,Tiago Franco, secretário-geral da OAB Piracicaba, 8ª Subseção, Kátia Del Monte, representando a Pastoral da Terra, Jussara Cristiane Teixeira Bueno, presidente do Lions Club Piracicaba Leste e Roseli Assis, presidente do Rotary Club Piracicaba Luiz de Queiroz.
Saudações
Ceiça Sandoval, que também representou o Conepir (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba) e a Rede Nacional de Mulheres no Combate à Violência abriu o ciclo de discursos da noite lembrando que o Dia Internacional da Mulher começa com uma história triste, que foi a morte de muitas trabalhadoras. Mas, reconheceu o avanço da luta, "porque nós conquistamos vários direitos, direito ao voto, direito à amamentação, direito a salários, e foram várias conquistas. Mas, hoje, nós estamos num momento em que a grande preocupação é a violência contra a mulher", disse.
"Não posso deixar passar também a violência que as nossas parlamentares estão sofrendo, tanto na esfera municipal, quanto na estadual e nacional. Então, eu acho que nós temos que pensar nas pessoas que nós vamos colocar nessas próximas eleições. São pessoas que têm que ter uma preocupação. Tem que olhar a mulher de igual para igual. A questão da violência, às vezes é uma fala, às vezes é uma violência física mesmo. Isso tudo é muito complicado. Então, o que eu quero hoje é um momento de festa. Não vamos falar de tristeza. Parabenizo todas as homenageadas, pelo trabalho que vocês fazem, pela representatividade que têm. Boa noite", concluiu Ceiça.
A coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher, Fabiana Menegon falou na sequência, saudou a formação da mesa de honra e as contempladas da noite. "O Dia Internacional da Mulher é marcado por uma data, por luta. Esse ano também não viemos aqui somente para comemorar. Claro que as homenagens aqui são um momento de felicidade também, de estar homenageando mulheres que representam e que têm um papel fundamental na nossa sociedade, mas a gente não pode esquecer de toda a situação de violência que todas nós, mulheres, estamos vivenciando hoje e estamos sujeitas".
"E, com isso, eu gostaria aqui de pedir licença para fazer uma breve leitura do meu discurso, em homenagem a esta noite, dizer que estou aqui representando um serviço que é referência no atendimento à mulher em situação de violência. A nossa equipe está aqui presente também para poder prestigiar todas as mulheres aqui hoje homenageadas".
"Nesse contexto, o CRAM, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher, tem a grande satisfação de indicar Fernanda Berreta, promotora de justiça em Piracicaba, para ser uma das homenageadas de hoje. A escolha do nome representa o reconhecimento de sua atuação não apenas como representante do Ministério Público, mas também como uma parceira comprometida com o fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra a mulher em Piracicaba. Sua atuação tem sido marcada pela abertura ao diálogo com os serviços, pela construção conjunta de estratégias de proteção e pelo respeito ao trabalho em rede, elementos fundamentais para garantir o acolhimento, proteção e acesso à justiça e às mulheres em situação de violência".
A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Simone Seguese destacou a importância do mês de março. "É um mês que nós não podemos deixar a doçura nos escapar, quando tentamos lembrar das mulheres que nos precederam e das que sempre nos auxiliaram e estiveram de mãos dadas conosco. Quem aqui, nessa sala, pode dizer que não teve uma mulher como ponto de apoio? A essas mulheres nós devemos, então, a nossa gratidão e devemos a nossa vida, inclusive. Muitas de nós trabalham justamente na defesa dos interesses dessas mulheres hipossuficientes. E aqui, entre nós, temos muitas que já estão empenhadas há anos na mudança de status".
"Eu vim aqui com o único propósito de dizer que nós não podemos desanimar. Apesar dos números, apesar das 1.500 mortes que nós tivemos por feminicídio em 2025, as coisas estão evoluindo, as mulheres estão mudando, e essa mudança é irreversível. Nós fazemos parte dessa mudança, nós temos trabalhado para sanar esses pequenos movimentos contrários à evolução social, e nós estamos dando conta, nós estamos entrando no mercado de trabalho, nós estamos assumindo as nossas famílias, nós estamos assumindo a gestão da nossa sociedade. Nós estamos no rumo certo. Então, minhas queridas, não vamos desanimar. Nós não vamos desanimar".
