PIRACICABA, QUARTA-FEIRA, 12 DE AGOSTO DE 2020
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23 DE JULHO DE 2020

Plano Municipal de Arborização de Piracicaba é apresentado na Câmara


O projeto foi apresentado pelo engenheiro Marcelo Leão, da empresa Propark, em reunião mensal do Fórum de Arborização; Piracicaba conta com cerca de 100 mil árvores



EM PIRACICABA (SP)  

Plano Municipal de Arborização de Piracicaba é apresentado na Câmara

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Plano Municipal de Arborização de Piracicaba é apresentado na Câmara



Alinhado com as expectativas dos gestores responsáveis e as necessidade da população envolvida, os objetivos finais do plano de arborização urbana de Piracicaba foram apresentados em reunião mensal do Fórum de Arborização, nesta quinta-feira (23), em reunião sob a coordenação da vereadora Nancy Thame (PV). Os levantamentos apontam para a existência de cerca de 100 mil árvores em Piracicaba, compreendendo malha urbana de 229 mil metros quadrados. 

Por duas horas, das 10 às 12, o engenheiro agrônomo, Marcelo Leão, da Propark Paisagismo e Ambiente, empresa vencedora do processo de licitação, em reunião via online, pela plataforma de conferências Zoom, detalhou todas as etapas no levantamento que resultou no Plano Municipal de Arborização Urbana de Piracicaba, em trabalho que durou cinco meses. 

"O plano é resultado de muito carinho e dedicação", resumiu Marcelo, que também referendou a dedicação de seu pai, diretor e fundador da Propark.

A busca foi pelo aproveitamento prático, com foco no que já existe no Brasil, na semelhança de sistemas, a exemplo do Rio de Janeiro, São José dos Campos e também contando com a referência de Maringá, além de Campinas.

Marcelo também falou como membro de comissão de defesa do meio ambiente, de São Paulo, de trabalho que envolve 32 localidades e, que também serve para reforçar o plano de Piracicaba. "Tínhamos regra estabelecida nos editais, estamos numa malha urbana de 229 quilômetros quadrados de perímetro, com foco na melhoria arbórea da cidade, Não existe arborização urbana sem a participação das pessoas", disse.

"Tínhamos todas as premissas do edital, além de documentos básicos que balizaram outras localidades, com reflexo na experiência do Paraná, com metodologia para entender outros planos. Tudo foi elaborado por diagnóstico amplo, com levantamento de dados", pontuou Marcelo, que também falou da experiência de Piracicaba ter constituído vários parques, principalmente na região de Santa Teresinha, além da contribuição da Esalq e atuação da Prefeitura Municipal, em série de levantamentos, onde se buscou o máximo de organização dos dados, sendo que em paralelo a isso foi realizado trabalho de ponta, onde não se poupou esforços, na busca de equilibrar as contas.

Com tudo isso, foi possível traçar aspetos bem reais, tudo em banco de dados, seguindo os requisitos do edital, no trabalho de recomendações e sugestões. As análises começaram desde a prefeitura, no entendimento de como tinha recursos próprios e estruturais, e como que isso foi caracterizado com os procedimentos.

O plano está muito bem escrito, onde foi feito resgate da história de urbanização, com o papel da Câmara e Esalq. "Temos uma boa base e um bom plano, com recursos financeiros, fontes de parcerias, a exemplo de empresa de gás e telefônica. Foram mais de 12 horas de trabalho por dia.

Marcelo também avaliou que foi levantada ampla legislação, com aporte do Estado, na tentativa de estabelecer a espinha dorsal do plano, com o arcabouço municipal, em organização de tudo, durante o prognóstico. Também se entendeu a planta às condições climáticas, com vistas ao sistema arbóreo em suas áreas naturais, no conhecimento da origem do solo, no resgate dos mapas junto ao Ipplap (Instituto de Planejamento e Pesquisa de Piracicaba) e com a Esalq.

"Queremos chegar numa vegetação adaptada. O primeiro passo foi contar as árvores, a exemplo do que aconteceu em Nova York, o que demandou planejamento, onde o detalhamento foi de acordo com a capacidade de investimento. Trabalhamos o sensoreamento remoto, com imagens de altíssima resolução, com validação presencial e, confrontação com os dados reais. Não adiantava somente saber onde estava a vegetação, o que demandou incursões pelas diferentes piracicabas, como zona norte e sul, no levantamento das mais variadas vegetações", disse.

Marcelo citou trabalho com o PCJ (Comitê das Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), para levantar a qualidade da cobertura arbórea. E. citou que o Fórum tem o caráter permanente para trabalhar estas questões. Também elencou o perfil sócio econômico, em condomínios de alto luxo, onde nem sempre as pessoas estão conscientizadas perante as pessoas mais simples.

Disse que em muitos locais, o município deixa a desejar, o que leva à queda e acidentes, onde a árvore leva a culpa. A mensagem é para se respeitar a biologia, pois o ser humano depende disto.

Marcelo disse que o diagnóstico foi completo, para levantar a real ocupação do solo, dos recuos, testada de lotes, o que impacta a região urbana, na dinâmica da urbanização, até para avaliar a posição dos empreendedores imobiliários. A busca é por melhor urbanização para Piracicaba, com foco na via aérea, na melhor forma de colocação de uma árvore, mostrando a melhor compatibilização, no entendimento de que não é só exigir uma árvore, mas o processo todo, na compatibilização do que realmente precisamos, em termos de sombras, com áreas sem recuo, lotes pequenos, onde temos que rever nossa estrutura urbana.

