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22 DE DEZEMBRO DE 2017

Em carta para o futuro, Erler registra desejos para Piracicaba


Item compõe a cápsula do tempo enterrada na manhã desta quinta-feira (21), no Engenho Central



EM PIRACICABA (SP)  

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Parlamento aberto, Legislativo como um ambiente de diálogo e construção de ideias, maior intervenção popular nas políticas públicas, compartilhamento de pensamentos acima da discordância e a diferença exaltada como qualidade. Esses são alguns dos desejos do presidente da Câmara de Vereadores, Matheus Erler, para a Piracicaba de 2067. As aspirações do legislador estão em uma carta para o futuro, item que compõe a cápsula do tempo enterrada na manhã desta quinta-feira (21), no Engenho Central.

Com previsão para ser aberta em 2067, ano em que a cidade vai completar três séculos de existência, a cápsula conta também com uma carta do prefeito Barjas Negri (PSDB), jornais, revistas com notícias alusivas aos 250 anos de Piracicaba, fotos da posse do prefeito, do vice José Antonio de Godoy e dos 23 vereadores da atual legislatura, artesanatos, duas garrafas de cachaça e outros documentos e arquivos que contam a história da Noiva da Colina. A iniciativa marca o encerramento das atividades oficiais do município em comemoração aos 250 anos, completados no dia 1º de agosto.

Para a secretária de Ação Cultural e Turismo, Rosângela Camolese, a cápsula é uma forma de eternizar a história. “Um povo sem história é um povo sem memória, daqui a 50 anos, quando a cápsula for aberta, essas crianças que hoje estão aqui presentes vão ter na memória a Piracicaba de 2017”, comentou. Iniciando seu terceiro mandato como prefeito, Barjas comentou sobre a evolução de Piracicaba ao longo dos anos. “É muito difícil falarmos de como a cidade estará daqui 50, a tecnologia permite uma evolução muito rápida das coisas. Porém, nós vivemos em uma das cidades mais importantes do Estado de São Paulo e que está entre as melhores do Brasil em nível de educação, segurança, saneamento básico e sustentabilidade”, comentou.

Apesar da carta ser para a Piracicaba do futuro, Erler ressaltou a necessidade do início imediato do trabalho para o desenvolvimento da cidade. “Nós colocamos nossos sonhos no papel, mas para ter essa cidade que desejamos precisamos começar desde já. Muito mais do que almejar, é necessário que nós busquemos o que queremos para a população piracicabana e para isso é necessário a união dos cidadãos com os poderes públicos, para construímos juntos o 2067”, comentou.

 

 Confira a carta na íntegra:

Matheus Erler, presidente da Câmara de Vereadores de 2017

A medida que o tempo passa e as tecnologias avançam, as expectativas para o futuro exigem de todos os homens públicos muita perseverança e trabalho. A rapidez que a globalização impôs com a chegada da era digital, muda o mundo a cada segundo. Ao longo dos meus 35 anos, consegui conquistar alguns sonhos pessoais, como concluir a faculdade de Direito e ter um escritório que milita na área do direito previdenciário. Porém, nem uma dessas conquistas se compara a honra de representar a população piracicabana como vereador e liderar todos os demais 22 representantes como presidente da Câmara de Vereadores de Piracicaba. 

Em 2017, tive a grande felicidade, como piracicabano que sou, em ver a minha cidade completar dois séculos e meio de vida.  Com o objetivo de fazermos uma reflexão sobre a Piracicaba que queremos daqui 50 anos, quando a Noiva da Colina completar 300 anos de existência, fui convidado para escrever uma carta para o futuro. Confesso, não é uma tarefa fácil, há tantos sonhos que eu tenho para essa cidade, principalmente pelo fato de que meu filho, que nasceu nesse ano tão simbólico para a nossa cidade, estará completando 50 anos quando a capsula do tempo for aberta. Com certeza, meu desejo é que ele vivencie a Piracicaba que desejamos.

Como hoje chefe do Legislativo, espero que em 2067 essa Casa de Leis seja ainda mais ocupada pela população piracicabana e que os espaços sejam ambientes de muito diálogo, discussão e principalmente construção de políticas públicas, que realmente atendam as necessidades sociais dos piracicabanos. Meu desejo, é que a intervenção popular ganhe cada vez mais voz nos espaços públicos e que a sociedade entenda a importância da união com o parlamento, para que a construção conjunta de ideias seja sempre a melhor forma de desenvolvimento da cidade.

Em março de 2017, uma pesquisa revelou um dado fundamental para a construção de uma sociedade mais igualitária e com cada vez menos desigualdade social: das 100 maiores cidades do Brasil, que representam metade do Produto Interno Bruto (PIB), Piracicaba liderava, na época, a 1º posição em educação, segundo dados do estudo Desafios da Gestão Municipal, realizado pela consultoria Macroplan, elaborado com dados oficiais e 2005 a 2015. Porém, meu desejo é que todas as metas do Plano Municipal de Educação já tenham sido cumpridas em 2067, entre elas, assegurar uma escola de Educação Básica democrática, inclusiva, pensada na sua integridade, garantindo que todas as crianças saiam de nossas escolas com conhecimentos, habilidades, competências e valores.

Muito mais do que formação acadêmica, que nossas crianças e adolescentes recebam educação ética, voltada para o respeito com o diferente e com o próximo. Que desta forma, possamos formar cidadãos mais conscientes com os problemas sociais, com mais compaixão e principalmente mais tolerantes com opiniões opostas e ideias divergentes. Espero que em 2067, o preconceito seja uma palavra em desuso, que o compartilhamento de pensamentos esteja acima da discordância e que a diferença seja cada vez mais exaltada como uma qualidade.

 No âmbito do turismo e da cultura, espero que Piracicaba seja cada vez mais uma potência turística do interior paulista e que a arte tenha seu espaço ampliado nos espaços públicos. Que o teatro, a música e qualquer forma de expressão sejam valorizadas e respeitadas, pois a cultura com certeza é essencial para a formação e opinião crítica cidadã. Espero que a tecnologia ajude na evolução da acessibilidade e que daqui 50 anos todos os nossos espaços sejam inclusivos. Calçadas, ônibus, prédios públicos, museus, teatros, absolutamente tudo. Muito mais do que apenas espaços físicos, mas que o nosso mercado de trabalho também seja inclusivo e que as pessoas respeitem verdadeiramente as pessoas com deficiência.

Meu desejo para a Piracicaba de 2067 é que algumas lutas atuais virem apenas passado. Que nossa cidade possa acolher e fazer valer todos os direitos das mulheres vítimas de violência doméstica e que possamos evitar com educação e igualdade de gênero a formação de mais gerações machistas. Espero que ao longo desses anos, passemos a refletir mais sobre sustentabilidade, quantidade de lixo que geramos e de que forma podemos agir para preservar o que nos resta da nossa natureza.

Como eu disse, tenho muitos desejos para a nossa cidade, mas, com certeza, o maior de todos é que a nossa população seja cada vez mais humana. Que a intolerância que hoje movimenta tanto discurso de ódio nas redes sociais possa ser superada pelo diálogo construtivo. Que as pessoas olhem mais uma paras outras e descubram que a força de uma nação muda o mundo. Meu desejo não é só para a Piracicaba de 2067 é para Piracicaba de 2017, pois o diálogo é sempre a melhor rota, a educação é o principal caminho e a construção dessa trajetória é feita com união e compaixão.

 

 



Texto:  Assessoria parlamentar Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Supervisão:  Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Revisão:  Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Tópicos: Cultura e TurismoMatheus Erler

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