"Quero cumprimentar, então, as duas homenageadas do Conselho da Mulher, a senhora Lucila Calheiros, que é uma professora e que cuida da casa de mães de Piracicaba. E a Marcela, que é uma de nós, uma das conselheiras lá do Conselho Municipal da Mulher. Queria aproveitar e estender meu abraço à minha companheira de conselho, que é... Por favor, Dani, fique em pé para todo mundo ver quem você é. Eu e ela enfrentamos a mesa do Conselho da Mulher de Piracicaba. Ela, coincidentemente, é uma das homenageadas. Eu te devo a gratidão por todo o trabalho que nós estamos conseguindo realizar, graças a você. E quero cumprimentar as minhas amigas de mesa também e desejar um lindo mês da mulher, com que a energia se restabeleça em todas nós, para que a gente não interrompa a nossa luta em momento algum. Obrigada. Boa noite a todas", concluiu a oradora.
Hermelinda
A diretora da Escola Superior de Agricultura, Luiz de Queiroz, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira fez a sua descrição: "Eu sou uma mulher branca, alta, 53 anos, tenho cabelos castanhos claros, presos, estou vestindo uma camisa azul clara". E, falou da honra de participar da solenidade.
"Parabenizo as vereadoras pela iniciativa de ter criado essa oportunidade de homenagens, mas também de reflexão. E é com muita honra também que eu estou aqui hoje, como diretora da Esalq, podendo receber, em nome da memória da Hermelinda de Otoni de Souza Queiroz, uma honraria que eu acho que é uma das primeiras que a cidade faz à uma mulher que foi pioneira e que foi decisiva para a história da Esalq".
"Este ano a Esalq faz 125 anos. Sua história não é importante apenas para Piracicaba e a região, mas também para o Brasil, colocando uma equipe de professores, funcionários, pesquisadores e egressos e egressas. São mais de 18 mil pessoas que passaram pelos cursos e que fazem a diferença no Brasil e no mundo".
"Mas isso não seria possível se não fosse lá atrás, há 125 anos, termos uma mulher, Hermelinda Ottoni de Souza Queiroz, que foi quem estava no início da história oficial da Esalq, em 1901. O que temos na ata de assinatura do começo das atividades de ensino é nada mais, nada menos do que a assinatura dela, da conhecida Dona Hermelinda. Porque o casal doou a fazenda para o Estado de São Paulo, para a criação de uma escola, só que o Luiz de Queiroz morreu dois anos antes do início das atividades, e foi essa guerreira que estava lá".
"Então, a gente nunca deve se referir somente a Luiz de Queiroz, e sim a esse casal que, muito altruísta, se doou pelo bem público, pelo bem comum. Só que, apesar de a gente ter, na origem da história da Esalq, uma mulher, uma pioneira. Sabe quando a gente teve a primeira mulher formada na instituição?, 35 anos depois. Parece que não é muito, foi a Vitória Rossetti. Porque, no começo, só os homens podiam se matricular e estudar".
"Então, 35 anos depois da história da Esalq, a gente teve a primeira engenheira agrônoma formada. Somente em 1944, a gente teve a primeira professora contratada, professora Ione. Em 1967, a gente teve a primeira mulher formada num programa de mestrado. E, na década de 70, a primeira mulher formada em doutorado, em uma pós-graduação. Isso são as egressas. Então, a mulher, falar que a mulher deve ocupar todos os espaços é muito bonito e muito falado no papel, mas, na prática, a gente sabe que não ocupamos todos os espaços".
"Tem um longo caminho. Se, nessas primeiras décadas de existência, nos primeiros 70 anos, a gente teve, sim, as pioneiras na parte acadêmica, quando a gente avança na gestão, nos cargos em que a mulher tem poder de decisão, aí a história se revela na realidade dura, que todas nós, mulheres, tivemos e ainda temos na nossa vida. Muito melhorou. E o exemplo conta muito. A gente foi ter a primeira mulher chefe de um departamento, a professora Elke - que faleceu há pouco tempo - em 1993.
"A primeira mulher a presidir uma comissão administrativa foi a professora Maria Lúcia Carneiro, em 1999. Eu fui a primeira mulher a presidir a comissão de graduação 20 anos depois. E aí, desde 2023, eu me candidatei, apresentei uma proposta e fui eleita pelos pares como a primeira diretora da Esalq. Em 2023, a gente teve a primeira Presidente da comissão de pesquisa, a professora Aline César. Então, vejam como a história foi longa para as mulheres. Hoje, a gente está num momento em que há de se celebrar, mas ao que nós temos cinco mulheres presidindo as cinco comissões".
