PIRACICABA, DOMINGO, 27 DE SETEMBRO DE 2020
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16 DE SETEMBRO DE 2020

Minicurso de economia termina com reflexões sobre futuro da sociedade


"A economia de Francisco e o futuro do planeta" teve cinco encontros conduzidos pelo professor Pedro Ramos.



EM PIRACICABA (SP)  

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Pedro Ramos conduziu os cinco encontros do minicurso



Com cinco encontros no total, o minicurso conduzido pelo professor Pedro Ramos, foi encerrado na tarde desta quarta-feira (16) com reflexões sobre o futuro da sociedade. O docente apresentou uma coletânea de frases de filósofos, sociólogos e outros pensadores para apontar possíveis rumos da civilização pós-moderna.

O ciclo de palestras foi oferecido gratuitamente pela Escola do Legislativo, da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e transmitido via Zoom e YouTube, onde a íntegra dos três temas que compuseram os cinco encontros pode ser revista. 

As citações reproduzidas por Pedro foram extraídas de obras de nomes como John Maynard Keynes, Blaise Pascal, Robert Heilbroner, Jean Baudrillard, Zygmunt Bauman, Robert Kurz, Ailton Krenak, Anthony Elliott e Sigmund Freud.

De Heilbroner, o professor compartilhou o raciocínio sobre como a tecnologia dominou a busca pelo conhecimento. "Ele dizia que, querendo saber sobre o futuro, os gregos consultavam os oráculos, o homem da Idade Média consultava o clero, o do Iluminismo consultava filósofos e historiadores, o moderno consultava os cientistas, e nós, da pós-modernidade, consultamos o Google."

O professor usou outra comparação para expôr o pensamento. "O homem da Idade Média olhava para o alto, o da modernidade olhava horizontalmente, para o mundo físico, e o homem da pós-modernidade olha para baixo, para as telas dos notebooks, dos celulares e dos tablets. E isso faz com que cada um se encapsule na esfera de seu mundo próprio, embevecido diante de um espelho intocável pelas máculas do real."

O conceito de sociedade pós-moderna citado por Pedro teve como base Baudrillard, que a via "como a sociedade do simulacro, na qual se buscam provar o real através do imaginário, provar a verdade pelo escândalo e provar a lei por meio da transgressão, e na qual as ciências sociais tornaram-se cúmplices no processo mediante o qual a fantasia do social é simulada e manipulada".

"A sociedade pós-moderna", continuou o professor, mencionando Kurz, "é sustentada pelas abstrações do dinheiro e do capital fictício produtor de juros, pelas mercadorias, pelas intangíveis parafernálias midiáticas e pela veiculação de informações e conhecimentos subjetivos. É, afinal, uma sociedade que informatiza nosso tempo livre e que aprisiona o indivíduo nas telas."

Já para Elliott, o atual período da história "refere-se a um novo individualismo e caracteriza-se pelo consumismo compulsivo, pelos namoros relâmpagos e pela cultura da terapia, sendo movido por uma fome insaciável de mudanças imediatas". "Ele argumenta, ainda, que as forças globais, ao transformar as estruturas econômicas e tecnológicas, penetram no tecido de nossas vidas pessoal e emocional", completou Pedro.

Outro autor em voga na atualidade, Bauman também foi citado pelo professor em sua reflexão sobre os rumos da humanidade. O sociólogo polonês possui uma vasta obra em que trata de temas a partir da "liquidez" que teria, em seu modo de ver, tomado conta das relações. "Ele usa o conceito de 'líquido' porque quer dizer que é como se vida, amor etc. se modificassem, se adaptassem, tomassem a forma de onde estão."

"Somos incapazes de sustentar posições diferentes num determinado ambiente, nos tornamos pessoas líquidas. Não há vínculos sólidos, nada além de fingimento, dissimulação. As coisas se moldam de acordo com o ambiente, são fugazes, não são duradouras", completou Pedro, com exemplos para ilustrar a teoria de Bauman.

Ao final da apresentação, o professor questionou se é possível, em sua busca pelo sentido da vida, o homem encontrar outra forma de alcançar a felicidade "que não seja a que se esgota no materialismo". Pedro fez menção a personalidades que, segundo ele, constituíram "casos de vidas virtuosas e de esperanças manifestadas", como são Francisco de Assis, Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Martin Luther King, Santa Teresa de Ávila e madre Teresa de Calcutá.

"Freud reconheceu em são Francisco de Assis a figura humana que mais longe foi na utilização do amor para beneficiar um sentimento interno de felicidade e afirmou que essa disposição para o amor universal pela humanidade e pelo mundo representa o ponto mais alto que o homem pode alcançar", concluiu.



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Escola do Legislativo

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