08 de julho de 2025
Solenidade cívica celebra os 93 anos da Revolução Constitucionalista
Câmara Municipal de Piracicaba mantém, no Acervo Histórico, exposição virtual permanente com artefatos que foram utilizados no conflito
A cidade de Piracicaba celebra, na manhã desta quarta-feira (9), os 93 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 com uma solenidade cívica na Estação da Paulista. O evento, organizado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), conta com o apoio da Prefeitura, por meio das secretarias de Cultura e Turismo, e da Câmara Municipal de Piracicaba, por intermédio do gabinete do vereador Pedro Kawai (PSDB) e do Setor de Cerimonial, ligado ao Departamento de Comunicação Social.
A cerimônia tem início às 8h com a apresentação da Corporação Musical União Operária, composta por 40 músicos e sob regência do maestro Jonatas Dionísio. Em seguida, será formado o dispositivo oficial com autoridades e representantes de instituições locais, que acompanham os pronunciamentos da Comissão de Eventos Cívicos do IHGP, composta por André Manuel da Silva e Edson Rontani Júnior, responsável por contextualizar historicamente o evento.
O presidente do IHGP, Edson Rontani Júnior, destaca a importância simbólica da escolha da Estação da Paulista como local da cerimônia. “Normalmente, a solenidade ocorre na praça José Bonifácio, junto ao Monumento do Soldado Constitucionalista. Este ano, optamos pela Estação da Paulista por sua relevância histórica: foi dali que partiu, em 16 de junho de 1932, o 1º Batalhão Piracicabano, com 200 voluntários, rumo à Revolução”, explicou. Na ocasião, a mesma Banda União Operária acompanhou o grupo, incentivando e elevando o moral dos combatentes.
Durante o evento, o IHGP entrega a Medalha 1932 à diretoria da Corporação Musical União Operária, além de certificados a cinco estudantes da rede estadual de ensino que participaram de atividades educativas sobre a Revolução, como palestras e um concurso de redação.
Exposição virtual permanente - Como forma de preservar e ampliar o acesso à história da Revolução Constitucionalista, a Câmara Municipal de Piracicaba mantém, desde 2022, uma exposição virtual permanente sobre o tema. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Setor de Gestão de Documentação e Arquivo e o Departamento de Comunicação Social da Casa, e pode ser acessada neste link.
Produzida durante a pandemia da Covid-19, quando o acesso presencial à Câmara estava restrito, a exposição apresenta peças raras do acervo histórico, grande parte doadas pela família do ex-combatente Joaquim Moreno, que participou da Revolução e faleceu em Piracicaba em 2010, aos 96 anos.
Entre os itens disponíveis estão a Medalha M.M.D.C. recebida por Moreno em 1963, objetos de uso pessoal do campo de batalha — como capacete, cantil, marmiteira e vestuário —, além de bandeiras, flâmulas, broches e uma placa de homenagem da própria Câmara.
Relato de Radamés Accorsi – O Departamento de Comunicação Social também disponibiliza, anexo a essa matéria, uma reportagem produzida pelo jornalista Fábio Alvarez, com imagens de Márcio Braga e Gustavo Annunciato, e edição de Paulo Soares, em que traz o relato de Walter Radamés Accorsi acerca de como era a vida de um combatente de 1932.
“Tinha de tudo, tinha carrapato, tinha miséria, tinha fome e não tinha aonde dormir, porque a vida de combatente geralmente é uma vida selvagem”, disse Accorsi, durante uma solenidade, realizada em 2005, com o objetivo de homenagear os piracicabanos que participaram do conflito em defesa do Estado de São Paulo.
Marco da luta democrática - A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o maior conflito armado do Brasil no século XX. O movimento surgiu como reação ao regime autoritário de Getúlio Vargas, que assumiu o poder após a Revolução de 1930, fechou o Congresso Nacional e suspendeu a Constituição vigente. A ausência de representantes paulistas no governo federal e a nomeação de interventores de fora do Estado acirraram os ânimos.
O estopim do conflito foi a morte dos estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade, durante um comício em 23 de maio de 1932. As iniciais de seus nomes — M.M.D.C. — deram origem à sigla que batizou o movimento armado.
Em 9 de julho, tropas paulistas lideradas pelo general Isidoro Dias Lopes tomaram o controle do Estado e iniciaram uma ofensiva rumo ao Rio de Janeiro. Sem apoio efetivo de outros estados, São Paulo foi cercado por tropas federais. Ainda assim, a mobilização popular foi expressiva: cerca de 200 mil voluntários — dos quais 60 mil combateram efetivamente — participaram da campanha, inclusive 800 piracicabanos.
Embora derrotado militarmente em outubro daquele ano, o movimento conquistou importantes vitórias políticas. A pressão paulista resultou na convocação da Assembleia Constituinte e na promulgação da nova Constituição Federal, em 1934.
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