PIRACICABA, DOMINGO, 19 DE NOVEMBRO DE 2017 Aumentar tamanho da letra
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31 DE AGOSTO DE 2017

Movimentos pedem casa abrigo para mulheres vítimas de violência


Demanda apresentada no PPA (Plano Plurianual) 2018-2021 voltou a ser pautada na audiência pública da LDO 2018



EM PIRACICABA (SP)  

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Audiência pública sobre a LDO 2018 aconteceu na noite desta quarta-feira (30)

Audiência pública sobre a LDO 2018 aconteceu na noite desta quarta-feira (30)
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Elisabe Gabi, representante das Promotoras Legais Populares (PLPs)

Elisabe Gabi, representante das Promotoras Legais Populares (PLPs)
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Pâmela Oliveira, representante do movimento Marias de Luta

Pâmela Oliveira, representante do movimento Marias de Luta
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Danielle Godoi, advogada e do movimento Marias de Luta

Danielle Godoi, advogada e do movimento Marias de Luta
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Alessandra San Martim, da Casa do Hip Hop

Alessandra San Martim, da Casa do Hip Hop
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Laura Queiroz, presidente do Conselho Municipal da Mulher

Laura Queiroz, presidente do Conselho Municipal da Mulher
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Lucineide Correa, comandante da Guarda Civil Municipal

Lucineide Correa, comandante da Guarda Civil Municipal
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Nancy Thame (PSDB), autora da emenda da casa de abrigo no PPA 2018-2021

Nancy Thame (PSDB), autora da emenda da casa de abrigo no PPA 2018-2021
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Coronel Adraiana (PPS) elogiou a Patrulha Maria da Penha

Coronel Adraiana (PPS) elogiou a Patrulha Maria da Penha
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Pâmela Oliveira, representante do movimento Marias de Luta




A criação de uma casa abrigo para proteção de mulheres vítimas de violência voltou a ser apresentada como demanda de movimentos sociais de Piracicaba. Na noite desta quarta-feira (30), durante audiência pública de discussão da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) 2018, representantes de grupos organizados reforçaram a necessidade de instalação deste serviço. O mesmo pedido foi apresentado no PPA (Plano Plurianual) 2018-2021. 

“Quanto vale a vida das mulheres?”, questionou Elisabete Gabi, do grupo PLPs (Promotoras Legais Populares). Ela informou que, na LDO 2018, há previsão de R$ 288 mil para serem investidos no atendimento da mulher vítima de violência. “Esse valor é menos da metade do que será gasto no café da manhã dos servidores? A vida das mulheres vale menos que o cafezinho?” 

Ela também citou que, na quarta-feira (30), completou um mês da morte de uma moça de 26 anos agredida pelo marido. De acordo com informações divulgadas na imprensa, ela morreu em decorrência de traumatismo craniano e hemorragia cerebral devido à agressão do companheiro. “Nós, PLPs, pedimos a revisão do Orçamento, para que priorize a vida das mulheres”, disse. 

Pamela de Oliveira, do movimento Marias de Luta, destacou a necessidade de recorte social na proteção das mulheres, com foco nas mulheres negras. “Estamos na base da pirâmide social, trabalhando informalmente, saúde precária e estudos sucateados, vendo nossos filhos morrerem e vendo muitas de nós sendo violentadas”, disse, ao citar o dado de que, entre 2005 e 2015, aumentou em 65% a violência contra as mulheres negras. “Estamos gritando há anos. Basta!” 

Também do movimento Marias de Luta, a advogada Danielle Godói lamentou a rejeição da emenda da vereadora Nancy Thame (PSDB), que incluiu no PPA (Plano Plurianual) 2018-2021 previsão orçamentária para ser construída uma casa abrigo para mulheres vítimas de violência. “Em reunião com o prefeito Barjas Negri, ele nos garantiu que a pauta das mulheres seria lembrada e a base dele rejeitou uma emenda de uma vereadora da própria base!?”, questionou. 

