PIRACICABA, SEXTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2023
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24 DE NOVEMBRO DE 2022

Autoridades e lideranças negras descortinam histórias de nosso racismo


Debate promovido pela Escola do Legislativo avaliou os 12 anos da lei estadual 14.187/2010, contra o racismo, o que também abriu discussão sobre xenofobia aos nordestinos



EM PIRACICABA (SP)  

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Fabíola Pousa

Fabíola Pousa
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Acácio Godoy

Acácio Godoy
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Acácio Godoy

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Antonio Carlos

Antonio Carlos
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Antonio Carlos

Antonio Carlos
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Aguinaldo (Guina)

Aguinaldo (Guina)
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Cássio Luiz

Cássio Luiz
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Sílvia Morales

Sílvia Morales
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Sílvia Morales

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A Escola do Legislativo de Piracicaba - "Antonio Carlos Danelon - Totó Danelon" promoveu nesta quinta-feira (24), das 9 às 11 horas, de forma presencial, o debate que marcou discussão em Piracicaba sobre o teor da lei 14.187/2010, em reforço à campanha São Paulo contra o racismo. 

Os vereadores Acácio Godoy (PP) e Cássio Luiz Barbosa, o Cássio Fala Pira (PL) foram os palestrantes, juntamente com Antonio Carlos da Silva Barros, coordenador de Políticas para a População Negra e Indígena, órgão do Governo do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria da Justiça e Cidadania, além de Fabíola Moraes Pousa, presidenta do Centro de Tradições Nordestinas de Piracicaba e Região. 

A diretora da Escola do Legislativo, Sílvia Morales (PV), do Mandato Coletivo A Cidade É Sua, abriu o debate e também referendou o papel do vereador Pedro Kawai (PSDB), na coordenação da Escola. O assessor parlamentar Pablo Carajol, bem como a assessoria do vereador Paulo Campos (Podemos), participaram do evento. 

Sílvia Morales reiterou o papel da Escola do Legislativo perante discussões temáticas que impactam a cidade, dado à relevância dos assuntos tratados, também anunciou o lançamento da primeira publicação da Escola do Legislativo, o que reflete o teor das discussões abarcadas pela Escola. 

O vereador Cássio Luiz (PL), o Cássio Fala Pira, abriu o ciclo de palestras, mostrando os dias sombrios que ainda vivemos em decorrência do racismo que permeia as relações humanas, especialmente quando se vê ataques aos nordestinos. "São dias terríveis", citou o parlamentar ao relembrar de incidente que teve no cruzamento de rua de sua cidade natal, no Estado de Minas Gerais, em demonstração de preconceito desferido gratuitamente por um condutor de veículo automotor. 

Cássio Luiz também apresentou um vídeo sobre a sua trajetória de vida, com foco no ajudar o próximo pelo assistencialismo. "Fica muito fácil a crítica por parte daqueles que tem tudo na mesa e não conseguem ver que a outra pessoa precisa de ajuda. A saúde e a fome não esperam, sem alimento não se consegue avançar", disse o parlamentar, na defesa de políticas públicas. 

Para Cássio Luiz, "é um absurdo, em pleno século 21, termos que lidar com o preconceito e a fome. "Vemos que ideias como a do nazismo ainda permeiam em nossa sociedade contemporânea. Somos multiplicadores, formadores de opinião, somos todos iguais, Deus é nosso criador e não faz diferença", alertou o parlamentar, que na sequência apresentou vídeo que sintetiza trabalho social de mais de 15 anos em Piracicaba, no socorro aos mais carentes. 

Fabíola Moraes Pousa apresentou slides para mostrar imagens do cotidiano, em ações de xenofobia praticados pela sociedade, principalmente contra nordestinos. "Xenofobia é crime silencioso", disse a presidenta, discorrendo sobre o real sentido desta palavra, que remete à profunda aversão que uma pessoa tem para com a outra. 

Fabíola também apresentou vídeos que demonstram variadas formas do preconceito contra os nordestinos, a exemplo de uma expressão que foi o mote de uma campanha de conscientização sobre cidadania, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), onde o texto da placa diz: "adorei o seu curriculum, você só precisa perder este sotaque". 

O vereador Acácio Godoy discursou na sequencia do evento e parabenizou o público presente pela representação das pessoas perante suas entidades, como formadores de opinião. O parlamentar fez um alerta sobre o discurso se sobrepondo à realidade. "Hoje vemos muitas mentiras sendo propaladas, onde a pessoa que sofre não tem a compaixão do outro, por não entender a sua dor", disse. 

Para o parlamentar, todo tipo de preconceito vem da ignorância profunda. "É um problema de educação. O processo vai nos educando silenciosamente. O discurso é do outro", destacou Acácio, que também condenou a visão machista, o que resulta no feminicídio, além de entender que o preconceito brasileiro é muito especial, malicioso e delicado", disse. 

