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03 DE JUNHO DE 2020

Pneumologista alerta sobre riscos e cuidados com a Covid-19


Frederico Fernandes, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, voltou atenção para o problema que, segundo ele, está “longe de acabar”.



EM PIRACICABA (SP)  

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Pneumologista foi entrevistado ao vivo pelo Programa Parlamento Aberto





Na data em que se comemora o Dia do Pneumologista, 2 de Junho, responsável pelo tratamento das doenças respiratórias, o mundo atinge a marca de 375 mil vítimas do novo coronavírus, de acordo com balanço da AFP (Agence France-Presse), com base em fontes oficiais. Em entrevista ao Instagram do Parlamento Aberto, nesta terça-feira, o pneumologista e presidente da SPPT (Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia), Frederico Fernandes, alertou sobre os riscos da doença e voltou atenção para o problema que, segundo ele, está “longe de acabar”.

O surto repentino da Covid-19, que começou na cidade de Wuhan, na China, colocou o mundo todo em alerta. “Não temos defesa contra ele, não existe imunidade ainda. A sensação que temos no cuidado com os pacientes é de que estamos trocando um pneu com um carro em movimento, descobrimos coisas novas a cada hora”, contou Frederico.

Segundo ele, o novo coronavírus penetra mais fundo no sistema respiratório do que outros vírus da mesma família, acomete o pulmão e leva à pneumonia viral que pode, inclusive, desencadear um processo mais grave que é a síndrome do desconforto respiratório. “Temos três fases da doença definidas. A primeira é a replicação viral, a segunda é a fase intermediária e a terceira, a tempestade inflamatória, um processo descontrolado que atinge o pulmão e diversos outros órgãos”, explica o pneumologista.

Embora a quarentena tenha sido flexibilizada em todo o Estado, os números de novos casos e a letalidade do vírus não diminuíram. “O que aconteceu é que esse número não aumentou tanto e rápido como esperávamos. No momento em que se acena para uma reabertura do comércio, por exemplo, precisamos redobrar ainda mais os cuidados. O Estado de São Paulo continua batendo recordes de mortos e de casos”, alertou.

A doença, segundo Fernandes, se apresenta de múltiplas maneiras que vão desde casos absolutamente assintomáticos até os catastróficos, que deixam o pulmão completamente comprometido e tomado pela infecção. Em alguns casos, os indivíduos estão sujeitos a desenvolver outros problemas que podem levar ao comprometimento de outros sistemas do corpo como o vascular e cardiovascular e à coagulação do sangue.

A doença, conforme o pneumologista destaca, pode afetar o rim e o intestino. Pode levar à insuficiência renal, à miocardite e à arritmia e insuficiência  cardíaca, sem falar na trombose, embolia pulmonar e derrame cerebral. “Todos correm risco de desenvolver quadros graves, por isso, precisamos do isolamento em todas camadas da população para atrasar a chegada dos casos graves, do contrário, não há sistema de saúde no mundo que suportaria”, orientou.  

PESSOAS COM PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS – Pessoas que possuem doenças respiratórias crônicas, como asma e bronquite, estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações decorrentes do coronavírus. Eles devem, de acordo com o pneumologista, redobrar os cuidados de prevenção à Covid-19 e continuar aderindo ao tratamento que o mantem instável. “Faça exercícios físicos em casa. Pacientes respiratórios precisam se manter ativos”, aconselhou.

CLOROQUINA - Fernandes recomenda que a cloroquina e a hidroxicloroquina não sejam usadas como tratamento da Covid-19. Segundo ele, a droga tem benefício clínico “pequeno” e nível de evidências científicas “baixo” quanto à sua eficácia.

“Pensava-se que a cloroquina pudesse ajudar pela ação que ela tem no laboratório, in vitro, mas o problema é que a cada 10 mil medicamentos com ação in vitro, apenas uma de fato vai se reverter como ação no doente. Me preocupa muito usar um remédio com risco de efeitos colaterais graves num individuo que está com uma pneumonia viral. As chances de eu prejudicar o paciente são bem maiores do que ajudar”, explicou.

RESFRIADOS COMUNS X COVID-19 - De acordo com o pneumologista, os principais sintomas associados à Covid-19 são febre, tosse e dificuldade para respirar. No entanto, uma pessoa gripada pode apresentar o mesmo quadro. O especialista alerta para um sintoma que chama atenção da Covid-19: a diminuição ou a perda total do paladar.  

“Se você não está sentindo cheiro ou gosto de comida, deve redobrar a atenção. Esse sintoma é muito sugestivo da Covid-19. Além disso, o tempo que os sintomas de um resfriado comum costuma perdurar é de três a cinco dias, enquanto os do coronavírus começam a piorar a partir do quinto dia. Isso é o que o diferencia dos quadros gripais comuns”, informou.

Ele lembra que, em geral, é uma boa ideia ficar em casa caso o individuo apresente algum sintoma de gripe, a fim de evitar o risco de espalhá-lo para outras pessoas. “Neste momento pratique a boa higiene e tenha responsabilidade consigo e com os outros”, orientou.

FAKE NEWS - “Temos que combater duas coisas: a pandemia e a desinformação. Destaco o trabalho fundamental da imprensa durante esse período no combate às fake news e ao negacionismo que existe no mundo todo, especialmente no Brasil”, refletiu. Se faz “mais do que necessário”, segundo ele, entender os riscos e a gravidade da doença que ainda não tem cura nem remédios com a eficácia comprovada.  

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Texto:  Raquel Soares
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Revisão:  Erich Vallim Vicente - MTB 40.337


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