"Então, a gente tem a pioneira Aline, que foi reconduzida. A gente teve, em 2024, a primeira Presidente da nossa Comissão de Inclusão e Pertencimento. A gente teve a segunda Presidente da comissão de graduação No ano passado, em 2025. A primeira mulher da comissão de cultura e extensão. Os eventos culturais, esportivos e todos os cursos de extensão, eles passaram a ter a Presidente somente no ano passado, em 2025. A professora Sônia Piedade. Quando essas mulheres se candidataram, não foi uma escolha da diretoria. São pessoas que apresentaram um plano de gestão e foram eleitas pela congregação".
"Gostaria de deixar um recado positivo que o exemplo importa. O nosso papel é trazermos as nossas colegas, incentivarmos, mostrarmos que é possível. Mas, mais importante do que isso é que as pioneiras não sejam as únicas. A gente não quer ser a única na foto da parede. A gente tem que trazer esse movimento, que é difícil, somos questionadas por qualquer motivo. E, iniciativas como essa, eu acho que trazem muito a contribuir para um futuro melhor para todas as mulheres".
"E, para finalizar, eu sei que eu falei mais do que eu tinha pensado, eu estou aqui hoje podendo ter essa oportunidade de receber um nome da Hermelinda Otôni de Sousa Queiroz, nessa homenagem belíssima. Mas, eu estou aqui apenas momentaneamente, e receber esse prêmio significa a história dessas mulheres que eu citei desde 1936, que foram as pioneiras, em nome de mais uma engenheira agrônoma, hoje homenageada, ex-alunas que eu vi aqui, egressas e colegas. Esse prêmio, na verdade, de reconhecimento à dona Hermelinda é de todas nós. É de todo mundo que conhece a Esalq. É de todo mundo que vai passear pela Esalq e reverenciar o nome de Hermelinda Otôni de Souza Queiroz. Muito obrigada", concluiu a esalqueana.
A representante da Guarda Civil Municipal e a patrulha Maria da Penha, a Guarda Civil Samira agradeceu o convite das vereadoras Rai de Almeida e Sílvia Morales e falou de sua vivência perante as demandas da cidade. "Vi muita coisa acontecendo na cidade. No ano passado, tivemos um grande trabalho, e a gente está procurando intensificar esse trabalho agora em 2026 também. No ano passado, tivemos 7 mil rondas preventivas às mulheres que necessitam da nossa patrulha, e dessas, 7 mil, foram 87 prisões em flagrantes de delito. É um número alto, mas também queremos falar que é uma coragem das mulheres estar denunciando os seus agressores. E, se precisarem da Guarda Civil, estamos com total apoio a vocês e, se for necessário, vamos aumentar, sim, esses números de prisões, pois aqui, para a gente, a mulher é em primeiro lugar. Obrigada", finalizou Samira.
Proponentes
A vereadora Sílvia Morales destacou a importância da solenidade. "É muito bom estar aqui com vocês. É um privilégio, na verdade, estarmos aqui nessa Casa de Leis como procuradoras da mulher, procuradoras especial da mulher, onde fazemos parte apenas dos 17% das mulheres parlamentares eleitas nesse país, podendo realizar esse encontro com vocês. Aliás, é o sexto ano que estamos na organização dessa solene, juntas, os quatro primeiros anos de mandato e agora mais dois".
"Na celebração do dia 8 de março, não devemos esquecer que é um dia de luta. A origem da data. Não podemos nos esquecer das que nos antecederam e da origem deste dia, dessa história instituída, principalmente pela conquista das mulheres depois da Revolução Russa, com a organização do operariado feminino através das greves, da força revolucionária, cobrando a importância de se pensar em políticas públicas para mulheres com organizações de coletivos.. No final do século XIX foi instituído pela ONU o Dia Internacional da Mulher".
"Com relação aos crescentes crimes contra a mulher, que a gente tem visto os aumentos absurdos chegando aos feminicídios, também já trouxeram aqui quatro mulheres mortas por dia no Brasil, principalmente por homens próximos, que não se conformam com o fim do relacionamento, achando que são nossos donos".
