PIRACICABA, SÁBADO, 27 DE NOVEMBRO DE 2021
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07 DE DEZEMBRO DE 2020

Fabrício Polezi quer ser referência da direita conservadora na cidade


Vereador eleito com 1.023 votos liderou em Piracicaba os protestos em apoio a Bolsonaro e contra Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal e o fechamento do comércio.



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Davi Negri - MTB 20.499 (1 de 3) Salvar imagem em alta resolução

Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara

Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara
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Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara

Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara
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Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara

Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara
Foto: Davi Negri - MTB 20.499 Salvar imagem em alta resolução

Fabrício Polezi, em foto tirada em 16 de novembro, na Câmara



Com uma trajetória na política que coincide com a ascensão de Jair Messias Bolsonaro à presidência do Brasil, Fabrício José Raetz de Oliveira Polezi, 41, quer ser "o verdadeiro representante da direita conservadora de Piracicaba". Em sua primeira tentativa como candidato e com o lema "Bolsonarista vota em bolsonarista", o vereador eleito pelo Patriota obteve a 22ª maior votação entre os 23 parlamentares da nova legislatura.

Polezi credita seus 1.023 votos a pessoas com perfil "extremamente conservador", identificadas com grupos políticos de direita. "São essas pessoas que votaram em mim, que foram à praça nas manifestações em apoio ao Bolsonaro, que fizeram campanha por ele, que foram às avenidas, ruas e carreatas contra o fechamento do comércio, que iam aos atos contra as arbitrariedades do STF [Supremo Tribunal Federal] e a favor das prisões em segunda instância", comenta.

O ativista relaciona sua eleição para a Câmara de Vereadores de Piracicaba às "pautas que defendia a peso de ouro". "As pessoas que votaram em mim acreditam numa mudança cultural, que seja mais alinhada ao conservadorismo, ao resgate dos valores éticos e morais, à defesa da família, à religiosidade, à defesa e ao direito à propriedade, contra o aborto, contra a ideologia de gênero nas escolas. Para nós, é claramente identificado que estamos em meio a uma guerra cultural e que a mídia detém todo o poder da narrativa em suas mãos."

Piracicabano, Polezi nasceu em 15 de agosto de 1979 e atualmente mora no Água Branca. No entanto, suas raízes estão no Cecap, onde estudou todo o ensino fundamental e o último ano do ensino médio na Escola Estadual "Professor Adolpho Carvalho". A passagem pela Etec "Coronel Fernando Febeliano da Costa", onde cursou técnico em mecânica, o qualificou como torneiro mecânico ferramenteiro —ele trabalhou 13 anos na Caterpillar antes de chegar à Turbimaq.

A incursão de Polezi na política coincidiu com o ano em que a Operação Lava Jato era deflagrada, o então deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) conquistava seu sétimo mandato e a presidente Dilma Rousseff (PT) conseguia a reeleição. "Eu virei ativista político já em 2014, estudando a direita e o conservadorismo, entendendo o que significa a família Bolsonaro."

Polezi cita duas falas de Jair Bolsonaro, naquele ano, que lhe chamaram a atenção: sobre as mortes de detentos no presídio de Pedrinhas, no Maranhão ("A única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas. É só você não estuprar, não sequestrar, não praticar latrocínio que tu não vai para lá", disse o então deputado federal) e em resposta à colega de plenário Maria do Rosário (PT-RS), com quem trocou insultos por conta do assassinato de Liana Friedenbach e Felipe Caffé pelo então menor conhecido como "Champinha".

"Assisti a um vídeo do Bolsonaro com a Maria do Rosário, ela ficou louca ali, foi para cima dele. Os caras invertem tudo, essa esquerda é muito nojenta. Quando você vê o vídeo na íntegra, você vê quanto subversiva é a esquerda. Fui pesquisar a família do Bolsonaro, assisti ao vídeo do presídio de Pedrinhas e falei: 'É isso aí, esse cara vai ser presidente do Brasil um dia'", previu.

Polezi, então, passou a acompanhar as declarações do capitão reformado do Exército e a procurar quem, em Piracicaba, o conhecia. "Comecei a seguir, a estudar e a ir atrás de pessoas. Falei dele para uma, outra e outra, e não achava ninguém." O cenário modificou-se à medida que crescia no país a popularidade do deputado federal. "No começo, quando íamos para a rua com a camisa do Bolsonaro, éramos os loucos, tomamos pedradas. Agora não, as coisas mudaram."

LÍDER DA DIREITA - Os atos a favor do impeachment de Dilma Rousseff realizados em Piracicaba alçaram Polezi à condição de líder dos manifestantes. "Resolvi partir para a rua. Saí de trás do Facebook, saí do ativismo on-line e parti para a reação física mesmo, com cartolina e papel, para parar a avenida. Em 2016, nós já estávamos num grupo bem maior e conseguimos êxito total derrubando a Dilma."

