24 de março de 2026
Bióloga defende soluções baseadas na natureza contra impactos da crise climática
Tainá Yumi Patriani, mestre e doutoranda em ecologia aplicada pela Esalq, discursou na Tribuna Popular da 13ª Reunião Ordinária, na noite desta segunda-feira (23)
A bióloga, mestre e doutoranda em ecologia aplicada pela Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo) Tainá Yumi Patriani defendeu, em discurso na Tribuna Popular da Câmara Municipal de Piracicaba na noite desta segunda-feira (23), na 13ª Reunião Ordinária, a adoção de soluções baseadas na natureza no ambiente urbano a fim de enfrentar problemas advindos da crise climática.
“Quando eu estou falando de soluções baseadas na natureza, eu estou falando sobre soluções que têm como propósito a proteção, o manejo e a restauração de ecossistemas, sejam eles naturais ou manejados, para a gente conseguir enfrentar os maiores desafios sociais possíveis”, destacou a oradora.
Ela citou como exemplos de eventos climáticos que têm afetado a população piracicabana: deslizamentos, enxurradas, alagamentos, ilhas de calor e seca.
“Isso ficou bastante claro para a gente no início do ano, no final de janeiro, quando vimos os eventos de alagamento, principalmente na região da [avenida] Armando de Salles Oliveira e da Avenida Piracicamirim. Ali na frente do Clube de Campo, o asfalto ficou arrasado. Enfim, tivemos inclusive a morte de um motociclista na região da 31 de Março”, disse.
De acordo com a pesquisadora, o plano diretor da cidade “identifica 52 zonas especiais de risco de alagamento. Hoje, Piracicaba está entre os municípios mais vulneráveis à crise climática do país, sendo o 11º no estado, com quase 3 mil pessoas em áreas de risco geohidrológico”.
Soluções e exemplos – Entre as soluções baseadas na natureza disponíveis para enfrentar os problemas advindos da crise climática, Tainá destaca a importância da arborização urbana para reduzir as ilhas de calor, a implantação de microflorestas urbanas visando aumentar a permeabilidade do solo, a criação de parques lineares com áreas alagáveis, o reflorestamento de encostas, telhados verdes e outras.
“Já pensando em enxurradas e inundações, temos os jardins e os canteiros de chuva, as biovaletas, a própria pavimentação permeável e os parques inundáveis”, falou.
Ela citou como exemplo o Parque Inundável do Barigui, em Curitiba, “um parque que foi projetado para ser inundado. Então, pensa-se estrategicamente em uma área que pode ser alagada, e isso vai minimizar as chances de que essa água se espalhe para bairros vizinhos. No caso das secas, as próprias estratégias de enxurrada e inundação são válidas também, uma vez que a água penetra no solo e reabastece o lençol freático".
A oradora ainda defendeu que essas soluções, diferentemente do que o senso comum aponta, podem trazer benefícios não apenas a longo prazo: “Campinas está investindo muito nas microflorestas. Hoje, Campinas está com uma meta de implementar 200 microflorestas até 2029. Só para termos uma ideia de que não estamos mais falando de um tipo de solução que vai trazer impacto apenas no médio e no longo prazo. 2029 é daqui a três anos. Imagina daqui a três anos qual já não será o impacto em termos de permeabilidade para a cidade, uma cidade que está tão impermeabilizada”.
“Estivemos juntos em Campinas para ver como estão sendo feitas essas microflorestas, criamos o grupo Planeja Pira, então é uma viabilidade, dá para fazer alguma coisa. Eu acho que precisa ter planejamento, vontade política, recursos. Então, que dá para fazer, dá. E às vezes não é a curto prazo, mas a médio e longo prazo; porque se não começar agora, não veremos a adaptação das cidades à crise climática, então é importantíssimo”, disse a vereadora Silvia Morales (PV), do mandato coletivo A Cidade é Sua.
“Nós temos aqui, em Piracicaba, uma cidade que cresce de forma desordenada. Minha mulher tem parentes em Maringá, então estou sempre lá, e as vias arborizadas de lá são um negócio sensacional. Eu venho da segurança pública, sou especialista em criminologia. E a criminologia diz que o meio ambiente está intimamente ligado aos altos índices criminais. Então, se você tem um ambiente bem estruturado, bem arborizado e cuidado, você mostra que aquele ambiente tem dono, que aquele ambiente tem ordem, e aí você afasta a desordem”, destacou o vereador Renan Paes (PL).
O discurso completo de Tainá Yumi Patriani está disponível no vídeo acima.
Supervisão: Rodrigo Alves - MTB 42.583
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