PIRACICABA, SÁBADO, 29 DE JANEIRO DE 2022
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11 DE NOVEMBRO DE 2021

Roda de Conversa aborda Samba de Lenço e Batuque de Umbigada


Tradições afro-caipiras, como o samba de lenço e batuque de umbigada, foram temas de roda de conversa promovida pela Escola do Legislativo



EM PIRACICABA (SP)  

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Roda de Conversa foi promovida online



Roda de conversa promovida na tarde desta quinta-feira (11) pela Escola do Legislativo Antônio Carlos Danelon “Totó Danelon”, da Câmara Municipal de Piracicaba (SP), debateu o tema “Samba de Lenço e Batuque de Umbigada: Preservação, Difusão e Perpetuação dessa importante Tradição Cultural Afro-Caipira”. O evento foi online, pela plataforma Zoom, e teve como mediador o jornalista e chefe do Departamento de Comunicação Social, Rodrigo Alves. A atividade é parte do “Mês da Consciência Negra”, desenvolvida pela Escola do Legislativo.

Membro do projeto “Batuque de Umbigada” e doutor em Educação, Antônio Filogênio de Paula Júnior iniciou a live explicando o processo de escravização da África para o Brasil. “Quando falamos em batuque de umbigada e da consolidação das tradições culturais estamos falando do continente africano”. Ele reforça que o conjunto cultural de saberes, além da dança, da música, vestimentas e crenças espirituais “veio para o Brasil por meio dos bantos e sudaneses, esses últimos a partir do século XIX”.

Piracicaba, reflete Júnior, é tradição da cultura caipira e, consequentemente, da presença negra, graças à migração dos negros bantos para o Brasil durante os séculos XVIII e XIX para o “Oeste Paulista”. Piracicaba e Capivari são os únicos municípios paulistas que mantiveram, interruptamente, o batuque de umbigada. “Rio Claro, por exemplo, o batuque foi duramente perseguido na década de 1950”.

O samba de lenço que é produzido com um chocalho, tamborim e um tambor - chamado de caixa - sempre dividiu espaços com a viola caipira, a catira e com o cururú. Pode ser cantado de improviso. 

A conselheira do Conepir (Conselho de Participação e Movimento da Comunidade Negra de Piracicaba), Ediana Raetano, destaca que as maiores festas de samba de lenço são realizadas no Dia de São João, “mas como veio a pandemia foi tudo desmarcado. Fizemos algumas atividades por meio de lives”. Ela garante que os encontros serão retomados em 2022.

Piracicabano do bairro Pauliceia, o fundador do grupo “Casa de Batuqueiro” e pesquisador das origens africanas, Vanderlei Bastos, falou sobre as oficinas itinerantes de batuque de umbigada, que abrangem “bairros da periferia”. “A partir de 2018 nós profissionalizamos esse trabalho criando a Casa de Batuqueiros Tradições Artísticas”, mas reconhece que o trabalho foi prejudicado por causa da pandemia; “Temos uma preocupação de levar essa tradição dentro do contemporâneo”, complementa.

Graduada em Filosofia, a coordenadora e batuqueira do “Maracatu Baque Caipira”, Natalia Puke, reforçou a necessidade de um “projeto de governo” para o fortalecimento dessas tradições na forma de políticas públicas.

Outras informações sobre as atividades do “Mês da Consciência Negra” podem ser obtidas no escola.camarapiracicaba.sp.gov.br.



Texto:  Marcelo Bandeira - MTB 33.121
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Câmara Escola do Legislativo

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