PIRACICABA, QUARTA-FEIRA, 29 DE JUNHO DE 2022
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08 DE JUNHO DE 2022

Escola do Legislativo encerra ciclo de cursos de Saneamento Ambiental


Atividades tiveram inicio às 9h desta quarta-feira e encerradas no final de tarde



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (1 de 6) Salvar imagem em alta resolução

Atividades ocorreram na manhã e tarde desta quarta-feira (8)

Atividades ocorreram na manhã e tarde desta quarta-feira (8)
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Vereadora Sílvia Morales fez a apresentação dos palestrantes

Vereadora Sílvia Morales fez a apresentação dos palestrantes
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Professor da Unicamp, Adriano Tonetti

Professor da Unicamp,  Adriano Tonetti
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Palestrante Dijalma de Nery

Palestrante Dijalma de Nery
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Atividades ocorreram na manhã e tarde desta quarta-feira (8)

Atividades ocorreram na manhã e tarde desta quarta-feira (8)
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Integrantes da OCA da Esalq/USP, Bruno Fernandes e Akil Silvério de Lima

Integrantes da OCA da Esalq/USP, Bruno Fernandes e Akil Silvério de Lima
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Atividades ocorreram na manhã e tarde desta quarta-feira (8)



A água que é utilizada nos vasos sanitários, e pias de uma residência, pode ser descartada em uma vala, na zona rural, para o plantio de bananeiras em cima, desde que passem por um processo de separação dos dejetos. Esse foi um dos exemplos ecológicos exposto pelo professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Adriano Luiz Tonetti durante o último ciclo do curso "Saneamento Rural", promovido de forma presencial pela Escola do Legislativo Antônio Carlos Danelon “Totó Danelon”, na tarde desta quarta-feira (8).

Doutor em engenharia civil nas áreas de saneamento e ambiente, Tonetti discorreu sobre o tema “Sistemas Descentralizados para Tratamento de Esgoto Doméstico”, onde apresentou o trabalho de sua doutoranda, Isabel Campos Salles Figueiredo, desenvolvido em algumas propriedades na zona rural de Campinas (SP).

A Unicamp tem um trabalho descentralizado de atuar em pequenas comunidades rurais daquele município. No estudo desenvolvido pela doutoranda, foram instalados pequenos sistemas de coleta de esgoto doméstico “que beneficiou moradores e alunos, porque foram a campo implementar a ideia”, explica Tonetti.

Durante sua apresentação, o acadêmico mostrou diversas situações de fossas construídas irregularmente em locais frequentados pelos alunos. A exemplo de “buracos”, cavados para servir de fossa, próximos à residência. “Muitos, observados, estavam sem tampas, proporcionando a infestação de ratos e baratas, além do perigo de alguém cair dentro”, destaca o docente.

BANANEIRAS – A geração de resíduos sólidos pela população, “quando damos descarga”, 99% é água. “Por que não tiramos proveito dessa água”? Provoca o professor. Uma das alternativas para o aproveitamento desse líquido, inclusive, para a plantação de pés de banana em cima em áreas da zona rural, é utilizar a água da descarga para ser direcionada a uma vala. “Mas, para que se possa plantar em cima, é necessário, no banheiro, separar a água dos dejetos, daquela utilizada para tomar banho e lavar as mãos. A água do vaso sanitário vai para um lugar e o restante das águas de dentro de casa vai para essa vala, que alimentará os pés de banana, já que as bananeiras precisam de um local úmido para crescer”.

Ele reiterou que a universidade auxilia o morador do campo a fazer uma fossa adequada e dentro das normas de higiene, para evitar a contaminação por coliformes fecais.

BANHEIRO SECO - O projeto “Banheiro Seco” foi apresentado pelo docente da rede estadual de ensino de São Carlos (SP) e mestre em Ciências pelo Cena (Centro de Energia Nuclear na Agricultura), da Esalq/USP, Djalma Nery.

O projeto ecológico, detalha Nery, é uma tecnologia social, de baixo custo, utilizada para o tratamento de resíduos e excrementos humanos com a utilização de materiais secos como folhas e serragens para misturar com nitrogênio, produzido pelas fezes humanas para garantir uma segurança sanitária de composto. "Resumindo, é uma forma de compostagem segura que pode ser realizada a baixo custo e de forma descentralizada como alternativa aos sistemas comuns de esgoto”.

O modelo tradicional de coleta e tratamento de esgoto, relembra o docente, foi criado em Londres, na Inglaterra, a partir do século XIX, com o investimento de três bilhões de libras esterlinas. “No Brasil é um sistema caro, sendo que 40% da população brasileira não têm acesso à coleta de esgoto”, compara.

O curso foi finalizado com as participações da estagiária do Laboratório de Educação e Política Ambiental – OCA/Esalq/USP, Caroline Alves Leite; do mestrando do programa de Pós-Graduação em Recursos Florestais da USP, Bruno Fernandes, e do bacharel em Gestão Ambiental, Akil Alexandre Costa Silvério da Silva.

Eles apresentaram uma reflexão sobre o grupo de extensão, Sanear, da OCA, da Esalq/USP, que trabalha no contexto do saneamento rural e novas tecnologias sociais, além da educação ambiental.

Uma das etapas desenvolvidas pelo Laboratório de Educação, do período de 2020 até agora, dentro do contexto do saneamento rural, foi o levantamento de dados secundários dos moradores dos bairros Tupi, Parque Peória, Jardim Bartira, além de loteamentos próximos. “Fizemos um levantamento das demandas por saneamento a partir desses domicílios e também um diálogo com as instituições, associação de moradores, escolas, postos de saúde da família, produtores rurais para a compreensão da realidade. Uma coisa são os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), outro detalhe é o que a comunidade traz para a gente”, argumentou Fernandes.

“A ideia”, defende ele, é que os dados coletados sirvam para contribuir no debate sobre políticas públicas voltadas ao saneamento rural no município. “Que a gente consiga saber quais caminhos tomar para a construção de tecnologias de baixo custo e de estruturas descentralizadas feito num processo de planejamento participativo com a comunidade”, concluiu.

A grade de cursos da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Piracicaba pode ser consultada no escola.camarapiracicaba.sp.gov.br/cursos.



Texto:  Marcelo Bandeira - MTB 33.121
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


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