PIRACICABA, SÁBADO, 27 DE NOVEMBRO DE 2021
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11 DE DEZEMBRO DE 2020

Vereador Paraná reafirma continuidade de lutas sociais no 2º mandato


Reeleito com 1.886 votos, Aldisa Vieira Marques, o vereador Paraná descreve sua trajetória de vida, desde Inajá, interior do Estado do Paraná, até chegar em Piracicaba.



EM PIRACICABA (SP)  

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Aldisa Vieira Marques, o vereador Paraná (CID), reeleito em 2020, com 1.886 votos, 280 a mais do que os 1.606 conquistados nas últimas eleições, de 2016, onde foi o primeiro suplente pelo PPS e substituiu Loca Vitti, relembra sua chegada a Piracicaba, em 1995. Também fala de sua transformação de vida, quando com muita fé, e empenho de sua mãe, se livrou do alcoolismo, e com o apoio familiar se reergueu e vislumbrou novos horizontes, a exemplo do despertar de consciência sobre a luta de causas sociais, no que resultou sua entrada no universo da política partidária, e a conquista do cargo de vereador por Piracicaba. 

Nascido em Inajá (PR), cidade próxima a Paranavaí, interior do Estado, em 27 de maio de 1967,  trabalhador rural, com ensino médio incompleto, casado com a paranaense, Maria Aparecida Rodrigues Marques, se orgulha de ver o sucesso da única filha, Carine Rodrigues Marques, com 32 anos, que atualmente está em Boston, nos Estados Unidos, onde foi para estudar e trabalhar e hoje está casada. 

Paraná relembra o sofrimento que passou em Indaiatuba, primeira cidade que morou, com sua esposa e filha, quando chegou no Estado de São Paulo. "Nesta época eu era alcoólatra e fui ser morador de rua, catando papelão e latinha para sobreviver. Cheguei ao ponto de achar que tudo estava acabado, que não tinha mais saída", observa o parlamentar, ponderando que tudo tem um propósito de Deus, que não desampara os seus filhos, pois ele o transformou, tirando daquela situação.

O parlamentar diz que se fosse contar toda sua história seria uma passagem muito longa, sendo que foi por Deus que chegou a Piracicaba, onde foi muito bem acolhido. Em Indaiatuba, região de olarias, Paraná disse que trabalhou numa lavoura de tomate, com um japonês, onde pegou um pouquinho de experiência. "Mas, na minha condição de alcoólatra, não desmerecendo ninguém que trabalha nesta érea, fui atuar em outras áreas", onde passou a coletar recicláveis, como papel e papelão. 

Paraná também ressalta que o gosto pela política está no sangue, na disposição de luta por questões sociais, o que fez com que ele fosse recebido pelo então prefeito municipal de Piracicaba, Humberto de Campos, que o recebeu em sua casa, sendo que em seguida também fez amizade com o deputado estadual, Roberto Morais, que o estimulou ainda mais  a entrar na política. 

Chegando a Piracicaba, na região de Santa Teresinha, onde ficou por quase dois anos, Paraná relembra que o próximo passo foi comprar um terreno no loteamento residencial Santo Antônio, em 24 parcelas e, lá permanecendo até os dias atuais, por mais de 24 anos, com o apoio de sua esposa, que também ajudou a pagar o financiamento. 

Mesmo em Piracicaba, Paraná lembra do sofrimento que a família passaria, a exemplo de um episódio, quando sua esposa chegou do trabalho no final da tarde e soube que ele estava anunciando a venda do terreno da família, por 500 reais, a título de pagar parte da dívida que tinha com o bar, em valores superiores a 100 reais, onde receberia o restante do dinheiro, sendo que foi fundamental a bronca e a intervenção da esposa para que o negócio fosse desfeito. 

