PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 29 DE SETEMBRO DE 2020
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19 DE MAIO DE 2020

Após apelo da Câmara, Artesp anuncia revisão de praça de pedágio


Vereadores participaram de videoconferência com diretores da agência nesta terça-feira



EM PIRACICABA (SP)  

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A Artesp (Agência Reguladora do Transporte do Estado de São Paulo) irá revisar a instalação de uma praça de pedágio no quilômetro 180 da rodovia SP-308 (Hermínio Petrin), que liga Piracicaba a Charqueada. A decisão surgiu após apelo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, que sugeriu estudos para que o equipamento fique no KM 182 + 250 da rodovia.

A sugestão do novo trecho foi apresentada na manhã desta terça-feira (19), em reunião por videoconferência com os diretores da agência, Renata Dantas (assuntos institucionais), Alberto Silveira Rodrigues (operações) e Pedro da Silva Brito Júnior (investimentos), além de Fernando Hurtado, da assessoria parlamentar da Artesp.

De Piracicaba, participaram o presidente e vice-presidente da Câmara, Gilmar Rotta (CID) e Pedro Kawai (PSDB), além dos parlamentares Aldisa Marques, o Paraná (CID), Isac Alves de Souza (PTB), José Aparecido Longatto (PSDB), Laércio Trevisan Jr. (PL), Marcos Abdala (REP), Nancy Thame (PV), Paulo Henrique Paranhos (REP) e Oswaldo Schiavolin, o Tozão (PSDB). Houve ainda a participação do deputado estadual Roberto Morais (CID), do vereador de Charqueada, Wilson Tietz, e do representante dos bairros, Valdemar Correr.

Para o presidente Gilmar Rotta, a postura da Artesp é sensata. “Em nome da Câmara, agradeço os diretores por entenderem o nosso clamor, que é também o das comunidades de Santana e Santa Olímpia. A Câmara está atenta à demanda dos dois municípios, Piracicaba e Charqueada. Daremos o prazo para que façam o estudo e, assim que estiver pronto, teremos uma nova reunião”, disse.

O deputado Roberto Morais disse que está atento às discussões. “Sou da Comissão de Transportes da Alesp e fui o único deputado presente no movimento das comunidades. A praça de pedágio nas proximidades de Santana e Santa Olímpia provocará aumento de caminhões de lenha e treminhões das usinas de cana. Os bairros seriam destruídos em meia hora”, declarou ele, ao manifestar preocupação ainda com o isolamento das comunidades de Recreio, Santa Luiza, Córrego da Onça e Paraisolândia, em Charqueada.

Segundo o diretor de operações Alberto Rodrigues, o KM 182 + 250 não estava entre os trechos analisados pela Artesp e será necessário um novo estudo técnico. “Este é um novo local, que surgiu como consenso entre os vereadores. Precisamos de alguns dias para elaborar o trabalho e darmos uma posição dos impactos. Teremos outras reuniões, para avançarmos com os vereadores e o deputado. Quando pensamos em um pedágio, não se fala apenas de engenharia e trafego, mas de pessoas, por isso a preocupação social”, disse.

A diretora de assuntos institucionais da Artesp, Renata Dantas, informou que embora tenha ocorrido a assinatura de contrato com a empresa executora da obra, há a possibilidade de ser alterado o local em que ficará a praça. “Os contratos já preveem a alteração da localização. A escolha não é aleatória. No primeiro estudo, a sugestão era do KM 182. Recebemos contribuições e notamos problemas naquela localidade. Fizemos outro estudo, acompanhados de técnicos de renome no mundo, e chegamos ao KM 180. Mas estamos aqui para dizer que existe a possibilidade de rever”, declarou.

Os diretores mencionaram ainda que as comunidades localizadas próximas ao pedágio terão tarifa decrescente, uma espécie de tarifa social, além de construção de limitadores de altura e largura em vias com potencial de se tornarem rota de fuga.                        

As alternativas estudadas pela Artesp foram apresentadas pelo supervisor de equipe Leandro Cardoso Trentin: o KM 180 + 400, que traria aumento de 10 minutos e 3 quilômetros de percurso; o KM 183 + 600, que provocaria prejuízo ao pavimento do distrito de Santa Luzia, em Charqueada, e a necessidade de fechamento de dois acessos municipais, para evitar a fuga de tráfego; e o KM 187 + 100, descartado do projeto porque isolaria o distrito de Santa Luzia da mancha urbana principal de Charqueada, gerando desequilíbrio econômico-financeiro ao Estado.

Já o diretor de investimentos Pedro da Silva Brito Júnior comunicou que novos estudos podem ser concluídos. “A nossa linha de ação é a de resolver do melhor jeito possível para todos”, disse, ao reforçar ainda que a obra tem altos investimentos.

PREOCUPAÇÃO –– Os parlamentares que participaram da videoconferência endossaram a necessidade de revisão do projeto. O vereador Pedro Kawai (PSDB) disse que participou da audiência pública em Rio Claro, quando o pedágio foi anunciado. Para ele, a praça no KM 182 + 250 “não prejudica ninguém e não isola comunidades.”

Para Laércio Trevisan Jr. (PL), é preciso garantir o direito de ir e vir dos moradores. “O pedágio não pode taxar esses moradores. Tem que rever, a partir dos princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade e moralidade. O KM 182 + 250 é o ideal”, disse.

A vereadora Nancy Thame (PV) comentou as peculiaridades dos bairros. “Seus pequenos produtores rurais estão sofrendo os impactos da pandemia. Os moradores precisam ter o direito do ir e vir para estudar e trabalhar. Mesmo que exista uma redução do valor da tarifa, será bastante impactante.”

Morador da região de Santa Teresinha, José Aparecido Longatto (PSDB) disse ser “partícipe e solidário ao conclamo das comunidades” e questionou a Artesp sobre melhorias nas rotatórias do bairro Parque Piracicaba e em frente ao posto Bigaton.

Já o vereador Tozão reforçou a unidade de pensamento dos vereadores, em torno da causa. “Temos, aqui, vários vereadores com a mesma ideia, mesmo que sejam de diferentes partidos.”

Na opinião do vereador Marcos Abdala (REP), é preciso que o impacto social da praça de pedágio seja levado em conta pela agência. “Eles dependem muito da cidade de Piracicaba, é um corredor natural para idas e vindas. Não somos contra o progresso, mas o pedágio acarretaria no aumento do custo de vida dos moradores”, declarou.

Vereador de Charqueada, Wilson Tietz disse que os moradores de seu município ficaram surpresos com o levantamento sendo realizado pela empresa Cape Engenharia para o KM 187, o que provocaria a divisão dos bairros Santa Luzia e Recreio. “Reforço que o KM 182 + 250 é o ideal”, disse.

Já Waldemar Correr, representante das comunidades, agradeceu ao apoio da Câmara. “Com todas as tecnologias que existem, é importante que as pessoas se pautem pelo parecer técnico, mas não se esqueçam dos problemas que nossos bairros enfrentarão. A gente agradece o apoio da Câmara, do prefeito e do deputado. Não podemos ficar separados do município de Piracicaba.”



Texto:  Rodrigo Alves - MTB 42.583
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Câmara José Longatto Laércio Trevisan Jr Paulo Henrique Gilmar Rotta Pedro Kawai Isac Souza Nancy Thame Marcos Abdala Osvaldo Schiavolin Aldisa Marques

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