PIRACICABA, DOMINGO, 3 DE JULHO DE 2022
Aumentar tamanho da letra
Página inicial  /  Webmail

13 DE MAIO DE 2022

Câmara aprova moção de repúdio a declarações do ex-presidente Lula


Propositura de autoria do vereador Fabrício Polezi (Patriota) foi votada durante a 17ª reunião ordinária, na noite de quinta-feira (12).



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Guilherme Leite - MTB 21.401 Salvar imagem em alta resolução

Moção de repúdio 65/2022 é de autoria do vereador Fabrício Polezi (Patriota)






A Câmara Municipal de Piracicaba aprovou, na noite de quinta-feira (12), durante a 17ª reunião ordinária, a moção de repúdio 65/2022, que critica às declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referentes à médica Nise Yamaguchi. Autor da propositura, o vereador Fabrício Polezi (Patriota) classifica as falas como “machista” e “xenofóbica”. A votação se encerrou em 10 x 5.

Durante a discussão da moção, a vereadora Ana Pavão (PL) relatou que, por conta da reunião passada, precisou se ausentar durante a votação da mesma propositura e sofreu ato machista quando, em mensagem por celular, “um parlamentar me disse: ‘quinta-feira, você fica na sessão, não se ausente dos seus direitos e vote consciente, e todos viverão felizes para sempre’”. 

Ana Pavão relatou que, por conta de sessões de quimioterapia que realiza quinzenalmente, ela precisa ir nas reuniões com uma bomba de infusão. “Eu venho aqui legislando por quem votou em mim”, salientou, ao informar que a quimioterapia causa sintomas de inquietude, náuseas, dores nas juntas e diarreias, “e esses podem ser algum dos motivos que eu saio das sessões”, explicou. 

Ela enfatizou que, quando sai de qualquer tipo de reunião “é porque realmente eu preciso me ausentar”, disse e criticou o “machismo cultural instaurado nesta Casa”.

Embora tenha votado ‘sim’ para a moção de repúdio, a vereadora disse que “o sim não é por quem pediu para mim e não é porque fizeram carinha (quando precisou se ausentar da reunião), mas meu voto é ‘sim’ por todas as formas de preconceito, então, eu voto ‘sim’ pelo ato (do ex-presidente Lula) e não pelo autor”. 

A vereadora Rai de Almeida (PT) voltou a criticar a moção de aplausos – como já havia feito na semana passada, quando a propositura não foi votada por falta de quórum – e classificou como “fake news” o conteúdo da moção, “já que o ex-presidente Lula não é ex-condenado, porque não tem nenhum processo que ele tenha sido condenado, todos os processos foram nulos, a ONU (Organização das Nações Unidas) jogou uma pá de cal em cima”, acrescentou.

Rai ainda criticou a “fala preconceituosa” do autor da moção sobre a deficiência do ex-presidente Lula. “Vemos reproduzido esse preconceito, essa discriminação do vereador para o presidente e, ainda, a médica citada na moção foi responsável pela morte de muitas pessoas por conta de seu negacionismo”, disse.

O vereador Rerlison Rezende, o Relinho (PSDB), disse que o ex-presidente Lula errou e é isso que a moção está dizendo. “Ele não foi absolvido, ele é condenado”, destacou, ao salientar que irá “votar naquilo que sempre votei, se é certo ou errado, e a moção diz que ele feriu a honra das mulheres”, concluiu.

Em aparte, o vereador Fabrício Polezi (Patriota) questionou que se o ex-presidente Lula ficou preso por dois anos, “então foi algo da nossa cabeça”, sugeriu.

O vereador Zezinho Pereira (União Brasil) disse que via “com tristeza” a moção apresentada na Câmara. “Todos cometem erros e eu acho que essa não melhora a nossa cidade, ela não contribui com a nossa cidade”, disse. Zezinho questionou se a moção de repúdio seria mais importante do que uma proposta de emenda voltada para atendimento de crianças e adolescentes autistas, “e que o autor desta propositura votou contra”, disse, ao definir o voto “não” à moção. 

Também contrário à moção de repúdio, o vereador Pedro Kawai (PSDB) disse que não está tomando um lado, “não sou lulista, não sou bolsonarista”, salientou, ao lembrar que “em nenhum momento existem apenas dois lados na Democracia”. O parlamentar pediu para as discussões focarem no contexto geral. “Vamos discutir a inflação de dois dígitos e o desemprego. Não podemos levar a política para o lado pessoal. Eu sou contrário às moções de repúdio daqui”, concluiu. 

Na justificativa de voto, o vereador Paulo Camolesi (PDT) criticou as discussões em torno de políticos, “em meus 70 anos, não vi e tenho certeza que não verei político algum que irá salvar a Humanidade”, disse.



Texto:  Erich Vallim Vicente - MTB 40.337
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Legislativo Fabricio Polezi

Notícias relacionadas