"Em 2025, mais de 1.500 mulheres foram mortas por crimes de feminicídio. Tem a subnotificação, que chega a quase 6 mil, de acordo com estudos da academia, por conta de tipificações diferenciadas e outros. Praticamente todo dia, ou a cada dois dias, na EPTV, às sete da manhã, mais uma vítima de feminicídio na nossa região. É uma coisa, eu acordo cedo, apartamento pequenininho, vou me trocar, ligo a TV, é a notícia, mais uma vítima de feminicídio".
"Duas mulheres em Santos foram mortas, no Dia da Mulher. E, uma em São Paulo. Então, foi a chamada da segunda-feira, na EPTV, das sete da manhã. E, o caso da absolvição em Minas Gerais, do homem que praticava estupros na menina de 12 anos, com o consentimento da família. O caso é chocante, como tantos outros, do policial, que provavelmente matou a companheira, pois encontra-se ainda em julgamento, e chamou a polícia dizendo que a policial havia se matado.
"Nós estamos aqui na Casa de Leis, nós estamos acompanhando há tempo também. Porém, é necessário um ambiente político e social para o cumprimento destas legislações. É necessário mais investimentos. A Patrulha Maria da Penha está aí, tem feito um excelente trabalho, mas a gente vive brigando por mais viaturas, por mais efetivo. A gente sempre está falando sobre isso. E há que se mudar os paradigmas, precisamos atacar, de fato, desde o início, na educação".
"Quero dizer aqui que todos os poderes devem fazer sua parte. A nível municipal, nós fazemos parte da rede. Para quem não sabe, existe aqui no município uma rede de proteção e combate à violência contra a mulher, onde vários aqui fazem parte, várias instituições, o CRAM, a OAB. Também temos os encaminhamentos feitos pelo governo federal, sendo o mais recente o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado agora em fevereiro, onde os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, e junto, através da União, Estados e Municípios, trazem esse pacto para combater a violência de gênero com ações coordenadas, visando prevenir, proteger e responsabilizar os autores", concluiu a parlamentar, além de discorrer sobre o histórico de cada homenageada da noite.
Rai de Almeida
A presidente dos trabalhos da noite, vereadora Rai de Almeida destacou a relevância da solenidade. "Quero já iniciar a minha fala dando os parabéns e dizendo a razão da nossa alegria em homenagear essas mulheres, cada uma delas, com a sua história, com o seu compromisso, com a sua luta, estão fazendo a diferença na vida das mulheres. Seja a doutora Fernanda, lá na promotoria pública, seja a Marcela, lá na saúde, cuidando da saúde especificamente das mulheres, seja a Rita, fazendo o seu trabalho, como muito lindo a Silvia trouxe aqui, dizendo que trabalha com as linhas e fazendo a oração"
"A Sueli Patrese, ainda buscando novos conhecimentos, e as mulheres, quanto cresceram durante todo esse tempo, para se afirmarem como mulheres e como seres na sociedade. A Lucila, uma mulher que a conheço desde 1980 e sempre junto às causas sociais. E que trabalho belíssimo tem feito na cultura, na literatura e agora lá na Casa das Mulheres, fazendo trabalho social lá na Casa de Mães, que trabalha com as mulheres em situação de vulnerabilidade".
"A Gisele, os queijos maravilhosos e tudo o que ela faz com as mãos, que alimentam o nosso corpo e a nossa alma. E a Danielli, que é uma das homenageadas que eu fiz a Indicação. A Dani há pouco tempo que nós estamos juntas, mas é uma profissional da área do direito e que tem já uma trajetória e tem feito um trabalho junto ao Conselho da Mulher, mas também está lá na OAB, fazendo um trabalho num espaço que é muito masculinizado, apesar de nós já sermos a maioria naquele espaço. Mas ainda é um espaço de detenção de poder e que ainda as mulheres estão muito subjugadas naquele lugar".
"Outro dia, conversando com a Dani, falei assim, lá na década de 90, quando comecei a divulgar, as advogadas sequer eram citadas. E, quando nós aparecíamos, também, muitas das vezes, nós éramos desqualificadas. E as mulheres têm ocupado um espaço importante, de suma importância, nesse lugar que é a defesa dos direitos humanos. E as mulheres estão sendo protagonistas também nesse espaço".