Nos protestos, Polezi conheceu o Movimento Direita Piracicaba, do qual veio a se tornar porta-voz. "Percebi que eu e o grupo que tínhamos não estávamos sozinhos. Reunimos forças, uma só unidade de pensamento, com manifestações cada vez mais numerosas, volumosas. A partir de então, o Movimento Direita Piracicaba assumiu a campanha do Bolsonaro e vi que não tinha mais como me omitir, fugir dessa luta de transformação, da guerra cultural."

O posicionamento em favor do atual governo fez o torneiro mecânico ir "para Brasília várias vezes em manifestações para apoiar o presidente" e aproximar-se de nomes proeminentes da direita, como os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carla Zambelli (PSL-SP), os deputados estaduais Valéria Bolsonaro (PSL) e Gil Diniz (sem partido) —"É amigo pessoal meu", enfatiza Polezi— e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (REP).

Polezi chegou a ter cargo na direção do PSL em Piracicaba, mas seguiu os passos de Jair Bolsonaro quando o mandatário rompeu com a sigla, no fim de 2019. "Eu era vice-presidente do PSL [na cidade] até o Bolsonaro sair do PSL: ele saiu e eu também saí. Não queria mais fazer parte daquilo, não queria mais compactuar com tal traição."

Para escolher o novo partido pelo qual buscaria uma vaga na Câmara, levou em consideração o alinhamento das legendas no plano federal. "Estudei todas as possibilidades e me filiei em abril ao Patriota, que foi o partido com que me identifiquei. Li o estatuto, falei: 'É esse'. Partido de centro-direita, base de apoio ao Bolsonaro, é o que mais se identifica e apoia as pautas dele no Congresso Nacional hoje."

NO LEGISLATIVO - O vereador eleito pretende levar para a Câmara as 21 propostas que apresentou durante a campanha. A prioridade, diz, será buscar a implantação, em Piracicaba, de escolas cívico-militares. "É uma proposta de mudança cultural. Já tenho o apoio de uma base de deputados, temos três emendas parlamentares para estar trazendo", afirmou.

O conjunto de propostas inclui, ainda, lutar "para zerar o repasse de verba para festas, como o Carnaval, bancadas exclusivamente pelo município; por ações penalizadoras em contratos públicos caso não atendam a metas e indicadores; e contra o estabelecimento de aditivos contratuais, que tanto favorecem o superfaturamento de obras".

Também estão entre os objetivos de Polezi ampliar o orçamento na aquisição de remédios a serem oferecidos aos usuários do SUS, principalmente para pessoas com doenças crônicas, e firmar parceira em projetos para proteção da vida do policial e do guarda municipal, "a fim de dar suporte jurídico e incentivar o policial que verdadeiramente trabalha".

O vereador eleito quer as vans particulares como uma alternativa para o transporte de passageiros, "com a fiscalização justa do órgão público"; o fim da "indústria da multa", a desburocratização do transporte de aplicativo; a "privatização total" do sistema de água e esgoto; e a desburocratização da máquina pública, "retirando leis municipais que desencorajam a nossa cultura e turismo".

"Serei um vereador de direita conservador que vai ficar em defesa da família, dos valores
tradicionais, da religião e do direito à liberdade de expressão e às liberdades individuais, inclusive do direito de ir e vir. Que lutará contra o aborto, contra a legalização das drogas, contra a ideologia de gênero nas escolas e contra a pedofilia e que abordará pautas que beneficiem a sociedade como um todo", diz.

Polezi, no entanto, afirma ser "inconcebível" ter um posicionamento único como vereador, já que pretende avaliar cada proposta antes de decidir seu voto. "Serei oposição com projetos que vão contra os anseios da população e situação com projetos bons. Não existe essa de 'Sou oposição ao governo'. E se for um projeto para tirar a fome do planeta, eu vou ser contra? O que for para ser elogiado será elogiado e o que for para ser criticado será criticado."

Prestes a assumir uma cadeira na Câmara, Polezi havia ocupado anteriormente a Tribuna Popular em três reuniões ordinárias. "Foram experiências bem bacanas, marcantes. Dá nervosismo entrar no mundo político e poder disseminar a sua voz. A Câmara e seus princípios, principalmente do corpo de vereadores que dirige a Câmara, da presidência, são muito democráticos, respeitam a democracia."

Cristão, casado e pai de duas filhas, o torneiro mecânico assegura que o grupo que ele representa tem perfil popular. "Não é um movimento elitizado. Somos o 'trabalhadorzão', o 'mão de obra', que não queria mais corrupção, que não aguentava mais ver a esquerda doutrinando nossos filhos em sala de aula. Aqui não tem racistas, não tem homofóbicos, não tem xenófobos, não tem intolerantes, não tem autoritários. Nossa linha cultural é um contraponto, por parte dos assalariados, à esquerda militante e política."

Sobre a forma como quer se tornar conhecido em seus quatro anos de mandato, o vereador eleito resume em uma expressão. "O Bolsonaro de Piracicaba. Modesto eu, né? [risos] É muita astúcia minha, estou sonhando alto demais, mas eu ser reconhecido como verdadeiro representante da direita conservadora, aquele que conseguiu unir e dar uma única voz à direita, seria gratificante."



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Rodrigo Alves - MTB 42.583


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