Assim, morando há pelo menos um ano e meio no bairro Santo Antônio, Paraná diz que ainda continuou sendo alcoólatra, e que a libertação por Deus aconteceu em 21 de julho de 1998, por intervenção de sua mãe, a Missionária Maristela, que fez campanha de 42 dias de oração, com a força de mais amigos, da Igreja Assembleia de Deus Madureira, para que Deus o libertasse das cachaças. "Eu não era mais ninguém, estava acabado", diz o parlamentar, lembrando que sua mãe, depois que ficou viúva, com a morte de seu pai, veio morar em Piracicaba, depois de ter passado pela cidade de Jundiaí, fixando residência em terreno ao lado de sua casa.

Segundo mandato

Paraná destaca a conquista do segundo mandato, quando a população foi às urnas para lhe conferir mais uma gestão, no que agradece a Deus em primeiro lugar e depois à população. "Estou aí para muita luta em prol da população", disse.

Sobre a formação escolar, Paraná diz que estudou até a quinta série e depois fugiu da aula. O parlamentar também conferiu o legado histórico do ex-vereador João Manoel dos Santos (PTB), também de origem humilde, e que completou os estudos médio em Piracicaba, com sete mandatos e quatro vezes presidente da Câmara de Piracicaba, além de ter sido reconhecido como um dos melhores presidentes de Câmaras do Brasil, sendo premiado por este reconhecimento, em homenagem recebida no Estado da Bahia, na cidade de Salvador. 

A exemplo de João Manoel, Paraná também enfatiza o legado político do vereador José Aparecido Longatto (PSDB), dado a bagagem que carrega. "Este pessoal é mais que psicólogo, sendo uma honra estar numa cidade como Piracicaba e ter conhecido estas pessoas", destacou o parlamentar, ao também reconhecer que no contato com a população se aprende muita coisa. 

Com relação à sua base eleitoral, Paraná reitera que no bairro em que reside, o Santo Antônio, até o ano em que decidiu sair candidato, não saiu ninguém, sendo que depois que saiu candidato, em 2012, apareceram mais candidatos, pelo menos uns seis, incluindo gente do bairro vizinho, o Jardim Vitória, o que reforça  o sistema democrático da região, exigindo um trabalho social redobrado. 

Sobre a confiança que o povo novamente lhe deu na política, o vereador Paraná reitera que vai trabalhar ainda mais para retribuir isto tudo. Também considera o período de incerteza com relação ao novo prefeito. "O que temos que fazer é orar em favor dele, para que ele tenha um bom mandato, sendo que quem ganha com isso é toda população", disse. 

No término deste primeiro mandato, Paraná considera como pontos marcantes o fato de ser reconhecido nos mais de 400 bairros da cidade, onde o acolhimento, de ser convidado por pessoas para tomar um café em suas casas foi  um gesto muito gratificante. "Não posso agradecer um bairro específico e sim toda Piracicaba, foram quatro anos de muito trabalho e alegria".

Paraná exemplifica a importância da atuação do vereador com a população, quando ela procura uma solução de encaminhamento para tapar um buraco de rua, visto que esta situação poderá comprometer a vida de um motoqueiro, que desapercebidamente acaba por se acidentar, indo para o COT (Central de Ortopedia e Traumatismo), onde não se sabe se ele voltará normal ou numa cadeira de rodas. "No tapar um buraco estamos evitando a despesa na saúde, com doença, médico, poupando um pai de família que sai para trabalhar e não consegue depois assistir a família quando precisa. Isto pode incluir um pedreiro, carpinteiro, pintor, que estão sujeitos a um acidente, sem contar nos custos dos medicamentos", disse. 

Na questão de segurança, o vereador Paraná também reporta-se a muitos pedidos de corte de mato que fez junto à Prefeitura, pois isto reflete diretamente no resguardo da população, em praças limpas. Citou o caso da avenida Jaú, onde o corte de mato já permite visualização completa, onde se pode observar quem está do outro lado. A limpeza também inclui áreas de córregos. 