Para Marcelo, o plano nos ajuda a cada vez mais pensar, visto a necessidade de drenagem, de espaço, onde muitos agem pelo efeito, pensando apenas na sombra da árvore. "Há que pensar numa compatibilização mais coerente. Temos que olhar com mais carinho a relação com as árvores", disse. Marcelo também apresentou detalhes mais técnicos, com vistas à imagem urbana e, reiterou que todo trabalho de georeferenciamento foi feito em momentos sem nuvens.

Também citou a criação de modelos próprios, onde foi usado a inteligência artificial, com aplicação de filtros para melhor identificação das áreas, em qualificação e mais de 20 mil testes, para se buscar a segmentação, com foco em nível de diferenciamento das áreas.

Apontou diferenças áreas verdes, englobando as cinco regiões, com unidade de bairros, com levantamento de áreas por satélite. Também disse, que na questão da gestão urbana, quando a pessoa fala de plantar, há diferentes considerações a fazer, além das questões legais.

"Há que diferenciar as diferentes áreas, onde se buscou mapas temáticos, como a região central, rua do Porto, em diferentes sistemas de gestões, a depender da localização da árvore. Estas categorias tem que serem consideradas separadas, para melhor ação em áreas prioritárias. As árvores que estão no sistema viário tem primordial consideração, em função do que ela representa, no fornecimento de sombras", disse.

Marcelo citou áreas de preservação permanente, que requer outras dinâmicas. E, não descartou o uso de árvores exóticas, em certas regiões da cidade, embora isso não represente que vamos priorizar as nativas. Após a cobertura arbórea, Marcelo destacou a formação de áreas, na qualificação do número de árvores, em erro de 10%, com aproximadamente 96 mil árvores, totalizando cerca de 100 mil árvores nos diferentes bairros.

Explicou que o diagnóstico de campo foi feito em duas partes, dividido em regiões, na observação de representatividades amostrais, onde foi contado o número de árvores, em confronto ao que foi apontado pelo satélite, o que foi preciso a conferência, para comprovação do que se buscou, considerando as coordenadas, comprovando o sensoreamento remoto. Também foi observado a forma de podas dos muitos munícipes, sem critérios, o que também se avaliou a compatibilização destas árvores, pela CPFL. Ainda sobre o diagnóstico de campo, foi considerado as principais operações, como destoca, poda, com foco no ideal para sanar problemas durante a gestão. 

Marcelo também apresentou o rol dos principais mapas, dos 229 mil quilômetros quadrados de cobertura arbórea, o que mostra que a cidade tem cobertura satisfatória, o que nos remete ao cuidado que temos no plantio de novas áreas. Depois da classificação total foi destacado as regiões, centro, norte, leste, oeste, tirando os vazios urbanos. Também citou que as bases de dados ficam disponíveis para a prefeitura, para elaboração de indicadores de melhorias. Na contagem do número de árvores, onde a expectativa é que a validação dará suporte a trabalho internacional, em que a cidade de Piracicaba ganhará foco. 

Marcelo ainda falou das diferentes área da cidade, que requer um plano diferenciado, de novos parques e áreas de lazer. "Do mesmo jeito que se fragmenta as diferentes classes, há que entender áreas prioritárias, direcionando os investimentos para o plantio", disse, ao também indicar áreas mais velhas, que requer a troca por arborização mais efetiva.

Marcelo ainda falou da revisão do plano, focado para até cinco anos, e renovação em 20 anos, com os devidos custos de avaliações. Também trouxe a contagem do sistema viário, em demonstrativo, no universo de 96.948 árvores, ao longo do sistema viário, sendo que no centro este universo é de 2.500 árvores, em números que facilitam o trabalho, e detalhamento bem escrito, em trabalho que levou de quatro a cinco meses. 

No final da reunião, a vereadora Nancy agradeceu pelo relevante trabalho e abriu o espaço para discussão, além de registrar a participação de interessados fora de Piracicaba, a exemplo de pessoa no Estado de Santa Catarina, na cidade de Florianópolis, com foco nos estudos locais, na pergunta se o sistema pode ser colocado lá.

O professor Juan Sebastianes, apontou levantamento que passa  por questões de como a CPFL (Companhia Paulista de Foça e Luz) executa a poda de árvores, em processos que estão decepando as espécies. Juan também fez apontamentos sobre a recomendação de fiação subterrânea, principalmente em novos empreendimentos, além de questões que passam pela compostagem e biodigestão, com o aproveitamento dos resíduos sólidos, que poderiam estar gerando adubo para ser empregado em praças.

Juan também levantou a questão do viveiro municipal, no receio de que o município possa estar perdendo mudas, que já se encontram em estágio avançado.

Marcelo Leão respondeu a todos os questionamentos e, finalizou suas considerações enfatizando que o plano foi elaborado com muito carinho e dedicação, em resultado que espera acolher a demanda da população.

Ney Pinto França, novo participante do Fórum de Arborização, também fez questionamentos quanto ao  novo jardim botânico, onde Marcelo Leão discorreu sobre este projeto, que encontra respaldo nas inúmeras áreas verdes da cidade.

A vereadora Nancy reiterou convite a todos, para consultar o andamento das discussões sobre o plano de arborização de Piracicaba, em vários eventos promovidos pela Escola do Legislativo, em assuntos divididos em nove temáticas.

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Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


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