PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2020
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09 DE SETEMBRO DE 2020

Câmara recupera documentos da fundação de Piracicaba


Departamento de Documentação e Transparência da Câmara criou a exposição virtual Memórias da Povoação de Piracicaba



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Davi Negri - MTB 20.499 Salvar imagem em alta resolução

Bruno Didoné de Oliveira, diretor do Departamento de Documentação e Transparência: documento é o mais importante sob a guarda da Câmara



Os três documentos que estabeleceram a nova povoação de Piracicaba, datados de 1784, recebem atenção especial da equipe do Departamento de Documentação e Transparência da Câmara de Vereadores de Piracicaba, que faz o restauro e a conservação de suas páginas. O material motivou a criação da exposição virtual "Memórias da Povoação de Piracicaba", disponível de 10 de setembro a 4 de outubro no endereço exposicaovirtual.myportfolio.com. Os textos são considerados os mais importantes do acervo histórico sob a guarda da Casa de Leis.

O povoado de Piracicaba foi oficialmente fundado em 1º de agosto de 1767, pelo capitão Antonio Correa Barbosa, na foz do rio de mesmo nome, o que está registrado oficialmente na primeira ata de referência, escrita em 30 de julho de 1784. Foi nesta data que ocorreu a transferência da povoação para a margem esquerda do rio, logo abaixo do salto. O livro foi lavrado por Vicente da Costa Taques Goés e Aranha, capitão-mor da Vila de Itu, e tem as assinaturas do povoador Correa Barbosa, do frei Thomé de Jesus, do capitão João Fernandes da Costa, do mestre entalhador e arruador Miguel Fernandes Paes Soares e do povo de Piracicaba.

O segundo livro também é de 30 de julho de 1784. Nele, o então governador e capitão-general da Província de São Paulo, Francisco da Cunha Meneses, trata da mudança da povoação para a margem oposta do rio, ordenando a Vicente da Costa que, "com o capitão Correa Barbosa, Povoador desta, a possam mudar de onde se acha e situá-la na referida paragem na parte de cá do rio Piracicaba, logo abaixo do salto".

Já o terceiro documento, de 2 de agosto de 1784, traz um relato do que ocorreu em 31 de julho daquele ano, quando a população de Piracicaba se dirigiu ao lugar destinado para a mudança, e lá o mestre entalhador e arruador Miguel Fernandes Paes Soares delimitou o que seria a nova povoação piracicabana.

A exposição virtual conta com um vídeo produzido pelo Departamento de Documentação, que traz os detalhes dos processos envolvendo o trabalho e também depoimentos do presidente Gilmar Rotta (CID), do diretor do departamento, Bruno Didoné de Oliveira, e da arquivista Giovanna Fenili Calabria, ambos servidores efetivos da Casa. "A preocupação de possibilitar o acesso à população segue um dos pilares do programa Parlamento Aberto, o da transparência das atividades legislativas", diz Gilmar Rotta. 

Redigidas em português arcaico e manuscritas, as memórias da povoação são o primeiro de um conjunto de documentos sob a guarda da Câmara. "Nossos arquivos começam em 1784, atravessam todo o século 19 e o começo do século 20. Pretendemos disponibilizar todos os documentos na internet, após os processos de restauro, conservação e digitalização", explica Oliveira.

Ainda na exposição virtual, foi incluída uma linha do tempo com as principais curiosidades relacionadas à fundação de Piracicaba. Em 21 de dezembro de 1776, por exemplo, João Manuel da Silva deixou a igreja piracicabana por falta de subsídios. Somente em 7 de abril de 1784, o frei Thomé de Jesus aceita assumir a igreja, mesmo com "subsídios diminutos".

PROCESSOS –– A restauração e preservação dos documentos é composta por uma série de processos técnicos, entre eles o de estabilizar ou reverter danos físicos existentes, como reparos com o uso de papel japonês.

Há, ainda, a transcrição linha a linha do manuscrito, seguindo as Normas Técnicas para Transcrição e Edição de Documentos Manuscritos.

Considerada a última etapa, a digitalização evita o manuseio desnecessário (que pode prejudicar fisicamente o suporte) e permite sua conservação, além de ampliar o acesso público ao documento.

Segundo Oliveira, há livros e documentos mais conservados sob a guarda do Departamento de Documentação e Transparência, que demandam apenas a digitalização, mas outros que precisam de maior cuidado e tempo para o restauro.

Feitas todas as etapas, uma das preocupações da equipe do departamento é ainda a de acondicionar todo o material seguindo os princípios de arquivologia.



Texto:  Rodrigo Alves - MTB 42.583
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Câmara Exposição

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