Abastecimento

Assunto bastante debatido na Câmara, a questão da falta de água em Piracicaba foi outra temática abordada por Paraná, que destaca a experiência do prefeito Barjas Negri nesta questão, considerando que o novo prefeito, Luciano de Almeida terá que resolver esta questão, por tratar-se de um problema grave, que acontece em Piracicaba. A construção de muitos blocos de prédios um perto do outro, em bairros periféricos, utilizando a mesma tubulação que era para o bairro original, tem provocado as constantes faltas de água, principalmente no período noturno. 

Paraná não tem dúvidas de que o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) foi o culpado de muitos dos vereadores, do universo de 13, que não conseguiram se reeleger, devido à insatisfação da população, por eles terem apoiado a autarquia. "Não vou apoiar nunca o Semae, a não ser que seja um projeto muito bom que não vá doer no bolso do povo", destaca o parlamentar, lembrando que Piracicaba já tem uma diferença na cobrança da água, quando também é cobrado 50% a mais a título de tratamento de esgoto. 

Caso grave

Paraná aponta mais um caso grave que penaliza a população, quando a pessoa constrói a sua casa, e conta com dois cômodos nos fundos, que está destinado para dar para um filho, quando se casa, para que ele more ali, sendo que ele vai necessitar de uma outra ligação de água, o que demanda outra ligação de esgoto. Então, se você chegar a ter três terrenos num mesmo lote você terá que ter três caixas de esgoto. 

Paraná diz que já conversou com sua assessoria para elaborar legislação específica para tentar resolver esta questão, pois quando alguém faz uma outra casa nos fundos ela já tem ligação de água. A consideração é que não há porque fazer outra ligação de esgoto e sim aproveitar a mesma rede que já direciona o esgoto daquele lote de terreno. "Não concordo com isso, pois só sobra para o bolso da população arcar com estes custos extras", disse. 

Vans e transporte de trabalhadores

O vereador Paraná também aborda a questão das vans em Piracicaba, onde os condutores destes veículos terão que fazer adequações, a exemplo de carregar crianças com segurança para as escolas, em medidas que se fazem necessárias. Paraná também fala da situação dos ônibus rurais, transportando trabalhadores, onde dá até medo de ver a condição destes carros. Paraná reconhece que falta fiscalização neste setor, onde as próprias usinas de cana de açúcar que são responsáveis por este transporte não dão a contrapartida, sendo que deveria ser feito a mesma exigência de segurança que é feito para o transporte das crianças.  

Motos

Sobre a regulamentação de lei federal que disciplina o uso de motos para o transporte de mercadorias e pessoas, Paraná reitera, na condição de motoqueiro, que sua moto está em perfeitas condições de uso, apta a trabalhar por cinco, seis, mais 10 anos, desde que ela esteja com os pneus em ordem, transmissão em ordem, e que os pilotos de moto, o motoboy, mototaxi e moto frete estejam com a habilitação em dia, e não com licença provisória, que tenha experiência de ter trabalhado dentro da cidade, sendo que isso é uma garantia para a população. 

O entendimento é que são poucas pessoas que escolhem este trabalho, a maioria está ali por falta de emprego, não tem outro trabalho. Assim, o questionamento é onde ele terá recurso para trocar de moto, com a exigência da moto não ter mais que 10 anos. "Isto não existe, podem enviar este projeto que vamos votar contra esta iniciativa e favorável ao pessoal que trabalha com as motos", disse. 

Covid-19 e as eleições

Para o vereador Paraná, não foi a Covid-19 não que desestimulou o povo a votar. "No dia da eleição passei pela rua do Porto, no domingo à tarde. Fiquei contente de ver aquilo, pois é sinal que os comerciantes estão trabalhando e pagando seus funcionários", disse. 

O entendimento é que o processo eleitoral foi muito disputado, onde as duas partes extrapolaram nas acusações, o que levou a população ficar desacreditada e não querer ir votar. 

