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25 DE NOVEMBRO DE 2019

Saúde da população de terreiro é tema de bate-papo na Câmara


A convite do vereador Marcos Abdala, Wilson Lima Santos e Moisés Taglieta, participaram, nesta segunda-feira, do programa Câmara Convida.



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 (1 de 7) Salvar imagem em alta resolução

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.

Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.
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Taglieta e Santos acreditam que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”.



O coordenador do Cedic (Centro de Doenças Infecto Contagiosas) Moisés Taglieta e Wilson Lima Santos, conselheiro do Conepir (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba) participaram, nesta segunda-feira (25), a convite do vereador Marcos Abdala (REP), do programa Câmara Convida, para falar sobre a saúde da população de terreiro na cidade.

Para Taglieta, a intolerância e a falta de conhecimento impedem que as comunidades de matriz africana tenham acesso a determinados serviços, principalmente na área da saúde.

“O povo que frequenta terreiro busca a cura física através da espiritual e utiliza de alguns remédios como ervas para alcançá-la. Acontece que alguns elementos utilizados no terreiro provocam reações ou tiram a potência de medicamentos para Aids, por exemplo. Foi pensando nisso que iniciamos a discussão em torno dessa questão”, explicou o coordenador do Cedic.

Ele disse que até mesmo a grande maioria dos agentes de saúde e das organizações não governamentais têm medo de prestar atendimento nesses espaços e que quebrar paradigmas em torno das religiões africanas é “essencial para uma sociedade mais justa”. “Temos a obrigação de manter a laicidade do Estado. Precisamos respeitar a diversidade para que todas as pessoas tenham acesso a seus direitos básicos”, ponderou.

A discriminação, o preconceito e o racismo, segundo Taglieta, fecham as portas para a população negra do país. “Há maior número de gestantes negras com HIV do que gestantes brancas. A aids acomete negros e brancos, mas os que morrem mais são os negros. Não porque o vírus escolhe a população negra, mas porque a assistência não chega até ele”, observou.

O conselheiro do Conepir e adepto da religião Candomblé, Wilson Lima Santos, explicou que a religião afro-brasileira de matriz africana, cultua os orixás e os reverencia por meio de danças, cantos e oferendas. “É muito importante estar em um espaço público falando sobre uma religião que, ainda em 2019, não é compreendida pela população. Por isso, é preciso divulgar informações corretas, capazes de tirar as más impressões que ainda restam de um país escravocrata. Precisamos descontruir e construir novas mentes”, alertou.

Para ele, falar sobre a saúde da população de terreiro é reconhecer a importância de suas práticas, já que, de acordo com mapeamento realizado em 2005, a cidade de Piracicaba possuí mais de 150 terreiros. “Só por meio do diálogo, é possível alcançar um maior respeito à cultura dos terreiros, que já possuem um modelo de cuidado e atenção à saúde voltadas às questões físicas e também espirituais”, frisou.

Durante a entrevista, o conselheiro esclareceu que a palavra “macumba”, usada de forma genérica e pejorativa para se referir a um conjunto de religiões afro-brasileiras, quer dizer, dentro da linguagem africana, festejar, ou instrumento de percussão de origem africana, semelhante a um reco-reco.

“Nós, como religiosos, falávamos que íamos fazer macumba boa, o que significava que faríamos uma festa boa. Macumba é reunião, é festa, ou se pesquisar na internet vai descobrir que também pode ser um instrumento musical. Pleno 2019 e ainda estamos discutindo se a macumba é ou não coisa do mal", refletiu.

Em alusão ao dia Nacional da Consciência Negra, celebrado na última quarta-feira (20), a Câmara promove, até o dia 29, por iniciativa do vereador Marcos Abdala (REP), a Semana de Religiões Afro-brasileiras. Nesta terça-feira (26), às 14h30, Adilson Abreu abordará a mitologia africana. No dia 27, às 14h30, Felipe Bicudo e Yademaza falarão sobre o tema "A História da Umbanda e Candomblé”.

Já no dia 28, às 14h30, o advogado Luciano Alves falará sobre políticas públicas para a população negra e no dia 29, no mesmo horário, Vânia Soares, secretária executiva do Fórum Inter-religioso para uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença, da Secretaria da Justiça e Cidadania fala sobre as políticas do governo do Estado de São Paulo para o negro.

O programa é transmitido pela TV Câmara e pelo Facebook da Câmara de Vereadores. 



Texto:  Raquel Soares
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Tópicos: CâmaraMarcos Abdala

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