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05 DE AGOSTO DE 2022

O abuso do homem narcisista nas relações afetivas é tema de palestra


Atividade promovida pela Escola do Legislativo integrou o “Agosto Lilás”, mês de conscientização e discussão sobre a importância da Lei Maria da Penha.



EM PIRACICABA (SP)  

Evento aconteceu no formato on-line nesta sexta-feira (5)

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Com objetivo de apontar o ciclo do abuso, para que mulheres consigam identificar que estão vivenciando violência doméstica, a Escola do Legislativo “Antônio Carlos Danelon – Totó Danelon”, da Câmara Municipal, promoveu nesta sexta-feira (5) a palestra on-line “O abuso do homem narcisista nas relações afetivas e as consequências jurídicas da violência contra a mulher", ministrada pela advogada Cecilia de Lara Haddad, que há 20 anos atua na área de direito de família e sucessões, com enfoque em mulheres que buscam finalizar relacionamentos abusivos.

Na abertura do evento, a diretora da Escola, vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo ‘A Cidade É Sua’, ressaltou que a atividade também faz parte de uma série de ações promovidas pela Procuradoria Especial da Mulher durante o “Agosto Lilás”, mês dedicado à conscientização e à discussão sobre a importância da Lei Maria da Penha que, neste mês, completa 16 anos. 

Além de identificar o abuso, Cecília abordou durante o evento a importância de as mulheres buscarem redes de apoio e ajuda profissional de psicólogos e advogados, zelando por sua integridade física e emocional e por seus direitos quando de um divórcio ou dissolução de união estável com o abusador.  

Segundo a advogada, o narcisismo pode ser caracterizada como um transtorno de personalidade que pode afetar homens e mulheres, mas que pode ser amenizado, por exemplo, por meio de medicamentos prescritos por um profissional da Saúde competente. “A nossa cultura patriarcal e machista, estimula que homem expresse com mais intensidade esse narcisismo”, disse. 

A ideia de que o narcisismo está atrelado à vaidade é, segundo ela, errônea. “Há muitas variáveis no conceito de narcisista, pois existem vários tipos como o evidente, que é aquele que gosta de atenção e plateia, mas também existe o oculto, vulnerável e encoberto, que muitas vezes faz o papel de vítima”, detalhou. 

Para saber se a pessoa está diante de uma pessoa narcisista, Cecilia Haddad destacou que, em geral, é possível perceber algumas características. É importante notar se a pessoa apresenta comportamento megalomaníaco (que pode ser entendido como uma supervalorização de si mesmo de maneira assoberbada); necessidade de admiração e bajulação; falta de empatia; mente e manipula; explora a relação das pessoas; se é cruel, invejoso e também não admite erros. “Ele desenvolve um personagem para a sociedade e diz que é um super profissional, pai, marido, mas que está sempre representando. Entre o que ele é e o que representa, existe um abismo gigante”, disse. 

De acordo com ela, o perfil de mulheres que atraem os homens narcisistas são mulheres carentes, infantilizadas ou imaturas e que demonstrem empatia, que ‘não sabem’ dizer não. As vítimas escolhidas são sempre aquelas que impõem o menor número possível de limites ao opressor. 

Ciclo do abuso-  Cecilia Haddad informou que, de maneira geral, a violência física e psicológica contra a mulher pode ser entendida de forma cíclica. O primeiro estágio é conhecido como “lua de mel”, onde o abusador se apresenta como atencioso e apaixonado, fazendo com que a mulher acredite que encontrou o parceiro ideal; o estágio 2 é o da “tensão”, quando o abusador tem certeza que já conquistou a vítima e começa com os insultos, indiferença, desvalorização da parceira e demonstração de raiva e ameaças. 

O terceiro estágio é a “explosão”, nesta fase, a mulher pode ser agredida emocional ou fisicamente, sendo muitas vezes o momento onde as mulheres cometem suicídio. O último estágio é a “reconciliação” que, segundo Cecilia, é a fase mais perversa, pois o abusador manipula a vítima dizendo que mudou, até que ela acredite em suas mentiras. 

Com a Lei Maria da Penha, a advogada enfatizou que o homem passa a ter uma pena maior, que antes era apenas do cumprimento de entrega de cestas básicas. Atualmente, a lei pune cinco tipos de violência contra mulher. “Outra inovação foi fazer uma delegacia especializada para o atendimento da mulher. É muito importante isso, pois as pessoas precisam ser treinadas para compreender essas violências”, frisou.

A palestra foi transmitida ao vivo no canal da Escola no YouTube. Para assistir a íntegra, basta clicar no vídeo que acompanha a matéria. 



Texto:  Pedro Paulo Martins
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Escola do Legislativo Silvia Maria Morales

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