PIRACICABA, QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2020
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16 DE JULHO DE 2020

Em live, educomunicadora destaca formação cidadã no ambiente digital


Andressa Caprecci participou de live na tarde desta quarta-feira (15) e explicou o papel do educomunicador no processo de cidadania digital



EM PIRACICABA (SP)  

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"A educomunicação é construir um espaço de cidadania, moldando a criança para viver em sociedade", disse a profissional







Entender o ambiente digital e como, a partir dele, transformar cidadãos parece uma tarefa um tanto quanto difícil. Essa é uma das vertentes da educomunicação, área que une a educação e comunicação e que ainda está em processo de formulação. Para detalhar como funciona o ramo e a importância para a cidadania digital, a educomunicadora Andressa Caprecci participou da live na tarde de quarta-feira (15) no Instagram do Parlamento Aberto.

De acordo com Andressa, ainda nos anos 80 surgiu um movimento latino-americano onde as pessoas começaram a se organizar e ligar a educação e comunicação, o que gerou muito interesse dos pesquisadores em nomear e entender as práticas.

Nos anos 90, como contou a entrevistada, começou um trabalho de pesquisa pela ECA (Escola de Comunicação e Artes) na USP (Universidade de São Paulo), onde ela se formou. Em 2000, surge a pós-graduação em educação e comunicação. Somente um ano após, surgem as duas graduações em educomunicação: uma na USP (licenciatura) e outra em bacharelado na UFCG (Universidade Federal de Campina Grande).

“Esse campo olha o processo educativo com foco na comunicação, ou seja, entender esse lugar, o que tem por trás de uma mensagem. Não é uma coisa técnica, mas o lado crítico que você tem por trás disso, olhar para a educação com o viés da comunicação”, disse.

A partir do momento em que se começaram as graduações, profissionais começaram a se formar para atuar em várias áreas, como em ONGs (Organizações Não-Governamentais) e escolas por exemplo, onde Andressa trabalha no momento. “Nessa área, o profissional vai olhar para a gestão da comunicação da escola e pensar em projetos para as crianças e professores que se relacionem com as tecnologias”, disse.

Andressa exemplificou o trabalho nas escolas na atuação de linhas de aprendizagem com professores. Por exemplo, se o professor quer falar sobre ilhas, mas de uma forma diferente, então o educomunicador vai ver as ferramentas que ele tem para isso e quais podem ser usadas para esse trabalho, como a elaboração de um vídeo.

CIDADANIA DIGITAL – Atualmente trabalhando como educadora de tecnologias educacionais, Andressa reforçou que a vertente de cidadania digital também é uma das mais cruciais para que o cidadão seja educado dentro do ambiente digital.

“Essa 'praça pública' que denominamos a internet, ainda é classificada como ambiente em que cada um vai para um lugar, mas na verdade, é um ambiente em que todos estão no mesmo lugar, porém sem entender o porquê”, salientou.

Andressa explicou que a internet é, na verdade, um reflexo da sociedade e que assim como as pessoas nascem e aprendem a ter relações sociais, na internet também é importante que saibam como ter essa relação social. “Temos que debater o conceito de nativos digitais, porque ele pressupõe que a criança nasceu nesse momento em que tudo se relaciona, mas isso não quer dizer que elas saibam o que fazer nesse ambiente digital”, disse.

Segundo a educomunicadora, é aí que entra o seu trabalho, pois as pessoas que estão “soltas” nesse universo precisam de mediação, principalmente as crianças. “Assim como ensinamos elas a atravessarem a rua, temos que ensinar que a internet é um ambiente de riscos e oportunidades e nós não queremos que esses riscos virem danos”, reforçou.

NA PRÁTICA – Para exemplificar como funciona o trabalho na prática, pois ainda muitas pessoas não conhecem sua funcionalidade, Andressa explicou sobre um projeto que  desenvolve em uma escola que trabalha com crianças do 5º ano. “É um projeto chamado 'Cidadania Digital’, em que começamos a introduzir o Google na sala de aula para as crianças terem mais autonomia”, contou.

Segundo ela, assim como esse projeto, outros tem que ser pensados para cada faixa etária, ou seja, se são para crianças menores explica-se como digitar, por exemplo, e assim, conforme crescem, ensina-se como interagir de forma correta na internet.

“Falamos sobre essa ‘praça pública’, sobre o respeito que temos que ter um com o outro. Quando terminamos a prática, seja uma aula ou um planejamento, sentamos e conversamos como isso serviu para os alunos e professores de alguma forma. A educomunicação é construir um espaço de cidadania, moldando a criança para viver em sociedade”, salientou.

Porém, como citou Andressa, o grande desafio também está na inclusão para garantir acesso a internet a todos. Para que isso seja feito, em sua opinião, é necessário políticas públicas e a união de uma rede de apoio.

DISTÂNCIA X REMOTO – Ao final da live, a profissional comentou sobre as normas formas de aprendizagem exercidas devido a pandemia do coronavírus: a educação a distância e a aulas remotas.

Andressa reconheceu que o momento é complicado e que muitos profissionais tiveram que se readaptar para poder lidar com a situação. “Existe diferença entre educação a distância e ensino remoto que as escolas tiveram que se adaptar. A educação a distância já existia e era feito tudo online, mas hoje o ensino remoto com as escolas foi uma atitude pensada rapidamente para que as escolas continuassem", explicou.

Para ela, é crucial que não se esqueça de reconhecer o trabalho dos profissionais de educação que também tiveram que se readaptar nesse momento. "Não é uma tarefa fácil, mas é claro que o processo educativo precisa de muito toque, carinho, e hoje o amor é estar longe um do outro”, reconheceu.

Para aqueles que tem curiosidade mais sobre o assunto, Andressa deixou duas dicas de livros sobre a educomunicação: Educomunicação  - Construindo uma nova área do conhecimento (Adílson Odair Citelli; Maria Cristina Castilho Costa) e Edocomunicação -  Conceito, Profissional e Educação (Ismar Soares).

Ela também deixou disponibilizado seu perfil no Instagram e a página no Facebook desenvolvida pelos alunos do curso de licenciatura em edocumunicação da ECA-SUP, chamada "O que a Educom faz?", para seguir clique aqui.

ACESSE O CONTEÚDO
As lives do programa Parlamento Aberto são realizadas no perfil do Instagram, que pode ser acessado em @parlamento_aberto.

As entrevistas também podem ser acessadas no canal do YouTube do Departamento de Comunicação da Câmara de Vereadores de Piracicaba e, ainda, no podcast produzido pela Rádio Câmara Web.

Para receber as informações do Parlamento Aberto direto no celular, é possível se cadastrar na lista de transmissão do Whatsapp neste link.

 



Texto:  Ana Caroline Lopes
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Revisão:  Erich Vallim Vicente - MTB 40.337


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