"Nós estamos fazendo essa homenagem à Hermelinda. E o que motivou nós fazermos a homenagem foi uma conversa com duas ex-estudantes, da Esalq, que, em 2023, resolveram resgatar a história desta mulher, que ela estava no apagamento da nossa história. E, como bem já a Thais trouxe aqui, e aí elas vieram falar de Hermelinda, inclusive elas constituíram um coral, que é só de mulheres, e todas foram alunas da Esalq, e elas têm feito um resgate dessa história das mulheres, tão maravilhosa, mas tão esquecida na nossa história".
"E aí, pensando nisso, hoje, ao invés de eu fazer uma fala que eu traga essa vida tão cruel, mas não deixa de ser cruel, o que eu vou trazer aqui, eu vou falar também rapidamente da história do Brasil e do silenciamento sistemático de mulheres que foram fundamentais em revoluções, na literatura, na ciência e também na política".
"Esse processo de invisibilização, muitas vezes motivado pelo racismo e machismo, começa a ser revertido por projetos de resgate histórico e o uso de novas tecnologias. Eu vou citar algumas das mulheres brasileiras que foram silenciadas nas suas histórias, que eu acho importante trazê-las para a memória, que às vezes a gente se esquece".
"Algumas das brasileiras cujas trajetórias foram ou ainda são frequentemente omitidas dos livros escolares. Na literatura e nas artes, nós temos Maria Firmina dos Reis, nascida em 1822, faleceu em 1917, considerada a primeira romancista brasileira, publicou o romance Abolicionista Úrsula, em 1859. Sendo uma mulher negra e maranhense, sua obra foi esquecida quase por um século antes de ser redescoberta".
"Temos também Júlia Lopes de Almeida, nasceu em 1862, morreu em 1934, uma das escritoras mais famosas de seu tempo, idealizadora da Academia Brasileira de Letras. Apesar do seu papel central, ela foi impedida de ocupar uma cadeira na fundação da instituição por ser mulher, sendo substituída por seu marido".
"Georgina Edi Albuquerque, nasceu em 1885 e faleceu em 1962. Pintora, pioneira, que retratou momentos históricos, cruciais, como a sessão do Conselho de Estado, que antecedeu a independência, mas suas contribuições para a arte moderna brasileira foram frequentemente eclipsadas por seus pares masculinos. Olha, que maravilha! Esses homens têm tempo e dor para fazer essas coisas. E aí não tem como a gente não ficar triste com essas coisas, nem revoltada com isso".
"Carolina Maria de Jesus, que nasceu em 1914 e faleceu em 1917, embora tenha alcançado sucesso mundial em Quarto de Despejo, sofreu constantes sabotagens sociais no mercado editorial por ser uma mulher negra, da favela, tendo sua importância intelectual minimizada por décadas. E Chiquinha Gonzaga? Chiquinha Gonzaga, em 1847, que foi o ano que ela nasceu, faleceu em 1935. Compositora, foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Enfrentou o ostracismo social por seu estilo de vida independente, e sua luta contra as convenções de sua época".
"Anitta Garibaldi, que nasceu em 1821 e faleceu em 1849, frequentemente lembrada apenas como a esposa de Giuseppe Garibaldi. Ela foi uma revolucionária ativa na Revolução Farroupilha e na unificação da Itália, papel muitas vezes reduzido a um suporte romântico".
"E aí nós temos a Hermelinda, que nós estamos homenageando em memória. Esta mulher também teve a sua história silenciada. Ela foi tanto quanto Luiz de Queiroz. Este casal não teve filhos, portanto, nem tem quem continue a história dela. Embora ela tenha levado à frente o projeto da Esalq, porque Luiz de Queiroz faleceu em 1898, e a inauguração da escola, é ela quem assinou o ato naquele momento, mas ela foi silenciada, literalmente silenciada".
"Até a fotografia dela, a gente tem dificuldades de encontrar. Mas tem outras mulheres que nós podemos citar. Mas também, até hoje, nós somos silenciadas. E eu gostaria de dizer que, infelizmente, ainda é uma realidade nos dias atuais. Lembrando que não são poucas as vezes que nós, mulheres, abrimos mão do direito de fala em momentos extremamente importantes. Inclusive, que nós organizamos atividades, abrimos mão do direito de fala, que é legítimo e devida à mulher, abrimos para os homens, que, sem nenhum constrangimento, se utiliza da fala e fala não com a propriedade que as mulheres falam nesses momentos, dizem de si".
