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05 DE MARÇO DE 2020

Iniciativa valoriza as 13 vereadoras eleitas na história de Piracicaba


Evento promovido por Coronel Adriana e Nancy Thame, dentro das atividades do Mês da Mulher, trouxe à Câmara três ex-vereadoras.



EM PIRACICABA (SP)  

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Um encontro histórico, na tarde desta quinta-feira (5), celebrou as mulheres eleitas em 198 anos da Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Desde 1822, houve 61 renovações dos grupos que ocuparam uma cadeira no Legislativo municipal. O número de parlamentares em cada legislatura variou de 3 ––nos primórdios da Casa, quando os mandatos duravam apenas um ano–– aos atuais 23. Mais de 200 pessoas, ao longo de quase dois séculos, representaram as diferentes parcelas da sociedade na Câmara e, no entanto, somente 13 mulheres integram esse grupo.

O número já inclui as atuais vereadoras Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, a Coronel Adriana (CID), e Nancy Thame (PSDB). À frente da organização das atividades do Mês da Mulher na Câmara, realizado em parceria com entidades e coletivos da cidade, elas promoveram o encontro a fim de valorizar a presença feminina no Legislativo municipal, que começou em 1950, com a então suplente de vereador Laudelina Cotrin de Castro.

A história seguiu com Maria Benedita Pereira Penezzi, com quatro mandatos entre 1956 e 1972; Adeli Bacchi Dias de Moraes e Silva (vereadora de 1983 a 1988); Raimunda Ferreira de Almeida (com dois mandatos, entre 1989 e 1996); Esther Sylvestre da Rocha (1993 a 1996); Márcia Gondin Dias Pacheco (com seis mandatos, entre 1993 e 2016) e Ivete Cipulla de Souza Madeira (com três mandatos, entre 1997 e 2008).

Também integram o grupo Aparecida Gregolin Abe, Laurisa Maria Jorge Cortellazzi e Tereza Cardoso Neves (as três exerceram mandato de 2001 a 2004) e Rosangela Camolese, que, eleita para a legislatura 2009-2012, se licenciou para ser secretária no Executivo municipal. A lista é completada por Coronel Adriana e Nancy Thame, com mandatos que tiveram início em 2017.

No encontro desta quinta-feira, as atuais parlamentares recepcionaram, na sala de reuniões do segundo andar do prédio anexo da Câmara, três ex-vereadoras: Rai de Almeida, Esther Rocha e Laurisa Cortellazzi. Representantes de Ditinha Penezzi, Ivete Cipulla (ambas falecidas) e Cida Abe também estiveram presentes.

O evento marcou o lançamento de uma seção, dentro do site da Câmara, que detalha a história das 13 mulheres com mandato no Legislativo. Fruto de pesquisas do Departamento de Documentação e Transparência, o glossário traz dados pessoais, da carreira profissional e da trajetória política de cada vereadora.

"Este é um momento muito especial, de reflexão para nós. Fizemos uma pesquisa sobre as mulheres que já passaram nesses quase dois séculos de Câmara em Piracicaba. Sabíamos que éramos poucas, mas nunca paramos para contar: somos 12 eleitas e uma suplente", relatou Nancy Thame, ao observar que a reduzida presença feminina no Legislativo local reflete o cenário nacional.

"Hoje, há uma mulher vereadora a cada sete homens vereadores no Brasil. No ranking mundial de representação feminina em parlamentos, estamos na 154ª posição entre 193 países. Esta hora é de união, de sentir o quanto a sociedade carece de ter políticas públicas com o olhar das mulheres, o qual faz a diferença", completou.

Nancy Thame destacou o fato de o Legislativo piracicabano, desde a atual legislatura, contar com a Procuradoria Especial da Mulher, composta por ela e por Coronel Adriana. A instituição do órgão permite às vereadoras emitir opinião sobre matérias que tramitam na Casa, a fim de garantir o respeito às políticas públicas voltadas à mulher. "É um espaço de voz para que tenhamos vez nos projetos", sintetizou.

Para Nancy Thame, o aumento da representatividade feminina no parlamento esbarra na forma como se consolidaram a direção dos partidos políticos, "com executiva só de homens em muitos deles", no financiamento menor destinado às campanhas de candidatas ("Tem menos recursos para as mulheres sempre, isso é fato") e em questões culturais históricas.

