31 de março de 2026

Presença feminina na política não é novidade, mas não é suficiente, diz oradora

Luciana Dellamatrice Carboni de Campos ocupou a Tribuna Popular da Câmara Municipal de Piracicaba durante a 15ª Reunião Ordinária, nesta segunda-feira

A participação das mulheres em espaços de poder foi o tema da fala da oradora Luciana Dellamatrice Carboni de Campos, inscrita para ocupar a Tribuna Popular da Câmara Municipal de Piracicaba durante a 15ª Reunião Ordinária, nesta segunda-feira (30). Ela defendeu que ambientes como as Casas Legislativas "deixem de ser de resistência e passem a ser de representação".

"A história dos espaços de poder no Brasil e no mundo foi construída em grande parte sem a presença de mulheres como protagonistas. Não por ausência de capacidade, mas por ausência de espaço. A presença feminina na política não é novidade, mas ainda não é suficiente. Não estamos mais discutindo se as mulheres podem estar nesses espaços; isso já foi superado. Estamos discutindo em que condições elas permanecem e, sobretudo, em que medida conseguem influenciar", ponderou.

"Há uma diferença clara entre 'estar' e 'participar'. O Brasil é um país majoritariamente de mulheres. Mulheres que trabalham, que sustentam, que educam, que cuidam e que, muitas vezes, mantêm estruturas inteiras em funcionamento, com discrição e constância. Mas, se a mulher chega aos espaços de decisão, essa presença se reduz. E, quando se reduz, algo se perde. Perde-se na expectativa, no equilíbrio e na qualidade", continuou.

"Não se trata de disputa entre homens e mulheres. Trata-se de reconhecer que uma democracia só se fortalece quando consegue refletir com fidelidade a sociedade que representa. E representar não é apenas abrir o espaço; é garantir condições de participação, de permanência, de influência. Porque não basta que a mulher chegue; é preciso que ela possa atuar. E atuar sem ser interrompida, sem ser deslegitimada, sem precisar provar repetidamente aquilo que já deveria ser reconhecido", afirmou Luciana.

Para a oradora, a mulher que chega à política "enfrenta o desafio de permanecer". "O que ela busca é equilíbrio nas oportunidades, na escuta, na construção das decisões. A presença feminina não altera apenas a composição dos espaços; ela qualifica o debate, amplia o olhar, introduz novas prioridades, aproxima a política da vida real. Isso não enfraquece de forma alguma a política; ela fortalece."

Luciana cobrou "maturidade institucional" ao falar que os espaços de poder "é que precisam evoluir". "O futuro da política não será definido pela manutenção de modelos ultrapassados, mas pela capacidade de adaptação às demandas reais da nossa sociedade. E essa sociedade já mudou. As mulheres já mudaram. Os que precisam mudar agora são os espaços de poder: que deixem de ser ambientes de resistência e passem a ser espaços de representação; que deixem de ser lugares de disputa excludente e que se tornem ambientes de construção, sem radicalismos, sem polarizações vazias, mas com firmeza", defendeu.

"No fim, não se trata apenas de mulheres ocupando cadeiras. Trata-se de mulheres ocupando e tendo lugar de decisão. E isso não é uma pauta futura: é urgente, de agora, do presente. Que esta Tribuna e todas as outras deixem de ser ocupadas por exceções e passem a refletir aquilo que já é uma realidade nas ruas, nas escolas e nas instituições: a força, a competência e a presença das mulheres, sem alarde, sem concessão, mas com a firmeza de quem não pede o espaço, mas o ocupa e transforma", concluiu.

Texto: Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583
Filmagem: TV Câmara