"Muitos, quando falam das mulheres, falam da sua mãe, da sua mulher, da sua irmã, como se isso bastasse. Não fala das mulheres da sociedade. Nós ganhamos muito já na sociedade, mas ainda é muito triste o que nós vemos acontecendo ainda na nossa sociedade diante disso. Portanto, apesar de tudo isso, que nunca nos falte a esperança de dias melhores. Feliz Dia das Mulheres, parabéns às homenageadas e pela vida das mulheres que nós precisamos fazer a defesa".
"Quero agradecer aos homens que estão aqui. E que aquilo que nós estamos falando é contrário àqueles homens que não querem olhar para a realidade das mulheres. Mas que os homens que estejam aqui e outros que não estão aqui possam aderir à luta, porque a vida das mulheres depende dos homens romperem com a violência que praticam no seu cotidiano. Um grande abraço e muito obrigada por cada presença aqui neste momento e que nós possamos, de fato, ter esses dias melhores na nossa sociedade. Muito agradecida e um grande abraço", concluiu a parlamentar.
Vídeo
Na sequência foi apresentado o vídeo do Pacto Nacional contra o Feminicídio, na união dos Três Poderes pelo Brasil: Cadê meu celular? Vou ligar pro 180. Eu vou entregar teu nome e explicar teu endereço. Aqui você não entra mais. Eu digo que não te conheço. Eu solto o cachorro e apontando pra você. Eu quero ver você pular, você correr na frente dos vizinhos. Você vai se arrepender de levantar a mão pra ela. Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim. Pra ela. Você vai se arrepender de levantar a mão. Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim. Pra ela.
A mensagem do vídeo considera que até hoje a luta contra o assédio, o estupro, a violência contra a mulher e o feminicídio tem sido uma luta, só delas. "Faça parte do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A sociedade e os nossos três poderes juntos pela vida das mulheres. Acesse nosso site e seja um aliado. Homens contra o feminicídio. Brasil contra o feminicídio".
Hermelindas
A Banda Hermelindas foi apresentada na solenidade por intermédio de vídeo, com a interpretação de "Hello, Goodbye da banda Beatles".
Homenagedas
A senhora Hermelinda Ottoni de Souza Queiroz, em memória, foi representada pela diretora da Escola Superior de Agricultura, Luiz de Queiroz, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira.
Daniele Pupim Ferreira de Souza Nogueira, advogada e especialista em direito de família e sucessões. Foi conciliadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, atuando nas varas de família de Piracicaba. Também integra a Associação de Famílias de Rotarianos de Piracicaba, a AFROP.
Fernanda Guimarães Rolim Berreta, 17ª promotora de justiça de Piracicaba, atuando na 4ª Vara Criminal do município. Tem formação em Direito e ingressou no Ministério Público em 13 de outubro de 2000.
Gisele Gimenez Betim Gisele, empreendedora rural e cofundadora do Betins Laticínios, referência em produção artesanal de queijos em Artemis. Após enfrentar um desafio de saúde, passou a conduzir o empreendimento ao lado de sua filha, Isabela.
Lucila Maria Calheiros Silvestre Lucila é professora e lecionou em diversas unidades de ensino, servidora pública municipal aposentada, atuou na Biblioteca Municipal e na Secretaria de Educação. Formada em Economia Doméstica pela Esalq/USP e também é membro do Lions Piracicaba Leste.
Marcela Enedina Furlan Buoro Marcela é enfermeira há mais de 20 anos, desenvolve trabalhos na atenção básica à saúde pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba. Há cinco anos coordena o Programa Municipal de Saúde da Mulher.
Rita Maria de Melo Rita, criadora da marca Xangô e referência em costura artesanal com base em alfaiataria, tradição e ancestralidade. Aos 70 anos, é homenageada por uma trajetória marcada por resistência, dignidade e amor.
Sueli Patrese é engenheira agrônoma formada pela Esalq/USP, atuou por cinco anos como chefe de laboratório na usina Santa Helena. Além de ter se destacado como gerente regional da Natura.