Coronel Adriana defendeu que a história das vereadoras "precisa ser eternizado" na Casa, a exemplo do que já ocorre em outras Câmaras visitadas pela parlamentar. "Faz dois meses que estamos trabalhando, é importante ter esse espaço fixo de visibilidade da mulher, para que as pessoas vejam que, em quase 200 anos de Câmara, são só 13 vereadoras."

"Precisamos encorajar mais mulheres a participarem da política e é isso o que quisemos fazer com essa proposta. Somos mais de 50% da população do país e, ainda hoje, temos essa dificuldade de ter representantes ––e o nosso olhar, querendo ou não, é diferente", completou Coronel Adriana.

Vereadora por dois mandatos, Rai de Almeida elogiou a iniciativa de "resgatar a história das mulheres na Câmara de Vereadores de Piracicaba". "Porque este é um espaço em que predominam os homens e onde há dificuldade de as mulheres terem visibilidade. Eu era a única mulher entre 21 vereadores. Mesmo em momentos em que fomos quatro, não foi diferente: as mulheres ocupam um espaço que é tido como masculino, somos tidas como intrusas, inadequadas, com os preconceitos que decorrem disso, contra nosso jeito de falar e se vestir ––lembro que saiu no jornal o jeito em que eu estava vestida, meu sapato, meu cabelo", recordou.

"Quando cheguei aqui, não tinha banheiro feminino, pois era um espaço masculino. Não havia gabinetes, porque não era um espaço onde os vereadores ficavam para receber seus eleitores, em que as pessoas falassem com seus representantes. Não havia assessoria para os vereadores; se quiséssemos, teríamos que pagar com nossos próprios salários. Mas era rico o debate: tinha uma riqueza que foi se perdendo ao longo da história, não só em Piracicaba, mas no Legislativo de modo geral ––o Executivo também tem sido pobre nas discussões", continuou.

Rai disse que, em seu mandato, conseguiu "trazer à Casa o debate das mulheres". "Estávamos no processo de discussão da Lei Orgânica do Município e asseguramos um título que fala da necessidade de elaboração e execução de políticas públicas para as mulheres. Fizemos o embate e conseguimos impor, e impor mesmo; às vezes somos tidas como 'loucas' porque temos que falar num tom para que sejamos ouvidas, porque os homens muitas vezes sequer querem nos ouvir."

Esther Sylvestre da Rocha também fez um balanço de sua passagem pela Câmara, entre 1993 e 1996. "Sempre fui muito rebelde, desde criança: meus pais tiveram dificuldades, porque eu questionava bastante. Gostei demais de ser vereadora, fazia tudo com muita firmeza e certeza do que pretendia. Modéstia à parte, do tempo em que estive na Câmara, deixei alguma coisa boa."

A trajetória de Esther no Legislativo foi abreviada em razão de sua candidatura a prefeita nas eleições de 1996 ––ela acabou integrando a gestão de José Machado, período em que foi chefe de gabinete do prefeito e secretária municipal de Administração. "Acho que fiz bastante pelo povo de Piracicaba", comentou a ex-vereadora, dizendo-se "muito feliz" por estar no evento promovido pela Câmara. "Quando a mulher quer fazer alguma coisa, o mundo inteiro se afasta para deixá-la passar", enfatizou.

Sentimentos como "emoção e alegria" também foram expressos por Laurisa Cortellazzi durante o encontro desta quinta-feira. "Gratidão por me darem a oportunidade de servir, porque é assim que a vida tem sentido. Tenho orgulho de ter feito parte da primeira Câmara do século 21."

Médica pediatra, ela apontou a mobilização contra a usina Carioba 2 como momento mais marcante de seu mandato. "A meiguice, a bondade e o verdadeiro amor do nosso coração não extinguem nossa inteligência, nem nossa capacidade de visão e luta. Eu também fui criticada. Perguntavam: 'Será que a doutora vai conseguir fazer algo na comissão?' Eu consegui, porque sou inteligente."

Vice-presidente da Câmara, Pedro Kawai (PSDB), que participou do encontro também como representante da ex-vereadora Cida Abe, parabenizou a iniciativa de Coronel Adriana e Nancy Thame e enalteceu o papel das mulheres no Legislativo piracicabano. "Esse trabalho vem sendo construído a passos duros e suados. Se temos resultado hoje, é porque pessoas lá atrás colaboraram muito para isso."



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Rodrigo Alves - MTB 42.583


Mulher Adriana Nunes Nancy Thame

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