Acácio ainda avaliou a condição da sociedade brasileira acolher o negro no samba, ao passo que na disputa pelo poder e, quando ocupa novas posições as condições, se alteram. O parlamentar citou experiência própria, após nove anos de atuação numa empresa e, na iminência de assumir um cargo de gerência, quando foi preterido por uma pessoa branca, com dois anos e meio de casa. 

HISTÓRIA

A relevância de um povo contar a sua própria história também foi pontuada na fala de Acácio, em diferentes exemplos, para mostrar que um simples chegar atrasado no emprego pode ter uma conotação diferenciada se não dermos a chance da pessoa, principalmente o negro, de mostrar o seu real motivo de passar por esta situação. "Há história para mostrar o porquê da favela ser constituída por maioria negra. O povo negro foi massacrado por mais de 300 anos. O esforço do europeu foi diferenciado, pois os filhos e netos sabiam ler e escrever. Nós não entramos no trilho dos avanços. A lei Áurea está incompleta", finalizou o parlamentar, em reflexões que mostram o porquê o dia seguinte à libertação dos escravos, 14 de maio, se perdura até hoje, onde a mulher negra ainda carrega o baluarte de prover o sustento da família. 

"Não me deixam contar a história", enfatizou mais uma vez o parlamentar para dizer que a contribuição do povo negro também se reflete no protagonismo do continente africano como um todo, nos seus 52 países, na implantação da primeira faculdade do planeta, no avanço da medicina, agricultura e muitas outras áreas do conhecimento humano. 

"Não venceremos sozinhos", concluiu Acácio em suas considerações ao destacar a importância do amor como um fator de agregar a todos por um mundo mais igualitário. O parlamentar ainda considerou os mais de 200 anos da Câmara Municipal de Piracicaba, que reflete a participação de 17 mulheres neste período. "Há que se respeitar a dor do outro, da mãe, do idoso e dos demais cidadãos", ressaltou o parlamentar, que na sequencia também comentou um pouco sobre sua trajetória política, passando pelas pastorais da igreja e na defesa de bandeiras como a Frente Parlamentar de Defesa Religiosa, Fórum das Religiosidades e demais instâncias a que o seu mandato está ligado, em ações na somatória de forças em prol da população. 

"Não somos minoria", ponderou o parlamentar para referendar a força do povo negro brasileiro. Acácio também concluiu suas considerações na apresentação de um vídeo, com reflexo em parceria com a Escola de Samba Rosas de Ouro, evocando a Kindala, como língua de expressão da cultura africana refletida nos movimentos de luta e resistência que perpassam nações. 

AÇÕES AFIRMATIVAS 

Antonio Carlos da Silva fechou o ciclo de palestras no evento para comentar sobre o teor da lei 14.187/2010 e suas implicações no atual momento da sociedade brasileira, frente aos diversos casos de racismo, que a partir desta legislação demarca um novo horizonte a dirimir estes casos, onde ações afirmativas jurídicas e administrativas em São Paulo atuam em prol da comunidade como um todo, o que também repercute na Década Internacional de Afrodescendentes, conforme Resolução 68/237, da Assembleia Geral da ONU, a ser observada entre os anos de 2015 a 2024, período previsto para a implantação de uma série de políticas públicas e ações voltadas à comunidade negra pelo mundo. 

Antonio Carlos discorreu sobre o papel da Coordenadoria, na missão de combater as discriminações raciais étnicas religiosas e execução de políticas específicas. O palestrante também apresentou o teor de cartilha que dá sustentação à Rede São Paulo Afro Brasil, em diferentes instâncias e organismos, que colocam o Estado de São Paulo como o único ente da Federação que possui uma lei administrativa que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas pela prática de atos discriminatórios por motivo de raça ou cor. 

SELO CONTRA O RACISMO 

Antonio Carlos concluiu suas considerações reiterando o papel da Coordenadoria Estadual no combate ao racismo, bem como acentuou o papel do Procon no Estado de São Paulo, que a partir do mês de abril colocou em funcionamento um serviço visando atender as denúncias de racismo. Além de comentar sobre projeto que poderá ser concretizado na criação do selo contra o racismo, a ser dinamizado perante o segmento empresarial. 

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Piracicaba, Reinaldo Pousa, que também participou do evento destacou a importância da implantação deste selo em Piracicaba e disse que a entidade está aberta para acolher esta iniciativa, o que demonstra a inovação e o respeito do comércio local. 

Também se manifestaram no evento, o presidente do Centro de Documentação, Cultura e Política Negra de Piracicaba, Agnaldo Oliveira e o integrante do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Adney Araújo, além do Ogã Wilson Lima Santos. Os palestrantes receberam certificados da Escola do Legislativo no final das atividades. 

 



Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão:  Rodrigo Alves - MTB 42.583


Escola do Legislativo

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