Sobre a composição da nova Câmara, Paraná disse que sentirá saudade daqueles que não conseguiram se reeleger, que tiveram com ele por quatro anos, em parcerias firmadas, com a presença de gente excelente, vários doutores, onde foi uma honra muito grande ter convivido com estas pessoas. 

"Mas, a consideração é que entrou outro povo, com bastante disposição de trabalhar, o que nos leva a crer que será uma Câmara de bastante trabalho assim como foi esta destes quatro anos que se passou." 

Sobre as mudanças na Prefeitura, Paraná considera que o prefeito Barjas é seu amigo por mais 16 anos, uma pessoa que você entra e sai da casa dele a hora que quiser, bastando ligar para ele quando quiser conversar. "Creio que não ser diferente com o Luciano. Esperamos que ele seja um prefeito para todos e que trabalhe por todos. Agora, o que me chama atenção é que o vice dele já foi prefeito de Piracicaba e não atendeu a periferia, quando tinha uma inauguração de academia ou área de lazer ele sempre mandava um secretário e ele sempre estava ausente. Que Deus ilumine a mente do nosso prefeito e logo estaremos tomando um café com ele, mas que ele não parta para a mesma mente que tem o vice, porque ele só trabalha para o centro da cidade", disse.

Descentralização

Sobre a promessa de campanha para a descentralização da Prefeitura, o vereador Paraná se mostra reticente, pois já encaminhou proposta neste sentido, para o deslocamento de uma unidade do Samu e dos Bombeiros na região da Vila Cristina, pois a desculpa na época foi de que a prioridade seria outras regiões, a exemplo de Santa Teresinha.

Paraná declara seu amor por Piracicaba, mas no tocante ao time de futebol do coração, se diz indiferente, não se importando se um ganha ou outro perde, pois no fim torce para todos. Também considera que sua maior preocupação hoje não é falar do rio Piracicaba, dado a sua defasagem, devido ao período de escassez que afeta suas águas. 

Paraná se foca na próxima gestão, onde a população está indagando, preocupada de como será esta administração. "Eu continuo dizendo, que Deus abençoe o nosso prefeito Luciano de Almeida, que ele tenha uma mente iluminada, para fazer um bom trabalho, pois vem uma preocupação muito grande, sobre tantas obras que estão sendo construídas, com o envolvimento de construtoras, e muitos pais de família trabalhando. E, o que será daqui para frente? Então, se o prefeito chegar a ouvir isto aí, é a mensagem que eu tenho para ele. Que Deus abençoe, estamos juntos, estamos aqui na Câmara para apoiar", concluiu o parlamentar, considerando o período difícil que a próxima administração irá enfrentar. 

Paraná também considerou que o prefeito Barjas deixou alguma coisa a desejar, não porque ele queria, mas sim pela crise financeira. 

Saneamento

Paraná ainda comenta sobre os índices nacionais em que Piracicaba se desponta, a exemplo do saneamento, educação e saúde. A consideração é que de  todo o esgoto coletado, nem tudo é tratado, em meta difícil de ser alcançada, devido ao avanço populacional. Quanto à saúde, a consideração é que ela sempre precisa melhorar, o que também não poupa as unidades de saúde da rede privada, a exemplo do Hospital da Unimed, com a aglomeração de pessoas, até em desrespeito às normas de confinamento, com aglomeração de pessoas que não estavam sendo atendidas. "Não é porque é uma unidade de saúde pública que o povo não será atendido", enfatiza Paraná, que também lembra da situação de cidades vizinhas, como Sumaré, Nova Odessa, Hortolândia e até Campinas, onde não se tomava nenhuma injeção nos prontos socorros, sendo que esta situação foi bem diferente em Piracicaba. "Aqui você aguardava duas horas na fila mas era atendido", disse.

 

 



Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Rodrigo Alves - MTB 42.583


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