12 de maio de 2026
"Maio Vermelho": médico reforça importância da rapidez no tratamento do AVC
Durante reunião ordinária na Câmara, nesta segunda (11), neurologista apresentou protocolos de atendimento rápido que reduzem chances de sequelas da doença
Considerado a segunda doença que mais mata no Brasil, atrás apenas dos problemas de origem cardíaca, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) afeta uma em cada seis pessoas no país.
Caracterizado como uma doença vascular que atinge os vasos sanguíneos do cérebro, o AVC apresenta dois tipos principais: o mais comum, com prevalência em 80% dos casos, é o do tipo isquêmico, quando há obstrução do fluxo sanguíneo que pode levar à perda de tecido por falta de oxigênio. Há ainda o AVC do tipo hemorrágico, mais abrupto, quando há ruptura do vaso com extravasamento de sangue.
As informações foram trazidas pelo neurologista clínico da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba e do Hospital da Unimed, Theo Germano Perencin, em palestra realizada durante a suspensão do expediente da 25ª Reunião Ordinária, na noite desta segunda-feira (11).
O uso do expediente foi solicitado pela vereadora Silvia Morales (PV) e pelo vereador Ary Pedroso Jr. (PL), autores do requerimento 302/2026, no âmbito da campanha Maio Vermelho, dedicada à conscientização e prevenção do AVC.
“O Dr. Theo tem cerca de 35 anos de atuação clínica em nossa cidade. Além da excelência médica, ele foi o responsável por trazer a Piracicaba o protocolo para fazer trombólise para pacientes acometidos por AVC”, destacou Ary Pedroso.
“Neste primeiro ano da campanha, instituída por decreto, promovemos esta suspensão de sessão e, nos próximos, devemos realizar outras palestras e campanhas de conscientização”, disse Silvia Morales.
Sinais e fatores de risco - De acordo com o neurologista, o AVC é uma doença aguda, cujos sinais mais comuns incluem: boca torta, fraqueza em um lado do corpo (ou apenas no braço), fala alterada, perda de visão, confusão mental ou desequilíbrio. No caso hemorrágico, destaca-se a dor de cabeça súbita e muito intensa.
Há, segundo o especialista, fatores modificáveis e não modificáveis que podem aumentar a prevalência da doença. Entre os não modificáveis, ele cita a genética, o histórico familiar, a idade e o sexo dos pacientes (já que o risco aumenta com o passar dos anos e há incidência levemente maior em homens).
Em relação aos fatores modificáveis, ele destaca o tabagismo, o consumo de álcool e drogas, além do colesterol alto, da hipertensão e do diabetes não devidamente tratados.
“O AVC é reflexo de uma doença sistêmica; o cérebro é a vítima, mas a causa está no corpo. A prevenção baseia-se em bons hábitos, controle de peso, exercícios e monitoramento de doenças metabólicas. Se há histórico familiar, a atenção deve ser redobrada. Exames cardiológicos, como ecocardiograma e Doppler de carótidas, são indicados conforme a idade e os fatores de risco”, disse.
Ele ainda lembrou que, até meados de 2015, o AVC era a principal causa de óbito no Brasil. Hoje, é a segunda, mas continua sendo a principal causa de sequelas: “70% dos sobreviventes não retornam ao trabalho e 50% tornam-se dependentes de terceiros. Isso gera um impacto imenso para o paciente, família e para o Estado”, trouxe o médico.
Protocolos de tratamento – Em sua palestra, o neurologista destacou a implementação em Piracicaba, a partir de 2015, de novos protocolos voltados a atuar, por meio de medicamentos específicos, de forma mais ativa no tratamento do AVC, melhorando a resposta dos pacientes e obtendo quadros com menos sequelas.
“Por muitos anos, a abordagem mundial para o AVC era passiva, muito clínica, de expectativa, oferecendo suporte ao paciente, mas sem tratá-lo de forma assertiva. Era totalmente clínico, por anos e anos na medicina do mundo todo. Em 1995, foi publicado o primeiro trabalho aceito sobre um novo tratamento, uma medicação que mudaria os paradigmas do AVC isquêmico agudo”.
Ele lembrou que, para estabelecer o protocolo em Piracicaba, foi necessário grande empenho por parte das equipes e instituições que realizam os atendimentos de emergência, seja para conseguir os medicamentos (que são de alto custo) pelo SUS, seja para estarem aptos a identificar e encaminhar os pacientes para os centros de referência de forma ágil.
“Esse tratamento, o protocolo principal, exige que a medicação seja administrada em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Por isso, foi necessária uma ampla divulgação e o treinamento de médicos e serviços de emergência, como o SAMU. Iniciamos uma parceria na Santa Casa, um hospital de atendimento misto, público e privado, com apoio dos gestores de saúde da época”, disse o médico.
Ele reforçou que, ao identificar os sinais, deve-se ligar para o SAMU, já que o tratamento adequado pode reduzir o óbito em até 40% e minimizar a gravidade das sequelas em 60%.
Em Piracicaba, a Santa Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana estão habilitados para aplicar o protocolo pelo SUS. Na rede particular, o atendimento especializado é feito pelo Hospital da Unimed.
“Defendo que o tratamento do AVC seja universal; não importa se o paciente tem convênio ou não, ele deve ser atendido com a melhor estrutura disponível”, frisou o especialista.
A palestra do neurologista Theo Germano Perencin pode ser revista, na íntegra, no vídeo acima.
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583
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