Danielle lamentou a falta de representação das mulheres nos espaços políticos. “Qual é a sensibilidade de quem não sente na pele a dor das mulheres?”, questionou, e ainda lembrou que, dentre as mulheres vitimadas pela violência, 40% são evangélicas. “Qual é a dificuldade da Prefeitura em, por exemplo, alugar um imóvel para ter uma casa de passagem?”, disse. 

Alessandra San Martin, representante da Casa do Hip Hop, relatou diversos crimes contra mulheres, cometidos em diferentes bairros de Piracicaba. “Maria do Bairro Paulista, professora aposentada, morta pelo ex-marido; Maria do Bairro Jupiá, morta a pauladas, após vários boletins de ocorrência; Maria do Vila Cristina, minha vizinha, mãe de um menino e morta pelo ex-marido com seis tiros, três na cabeça; e Maria de Santa Teresinha, morta por asfixia”, disse. 

Ela lembrou que o País continua sendo o quinto mais violento contra as mulheres. “A cada uma hora e meia ocorre um feminicídio no Brasil. E qual é a responsabilidade do Estado pela falha ou inexistência de políticas públicas para a defesa da vida das mulheres?”, questionou Alessandra. 

Laura Queiroz, presidente do Conselho Municipal da Mulher, reforçou o pedido da casa abrigo para mulheres violentadas. “Estamos aqui pedindo, novamente, que a emenda da vereadora Nancy Thame (PSDB) seja colocada na LDO 2018”, disse Laura. “Queremos e precisamos da casa abrigo e precisamos da sensibilidade da Prefeitura e dos vereadores”, reforçou. 

Em resposta aos questionamentos das representantes de movimentos sociais, o secretário de Finanças, José Admir de Moraes Leite, destacou que o atendimento às mulheres vítimas de violência “é uma problemática maior, do envolvimento como um todo”. Ele advertiu que não é apenas da Prefeitura, mas do Governo do Estado e da União. 

“Acho que precisa de uma mobilização neste sentido, de cobrar também recursos do Estado e do governo federal”, disse. Ele também reforçou que há questões, como a das mulheres e dos idosos, que estão diluídas dentro de outros setores dentro do Orçamento municipal. Ele citou, como exemplo, o combate à droga, que está pulverizado em várias secretarias. 

“Com o tempo a gente vai evoluindo”, disse. “A gente ainda não conseguiu evoluir na questão de concentração de alguns programas, mas estamos em conversas permanentes”, enfatizou. 

A vereadora Nancy Thame (PSDB), autora da emenda da casa abrigo no PPA 2018-2021, destacou que é necessária uma explicação melhor sobre as questões técnicas das emendas. “Mas [a casa abrigo] é uma demanda forte da população e o momento é esse, temos que conversar e enxergar os instrumentos”, disse, ao reconhecer os esforços da Prefeitura e o momento de crise. 

PATRULHA MARIA DA PENHA - A comandante da Guarda Civil Municipal, Lucineide Correa, destacou o início da Patrulha Maria da Penha, que ocorre na cidade desde maio deste ano, pela qual a corporação atua especificamente em casos que se encaixam na lei de defesa da vida das mulheres. “Desde o início da proposta, temos visto um aumento das denúncias, e isso mostra que a violência do lar não faz parte de um relacionamento saudável”, enfatizou. 

Coronel da Polícia Militar, a vereadora Adriana Sgrigneiro Nunes (PPS) destacou o trabalho da Patrulha Maria da Penha. “A Guarda Civil está de parabéns”, disse, ao enfatizar a felicidade de participar do processo político envolvendo as mulheres. “Gostei muito do posicionamento delas, porque, se elas não falarem, alguém vai falar por elas”, disse a parlamentar.



Texto:  Erich Vallim Vicente - MTB 40.337
Imagens de TV:  TV Câmara


Tópicos: Legislativo

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