Fala homenageadas
Marcela Boro falou em nome de todas as homenageadas. "Mulheres com histórias tão diferentes, mas que compartilham uma essência, a coragem de fazer a diferença em Piracicaba a partir dos espaços que ocupam, mesmo que eles sejam tímidos. Hoje, nos reunimos em torno do Dia Internacional da Mulher, uma data que é tratada como comemorativa, mas nasceu das lutas sociais e políticas protagonizadas por mulheres trabalhadoras que reivindicavam dignidade, direito e igualdade".
"Portanto, o Dia da Mulher não é um dia de flores e de vestir rosa. É um dia de memória, é um dia de consciência, é um dia de compromisso. Ao longo dessas décadas, avançamos muito. As mulheres conquistaram direitos, ampliaram sua presença na ciência, na política, na justiça, na educação, nas universidades, no empreendedorismo, no campo e nas cidades".
"Mas, sabemos que ainda há um caminho importante a seguir. Seguimos lutando para que todas as meninas e mulheres tenham acesso pleno aos seus direitos, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos, que, quando garantidos, trazem informação, acesso, autonomia, cuidado e liberdade para decidir sobre os seus corpos e sobre suas relações interpessoais e comunitárias".
"Seguimos lutando pelo fim da violência contra as mulheres, por relações baseadas no respeito e por uma sociedade verdadeiramente igualitária. É justamente por isso que homenagear mulheres como as que estão aqui representadas é tão significativo. Hermelinda Ottoni de Souza Queiroz nos ensina sobre a perseverança e a visão de futuro ao dar continuidade aos planos de construção da escola e após a morte do seu marido, sendo a sua real fundadora em 1901, registrando seu nome na história, demonstrou coragem e compromisso com a educação muito à frente do seu tempo".
"Que possamos construir todos os dias uma sociedade baseada no respeito, na dignidade e na igualdade. Porque, quando uma mulher conquista espaço, quando uma mulher tem seus direitos garantidos e quando uma mulher pode viver com liberdade e segurança, toda a sociedade avança junto. Muito obrigada", concluiu a oradora em nome das contempladas.
Encerramento
Com a palavra para o encerramento da solenidade, a vereadora Rai destacou o seu lado nordestino, da Paraíba, em forma de agradecer Piracicaba quando aqui chegou com sua família em 1958 como retirante. "Saí lá de Sousa, do sertão da Paraíba, mas essa cidade me acolheu. Pai e mãe foram cortar a cana aqui na usina Costa Pinto, mas me fiz nessa cidade. Inclusive, agradeço porque Piracicaba me confiou já o quarto mandato de vereadora e eu luto por essa cidade e não me sinto nem um pouco estrangeira, ao contrário, me sinto uma piracicabana nordestina comprometida com a pauta das mulheres e da justiça social. A gente vai fazer isso em todos os lugares que nós estivermos".
"Eu quero, antes de fazer a fala final, agradecer o cerimonial, sempre muito capaz, muito eficiente, amorosos, dedicados. Agradecer o Neto, que tira as fotografias, deixa a gente bonita para sair na foto, e sem Photoshop. Lá, quem está na TV fazendo também o registro de toda essa cerimônia, aos trabalhadores aqui também, servidores que fazem o trabalho da brigada, agradecer a nossa assessoria, a Claudinha, a Maju, quem está aqui, e também o Mário, a Lili, a Elis, a Elisângela, que está aqui também, se não fossem as nossas assessorias, também não éramos capazes de fazer tudo sozinhas".
"A gente sempre tem que trabalhar em rede, coletivo. E quero agradecer meu companheiro que está aqui, que é o Manuel, que aguenta todas as minhas raivas, e também é meu companheiro com quem eu desabafo, eu choro, grito, esperneio lá em casa, quando às vezes não posso fazer aqui, mas também esperneio bastante aqui, porque tem que espernear, porque aqui a gente sofre muita violência, infelizmente".
"Eu quero, portanto, agradecer a presença de cada uma das pessoas que estão aqui presentes, homens, mulheres, que cada vez tenhamos mais homens nas nossas lutas e que nós tenhamos sempre. O 8 de março ainda é uma data que nós comemoramos as vitórias, mas aí também ainda é uma data de muita luta, de muita resistência que nós precisamos. E quero dizer, finalmente, que não falem de nós sem nós. Um abraço", finalizou a parlamentar.
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583
Filmagem: TV Câmara
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