PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2020
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14 DE SETEMBRO DE 2020

Professor aborda relação entre economia, necessidades e felicidade


Último dos três temas do minicurso "A economia de Francisco e o futuro do planeta" começou a ser abordado nesta segunda-feira.



EM PIRACICABA (SP)  

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Professor Pedro Ramos apresentou o tema nesta segunda-feira



Iniciada nesta segunda-feira (14), a abordagem do último tema do minicurso "A economia de Francisco e o futuro do planeta" lançou perguntas sobre os próximos passos da humanidade. Na palestra "O surgimento do homem e o sentido da vida: como será nosso futuro?", transmitida via Zoom e YouTube, o professor Pedro Ramos lançou questionamentos sobre o impacto do consumo para o desenvolvimento sustentável.

Antecipando o assunto que será debatido na quarta-feira (16), no encerramento do minicurso oferecido gratuitamente pela Escola do Legislativo, da Câmara de Vereadores de Piracicaba, o docente refletiu sobre a ligação entre economia, necessidades e felicidade, com base em estudos que apontam que "maior renda e maior grau de felicidade estão positivamente relacionados", embora, como ponderou, a partir de um certo nível de riqueza, a alegria gerada por ela deixa de crescer na mesma proporção.

Para Pedro, as origens do que ele chamou de "problemas permanente da raça humana" estão na distinção entre necessidades absolutas (como comer) e relativas (como a aquisição de bens que denotam status). "O que diferencia o homem de uma hiena é o uso do supérfluo, é o consumo de bens que atendem a carências geradas por condicionamento cultural e não por necessidade biológica", afirmou.

Ele também fez menção ao conceito formulado pelo economista Celso Furtado para diferenciar o crescimento extensivo do intensivo. "Extensivo é o crescimento da produção que decorre principalmente do aumento da população, para atender às necessidades humanas. Já o intensivo não decorre do crescimento da população, mas das necessidades relativas, principalmente."

O professor rebateu correntes de pensamento que afirmam que "abrir mão do individualismo significa renunciar a felicidade" e lembrou o legado de são Francisco de Assis, a quem remete o nome do minicurso e cuja vida esteve alheia a posses materiais. "Vivemos essa ilusão de nos diferenciarmos dos demais seres humanos tendo mais coisas e, às vezes, esquecemos que 'ser' é diferente disso", ponderou.

Mestre e doutor em economia aplicada à administração e ex-professor de economia da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e da Escola de Engenharia da USP (Universidade de São Paulo), Pedro observou que o alcance do desenvolvimento sustentável depende do modo de vida do homem e lamentou que, em sua evolução, a humanidade colecione genocídios de civilizações, como índios, nas Américas, e aborígenes, na Oceania.

Na mesma linha, o professor chamou a atenção para o fato de a Terra assistir, na atualidade, ao sexto período de extinção de espécies em sua trajetória, desta vez gerada "não pela queda de nenhum astro, mas pela ação humana". As extinções anteriores ocorreram há 440 milhões, 360 milhões, 252 milhões, 200 milhões (período triássico-jurássico, dos dinossauros) e 66 milhões de anos.

Para rever a palestra, acesse o canal da Escola do Legislativo no YouTube.



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Escola do Legislativo

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