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14 DE MARÇO DE 2024

Escritoras compartilham vivências em reflexão sobre liberdade feminina


Mulheres que colaboraram com relatos pessoais para o livro "Vestidas de coragem" participaram, nesta quinta, de roda de conversa promovida pela Escola do Legislativo



EM PIRACICABA (SP)  

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Em evento promovido pela Escola do Legislativo, mulheres debateram a liberdade feminina





Mulheres com diferentes histórias de vida compartilharam enfrentamentos que tiveram de fazer para experimentar a liberdade, em uma roda de conversa promovida pela Escola do Legislativo na tarde desta quinta-feira (14). Parte da programação do Mês da Mulher, a atividade reuniu escritoras que, com seus depoimentos, colaboraram na publicação do livro "Vestidas de coragem: histórias inspiradoras de mulheres corajosas", da editora Plena Voz.

As coautoras da obra participaram da roda de conversa "A mulher e o exercício de sua liberdade" remotamente, via Zoom, a partir de cidades como Brasília (DF) e Bueno Brandão (MG). Uma das organizadoras do livro, Monique Leite conduziu o bate-papo, que foi aberto pela vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua e conselheira da Escola do Legislativo.

"A liberdade é inata, mas a sociedade vai mostrando que não é bem assim. Se liberdade é conquista, só a conquistamos a partir do momento em que enfrentamos certas coisas", comentou Monique, apontando como as artes e, em especial, a leitura podem ajudar nessa busca. "A partir da liberdade interior, a mulher tem a coragem de se expor e ir atrás do que quer."

Uma das mulheres que colaboraram com relatos para o livro, Geise Degraf contou como sua avó contribuiu para que tomasse consciência da importância de ser uma mulher livre. "Minha avó dizia que a liberdade é contínua e precisa ser exercitada sempre. Dizia que a semente da liberdade estava dentro da pessoa: não bastava eu ser livre, mas precisava fazer outras pessoas serem livres: 'Uma mulher livre consegue fazer a liberdade chegar aos demais'", comentou, acrescentando que a avó a estimulava a estudar e a se desenvolver, como formas de se "preparar para a conquista da liberdade".

Carmen Lúcia Costa, participando desde Brasília, contou que, na infância, contestava o "coronelismo" adotado por seu pai na forma de criar as filhas. "Sempre desconfiei de que não estava certa a forma como éramos tratadas na família." Ela defendeu que a busca pela liberdade "deve ser o incômodo de cada pessoa". "Na sociedade patriarcal, a mulher ainda tem esse peso a mais de lutar pela igualdade", completou.

Ana Olívia Pereira, de Bueno Brandão, comentou como lhe fez diferença ter sido incentivada por sua mãe a buscar a autonomia financeira. "Minha mãe sempre nos direcionava pela questão financeira: 'Filhas, procurem ter uma profissão, um rendimento'. Lute sempre pelo seu 'bocadinho' financeiro, porque muitas vezes é o princípio da sua liberdade", aconselhou.

Simone Soares refletiu sobre como a mulher, por ser historicamente exigida no cuidado da família e do lar, acaba dedicando pouco tempo a si mesma. "Temos que nos privar muitas vezes para dar o melhor para o outro e sempre deixamos a nós para depois", comentou.

Miltes Martins falou sobre a liberdade a partir da relação da mulher com o corpo e o tempo. "Nosso corpo é julgado o tempo todo. Essa exigência de corresponder desde cedo a uma expectativa nos remete a negarmos a nós mesmas, a não nos aceitarmos", observou. "O desafio nosso é viver o presente; o que temos de fato é o agora. Precisamos nos libertar das amarras de corresponder às expectativas: não tem o 'jeito certo' de viver, não; tem o seu jeito", completou.

Carla Rebitzi compartilhou sua experiência como viajante solo, a partir de um giro de 40 dias pela África do Sul. As questões que teve de enfrentar foram, principalmente, as relacionadas com a segurança. "Precisamos pensar o tempo todo, estar atentas o tempo todo. Fui procurando redes de apoio, outras mulheres para sairmos juntas. Foi muito libertador, era um momento da minha vida em que estava cheia de paradigmas comigo mesma, sobre se era uma vida correta a que eu estava levando."

Carla disse que "em vários momentos" pensou em desistir. "A mensagem que eu deixo é: 'vamos viver, mulheres; mesmo com medo, vai com medo mesmo'. Esses portais do medo que a gente supera trazem autoconfiança, satisfação pessoal. Você se sente mais capaz. É uma sensação de superação", afirmou.

Silvia Morales se disse emocionada com os relatos ouvidos na roda de conversa. "Esse tema vem a agregar à formação cidadã; não só à mulher, como a todos os que nos prestigiam nessa discussão", comentou a parlamentar, que também compartilhou sua experiência pessoal ao falar sobre como as viagens que encarou sozinha para destinos como Índia, Marrocos, México e Bolívia a fizeram lidar com as inseguranças que surgiram após o término de seu casamento. "Temos que nos encorajar mesmo, é natural ter esses medos."



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918


Escola do Legislativo Silvia Maria Morales

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