PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 9 DE AGOSTO DE 2022
Aumentar tamanho da letra
Página inicial  /  Webmail

20 DE ABRIL DE 2021

Moção faz apelo ao governo do Estado por escola cívico militar


Aprovada por 16 votos favoráveis e três contra, moção de autoria do vereador Fabrício Polezi será entregue ao governador João Dória



EM PIRACICABA (SP)  

Salvar imagem em alta resolução

Moção faz apelo ao governo do Estado por escola cívico militar






Moção 62/2021, de autoria do vereador Fabrício Polezi (Patriota) e outros, na 9.ª reunião extraordinária de 2021, na tarde desta segunda-feira (19), faz um apelo ao Governador do Estado de São Paulo, João Dória (PSDB), e ao secretário estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, para que destinem recursos para o projeto escola cívico militar no Município de Piracicaba.

A moção foi aprovada com 16 votos favoráveis e três contrários, pelos vereadores: Josef Borges (Solidariedade), Rai de Almeida (PT) e Silvia Morales (PV), do Mandato Coletivo A Cidade É Sua.

Também assinam a moção, juntamente com Fabrício Polezi, os vereadores: Paulo Campos (Podemos), Aldisa Vieira Marques, o Paraná (Cidadania), Wagner Oliveira, o Wagnão (Cidadania), Rerlison Rezende, o Relinho (PSDB), José Antonio Pereira, o Zezinho Pereira (Democratas), Sergio da Van (PL), Thiago Ribeiro (PSC), Gustavo Pompeu (Avante), Paulo Henrique (Republicanos), Ana Pavão (PL), Alessandra Bellucci (Republicanos), Cássio Luiz Barbosa, o Cássio Fala Pira (PL) e Anilton Rissato (Patriota).

O vereador Wagnão solicitou destaque na aprovação da moção, para inclusão de seu nome junto aos que assinam o documento. A vereadora Rai de Almeida justificou seu voto. "Votei contra essa moção porque precisamos aprimorar o Estado Democrático de Direito e ter uma educação que seja livre por toda a sociedade e que ela não seja uma educação nos modos militares, que vai na contramão de tudo que nós temos defendido ao longo da redemocratização do país, e com participação dos conselhos e da sociedade", disse.

A petista também defendeu uma educação laica, democrática, participativa, com toda a sociedade. "Os militares têm outro papel, que não o da educação. É um retrocesso do ponto de vista da educação no país", alertou.

O autor do projeto, Fabrício Polezi também justificou voto: "Fica totalmente claro que infelizmente a vereadora não leu uma linha do documento que foi apresentado. Infelizmente não foi pautado em nada o documento original. É claro que traz uma vitória para a cidade essa moção, não tem absolutamente nada a ver o que ela está colocando", disse.

Já o vereador Anilton Rissato (Patriota) justificou seu voto, concordando que tem que haver uma escola cívico-militar em Piracicaba para que sirva de exemplo para que possam espelhar na educação militar. "Minha formação é licenciatura em biologia e durante um tempo fui professor eventual e 21 anos como orientador. É nítida a falta de disciplina dos nossos alunos. Não tem atendido de forma alguma a necessidade de educação no país. É uma inverdade que a escola atualmente atende às necessidades dos nossos jovens. A escola cívico-militar contempla disciplina e respeito. Não vejo problema nenhum de termos uma escola cívico-militar na nossa cidade", ressaltou.

No teor da moção os vereadores consideram que Piracicaba não atingiu a meta no segundo ciclo do ensino fundamental, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira (Ideb) de 2019.

A avaliação é feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Ministério da Educação (MEC). No fim o resultado é um índice de 0 a 10 e para ter um bom Ideb é preciso ter baixas taxas de reprovação e de abandono de estudos, além de resultados satisfatórios no Saeb.

Os parlamentares avaliam que um dos principais atrativos é a proposta pedagógica, que tem como objetivo entregar um ensino de qualidade, preparando o aluno para a vida em sociedade, formando cidadãos críticos que atuem com ética, cidadania e guiados por valores.

Observam que diferentes das escolas militares, as cívico-militares são instituições públicas comuns em que a gestão administrativa e de conduta são responsabilidade de militares ou profissionais da área de segurança, enquanto que a gestão pedagógica fica sob a responsabilidade de pedagogos e profissionais de Educação.

Um dos principais argumentos dos que defendem a militarização das escolas civis, é o resultado obtido pelos alunos do sistema em concursos diversos, sejam eles para os concursos das escolas militares de nível médio e superior, ou para universidades (ENEM e vestibulares).

Essas instituições se destacam na média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com nota 7 para alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, enquanto a média nacional das escolas públicas fica em 4,9 para a mesma etapa de ensino.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, as escolas cívico-militares têm uma taxa de abono escolar de 77% menor, a reprovação dos alunos é 37,4% menor, além dos alunos que estudam na idade certa, que é 50% maior. Já a avaliação do Ideb, que mede qualidade do ensino é 20% maior.

As escolas cívico-militares contam com uma gestão compartilhada, em que militares e diretores pedagógicos atuam de maneira colaborativa na gestão administrativa e didático-pedagógica do colégio, com isso, deve haver diálogo entre ambos os diretores, buscando ações conjuntas que possam aprimorar as práticas educativas da escola na formação integral do aluno.

A orientação disciplinar deve ser mais rígida, mas não tão severa quanto nos colégios do Exército, por exemplo. As escolas terão também monitores militares participando da rotina escolar. Serão de três a cinco policiais da reserva, a depender do tamanho do colégio. Com isso, os militares atuarão, em colaboração, nas áreas de gestão escolar e gestão educacional, a fim de contribuir com a melhoria do ambiente escolar.

Esse modelo não irá formar militares ou militarizar os alunos, o principal objetivo é contribuir com a qualidade do ensino na educação básica, além de propiciar aos alunos, professores e funcionários um lugar mais seguro com foco na melhoria do ambiente e da convivência escolar.

"Resta evidente que é extremamente necessário e urgente que o Estado tome iniciativas para destinar recursos para afim de melhorar sua estrutura e consequentemente a qualidade do ensino", defendem os parlamentares.



Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Imagens de TV:  TV Câmara


Legislativo Paulo Henrique Paulo Campos Rerlison Rezende Aldisa Marques Wagner Oliveira Zezinho Pereira Cassio Luiz Alessandra Bellucci Ana Pavão Josef Borges Thiago Ribeiro Gustavo Pompeo Rai de Almeida Anilton Rissato Fabricio Polezi Silvia Maria Morales Sergio da Van

Notícias relacionadas